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"Marido espiritual" : possessão e violência simbólica no sul de Moçambique

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Detalhes bibliográficos
Resumo:No contexto do Sul de Moçambique, os discursos e as práticas sobre a possessão espiritual e a feitiçaria constituem grelhas conceptuais de classificação e de interpretação dos acontecimentos e dos relacionamentos na vida social no seio da família e da comunidade. São fatores determinantes na formação de um sistema de pensamento local, que constrói mundos sociais, culturais e políticos. Contribuem decisivamente para o processo de criação de sociabilidades e de agenciamentos que permitem o surgimento das experiências coletivas e individuais. O estudo da possessão espiritual e da feitiçaria no Sul de Moçambique mostrou um conjunto de saberes especializados, que intercedem na relação entre os espíritos e os vivos; e que são utilizados para dar início aos processos sociais e interpessoais. A partir da análise das motivações e teorias locais sobre o fenómeno do marido espiritual, este trabalho concluiu que as visões de mundo tradicionais são fatores importantes para a perpetuação da servidão, da exclusão e da violência no contexto familiar do Sul de Moçambique, tendo em conta que os guardiães da tradição (os mais velhos e os especialistas tradicionais) detêm o monopólio da interpretação. Portanto, o sistema de crenças tradicionais legitima uma ordem em que os mais novos são vistos como potenciais elementos de pacificação e compensação no relacionamento com entidades espirituais, quer ao nível dos discursos e práticas sobre possessão espiritual, quer dos actos de feitiçaria. Os mais novos, enquanto atores sociais envolvidos neste “cosmos”, não têm o mesmo poder e conhecimentos para lidar com a sua condição de subalternidade. Sendo assim, os discursos e práticas sobre possessão espiritual e a feitiçaria acabam legitimando e produzindo ideologias de subserviência, de que os mais novos são as principais vítimas e visados.
Autores principais:Mahumane, Jonas Alberto
Assunto:Possessão espírita - Moçambique Feitiçaria - Moçambique Violência simbólica Folclore - Moçambique Moçambique - Região Sul Teses de doutoramento - 2016
Ano:2016
País:Portugal
Tipo de documento:tese de doutoramento
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:No contexto do Sul de Moçambique, os discursos e as práticas sobre a possessão espiritual e a feitiçaria constituem grelhas conceptuais de classificação e de interpretação dos acontecimentos e dos relacionamentos na vida social no seio da família e da comunidade. São fatores determinantes na formação de um sistema de pensamento local, que constrói mundos sociais, culturais e políticos. Contribuem decisivamente para o processo de criação de sociabilidades e de agenciamentos que permitem o surgimento das experiências coletivas e individuais. O estudo da possessão espiritual e da feitiçaria no Sul de Moçambique mostrou um conjunto de saberes especializados, que intercedem na relação entre os espíritos e os vivos; e que são utilizados para dar início aos processos sociais e interpessoais. A partir da análise das motivações e teorias locais sobre o fenómeno do marido espiritual, este trabalho concluiu que as visões de mundo tradicionais são fatores importantes para a perpetuação da servidão, da exclusão e da violência no contexto familiar do Sul de Moçambique, tendo em conta que os guardiães da tradição (os mais velhos e os especialistas tradicionais) detêm o monopólio da interpretação. Portanto, o sistema de crenças tradicionais legitima uma ordem em que os mais novos são vistos como potenciais elementos de pacificação e compensação no relacionamento com entidades espirituais, quer ao nível dos discursos e práticas sobre possessão espiritual, quer dos actos de feitiçaria. Os mais novos, enquanto atores sociais envolvidos neste “cosmos”, não têm o mesmo poder e conhecimentos para lidar com a sua condição de subalternidade. Sendo assim, os discursos e práticas sobre possessão espiritual e a feitiçaria acabam legitimando e produzindo ideologias de subserviência, de que os mais novos são as principais vítimas e visados.