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Infeções fúngicas invasivas em idade pediátrica : casuística da Unidade de Cuidados Intensivos Pediátricos do HSM-CHLN entre 2008 e 2019

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Detalhes bibliográficos
Resumo:As infeções fúngicas invasivas (IFI) constituem uma importante causa de morbilidade e mortalidade em crianças gravemente doentes. A implementação recente de novos instrumentos diagnósticos e terapêuticos alterou a epidemiologia destas infeções, revelando-se assim importante reavaliar a incidência das IFI. O presente trabalho visa caracterizar a epidemiologia das IFI em doentes pediátricos críticos internados na Unidade de Cuidados Intensivos Pediátricos (UCIPed) do Hospital de Santa Maria do Centro Hospitalar Universitário Lisboa Norte (HSM-CHLN) nos últimos doze anos. Recolheram-se e trataram-se estatisticamente os dados dos doentes internados entre 2008 e 2019 (distinguido dois períodos: 2008-2013 e 2014-2019) com critérios de IFI possível, provável ou provada segundo as definições da European Organization for Research and Treatment of Cancer (EORTC) ou que, durante o internamento, estiveram a ser tratados para uma IFI; foram excluídas as infeções por Pneumocystis jirovecci. Incluíram-se 46 casos, maioritariamente concentrados no segundo período do estudo (67%). As doenças hematológicas, hemato-oncológicas, tumores sólidos e imunodeficiências, classicamente reconhecidos como grupos de risco para IFI, representaram uma fatia importante dos diagnósticos primários (n=16; 35%). A administração de antibioticoterapia de largo espectro foi o fator de risco mais repetido (98%); realizou-se quimioprofilaxia antifúngica em 7 dos 46 casos (15%). Contabilizando todas as definições, o agente etiológico mais frequente foi Candida spp (76%), predominando as espécies não albicans (60%), seguida por Aspergillus spp (19,6%). Verificou-se um aumento importante da utilização de equinocandinas do primeiro para o segundo período do estudo. Verificaram-se 6 óbitos (13%), podendo a causa da morte ser atribuída, direta ou indiretamente, à IFI, em dois destes casos. Os resultados apresentados enquadram-se nos dados publicados até à data sobre epidemiologia das IFI em doentes pediátricos críticos, podendo as principais diferenças ser explicadas por características da amostra em estudo.
Autores principais:Bastos, Joana Fernandes
Assunto:Infeções fúngicas invasivas Candida spp Aspergillus spp Imunossupressão Pediatria
Ano:2020
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:As infeções fúngicas invasivas (IFI) constituem uma importante causa de morbilidade e mortalidade em crianças gravemente doentes. A implementação recente de novos instrumentos diagnósticos e terapêuticos alterou a epidemiologia destas infeções, revelando-se assim importante reavaliar a incidência das IFI. O presente trabalho visa caracterizar a epidemiologia das IFI em doentes pediátricos críticos internados na Unidade de Cuidados Intensivos Pediátricos (UCIPed) do Hospital de Santa Maria do Centro Hospitalar Universitário Lisboa Norte (HSM-CHLN) nos últimos doze anos. Recolheram-se e trataram-se estatisticamente os dados dos doentes internados entre 2008 e 2019 (distinguido dois períodos: 2008-2013 e 2014-2019) com critérios de IFI possível, provável ou provada segundo as definições da European Organization for Research and Treatment of Cancer (EORTC) ou que, durante o internamento, estiveram a ser tratados para uma IFI; foram excluídas as infeções por Pneumocystis jirovecci. Incluíram-se 46 casos, maioritariamente concentrados no segundo período do estudo (67%). As doenças hematológicas, hemato-oncológicas, tumores sólidos e imunodeficiências, classicamente reconhecidos como grupos de risco para IFI, representaram uma fatia importante dos diagnósticos primários (n=16; 35%). A administração de antibioticoterapia de largo espectro foi o fator de risco mais repetido (98%); realizou-se quimioprofilaxia antifúngica em 7 dos 46 casos (15%). Contabilizando todas as definições, o agente etiológico mais frequente foi Candida spp (76%), predominando as espécies não albicans (60%), seguida por Aspergillus spp (19,6%). Verificou-se um aumento importante da utilização de equinocandinas do primeiro para o segundo período do estudo. Verificaram-se 6 óbitos (13%), podendo a causa da morte ser atribuída, direta ou indiretamente, à IFI, em dois destes casos. Os resultados apresentados enquadram-se nos dados publicados até à data sobre epidemiologia das IFI em doentes pediátricos críticos, podendo as principais diferenças ser explicadas por características da amostra em estudo.