Publicação
Kairos: configurações do tempo ontem e hoje
| Resumo: | A presente comunicação ocupa-se do poema intitulado Sessenta minutos, de Christina Ramalho, visando influir no recorte conceptual do kairos. Este termo, transportado com liberdade poética pela poeta, professora associada de Teoria Literária e Literatura Brasileira da Universidade Federal de Sergipe, habitualmente traduz-se por ‘momento oportuno’. Com uma história insuficientemente esclarecedora, o kairos é relevante na antiguidade em três domínios, concretamente na poesia arcaica, na sofística e na arte, a mais expressiva síntese do alcance semântico desta metáfora, nevrálgica do discurso hipocrático. Nesta “epopeia relâmpago” (p. 6), o pendor épico do texto reflecte-se na estrutura. As designações (H)Oráculo, Coliseu, Combatente 1 – Paimutic, Combatente 2 – Pachamary, Embate – Apófis e Desfecho - Wakan Tanka evocam a organização da epopeia (proposição, invocação, dedicatória, narração, epílogo), sustentando sessenta poemas, cada um com sessenta segundos-métricos votados à batalha entre o deus do Tempo e a deusa da Poesia. Os olhos fechados desta relembram a cegueira de Homero. A hibridez, emergente da intertextualidade e da intermedialidade, pontua o texto com imagens e com códigos QR, chamando impressões sinestésicas, recordativas da descrição do escudo de Aquiles (Ilíada 18, 477-617). Programada para uma hora, a leitura, amplia se exponencialmente através da mediação digital, hoje preponderante, actualizando os clássicos. Ao tempo, tradicional e actual, esta obra inaugura um lugar de privilégio para o humano mediante a criação linguística. O “infinitar” (p. 39) de caminhos reporta o kairos à acção, vinculando-a à interpretação do mundo. Em conformidade com este conteúdo, um discurso bipartido seguido de conclusões dará conta na primeira parte da técnica de absorção da atenção do leitor ouvinte (Fried 1980; Genette 1972; De Jong 2009) para a sua própria interioridade. Na segunda parte interna-se no kairos, merecendo saliência a inversão da “trilha das lógicas” (p. 41) enquanto força propulsora, inalienável das configurações do kairos ontem e hoje. |
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| Autores principais: | Figueira, Ana Rita |
| Assunto: | Kairos Poesia Poesia brasileira Filosofia grega Medicina grega Ilíada |
| Ano: | 2022 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | documento de conferência |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | A presente comunicação ocupa-se do poema intitulado Sessenta minutos, de Christina Ramalho, visando influir no recorte conceptual do kairos. Este termo, transportado com liberdade poética pela poeta, professora associada de Teoria Literária e Literatura Brasileira da Universidade Federal de Sergipe, habitualmente traduz-se por ‘momento oportuno’. Com uma história insuficientemente esclarecedora, o kairos é relevante na antiguidade em três domínios, concretamente na poesia arcaica, na sofística e na arte, a mais expressiva síntese do alcance semântico desta metáfora, nevrálgica do discurso hipocrático. Nesta “epopeia relâmpago” (p. 6), o pendor épico do texto reflecte-se na estrutura. As designações (H)Oráculo, Coliseu, Combatente 1 – Paimutic, Combatente 2 – Pachamary, Embate – Apófis e Desfecho - Wakan Tanka evocam a organização da epopeia (proposição, invocação, dedicatória, narração, epílogo), sustentando sessenta poemas, cada um com sessenta segundos-métricos votados à batalha entre o deus do Tempo e a deusa da Poesia. Os olhos fechados desta relembram a cegueira de Homero. A hibridez, emergente da intertextualidade e da intermedialidade, pontua o texto com imagens e com códigos QR, chamando impressões sinestésicas, recordativas da descrição do escudo de Aquiles (Ilíada 18, 477-617). Programada para uma hora, a leitura, amplia se exponencialmente através da mediação digital, hoje preponderante, actualizando os clássicos. Ao tempo, tradicional e actual, esta obra inaugura um lugar de privilégio para o humano mediante a criação linguística. O “infinitar” (p. 39) de caminhos reporta o kairos à acção, vinculando-a à interpretação do mundo. Em conformidade com este conteúdo, um discurso bipartido seguido de conclusões dará conta na primeira parte da técnica de absorção da atenção do leitor ouvinte (Fried 1980; Genette 1972; De Jong 2009) para a sua própria interioridade. Na segunda parte interna-se no kairos, merecendo saliência a inversão da “trilha das lógicas” (p. 41) enquanto força propulsora, inalienável das configurações do kairos ontem e hoje. |
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