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Desportos de contacto e complicações otorrinolaringológicas

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Resumo:Obviamente que nem todos os traumas que advém dos desportos de contacto têm exclusivamente consequências otorrinolaringológicas, contudo é necessário vê-los como um todo, pois muitas vezes indiretamente poderão ter impacto a este nível. Os traumatismos crânio-encefálicos têm um grande impacto na vida do praticante deste tipo de desportos, não só a nível imediato como a médio-longo prazo, não desvalorizando o impacto que estes traumas podem ter a nível do olfato e audição. Dada a anatomia humana, o nariz e os ouvidos são estruturas muito proeminentes e fáceis de lesar, não devemos esquecer também a laringe que, embora menos frequentemente lesada, é um órgão de alguma fragilidade e de extrema importância, pelo que tem de ser tida em conta quando pensamos em traumatismos otorrinolaringológicos no desporto. O nariz é a estrutura mais proeminente da face, sendo comumente lesado em contexto desportivo, onde os desportos de combate assumem uma importância fundamental. As lesões nasais são múltiplas, desde lacerações até fraturas, sendo estas últimas as mais abundantes no esqueleto facial. Alterações a nível do olfato podem também verificar-se associadas quer a traumas nasais como cerebrais. Nos traumatismos auditivos, o pavilhão auricular é bastante suscetível ao trauma devido à sua localização proeminente. Podem ir desde lacerações e avulsões do pavilhão auricular até hematomas auriculares que devem ser identificados e drenados para evitar complicações a longo prazo e também deformações como é o caso da “orelha em couve flor”. A perda da capacidade auditiva também é um fator bastante importante e comum no traumatismo auditivo, ainda que maioritariamente de forma transitória. As lesões traumáticas da laringe são incomuns. O grau de gravidade pode variar desde um ligeiro edema até a um compromisso da via aérea e consequente morte. De salientar que neste tipo de trauma, uma grande percentagem de pacientes necessita de intervenção cirúrgica obtendo, em regra geral, bons resultados pós-operatórios. O tratamento de todos os traumatismos preza pelo restabelecimento da função da estrutura, evicção de sequelas permanentes assim como um bom resultado estético. A prevenção é, sem dúvida, o aspeto fundamental para reduzir a incidência destes traumatismos, devendo as entidades responsáveis pelas modalidades tomar todas as medidas necessárias para, dentro do possível, proteger a integridade física dos atletas mantendo a competitividade e essência do desporto.
Autores principais:Melo, Manuel Xavier Almeida
Assunto:Desportos de contacto Trauma Nariz Ouvido Laringe Otorrinolaringologia
Ano:2020
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:Obviamente que nem todos os traumas que advém dos desportos de contacto têm exclusivamente consequências otorrinolaringológicas, contudo é necessário vê-los como um todo, pois muitas vezes indiretamente poderão ter impacto a este nível. Os traumatismos crânio-encefálicos têm um grande impacto na vida do praticante deste tipo de desportos, não só a nível imediato como a médio-longo prazo, não desvalorizando o impacto que estes traumas podem ter a nível do olfato e audição. Dada a anatomia humana, o nariz e os ouvidos são estruturas muito proeminentes e fáceis de lesar, não devemos esquecer também a laringe que, embora menos frequentemente lesada, é um órgão de alguma fragilidade e de extrema importância, pelo que tem de ser tida em conta quando pensamos em traumatismos otorrinolaringológicos no desporto. O nariz é a estrutura mais proeminente da face, sendo comumente lesado em contexto desportivo, onde os desportos de combate assumem uma importância fundamental. As lesões nasais são múltiplas, desde lacerações até fraturas, sendo estas últimas as mais abundantes no esqueleto facial. Alterações a nível do olfato podem também verificar-se associadas quer a traumas nasais como cerebrais. Nos traumatismos auditivos, o pavilhão auricular é bastante suscetível ao trauma devido à sua localização proeminente. Podem ir desde lacerações e avulsões do pavilhão auricular até hematomas auriculares que devem ser identificados e drenados para evitar complicações a longo prazo e também deformações como é o caso da “orelha em couve flor”. A perda da capacidade auditiva também é um fator bastante importante e comum no traumatismo auditivo, ainda que maioritariamente de forma transitória. As lesões traumáticas da laringe são incomuns. O grau de gravidade pode variar desde um ligeiro edema até a um compromisso da via aérea e consequente morte. De salientar que neste tipo de trauma, uma grande percentagem de pacientes necessita de intervenção cirúrgica obtendo, em regra geral, bons resultados pós-operatórios. O tratamento de todos os traumatismos preza pelo restabelecimento da função da estrutura, evicção de sequelas permanentes assim como um bom resultado estético. A prevenção é, sem dúvida, o aspeto fundamental para reduzir a incidência destes traumatismos, devendo as entidades responsáveis pelas modalidades tomar todas as medidas necessárias para, dentro do possível, proteger a integridade física dos atletas mantendo a competitividade e essência do desporto.