Publicação
Utilização de lisinas de bacteriófagos no controlo de bactérias patogénicas gram-positivas
| Resumo: | As endolisinas ou, simplesmente, lisinas são hidrolases da parede celular bacteriana, sintetizadas na fase final do ciclo lítico de fagos de DNA de cadeia dupla, cuja acção permite a libertação da progenia viral. Diversos estudos recentes demonstraram que as lisinas quando aplicadas exogenamente a bactérias Gram-positivas, como proteínas recombinantes purificadas, têm a capacidade de degradar o peptidoglicano da parede celular, causando a lise rápida da célula bacteriana. Com este trabalho pretendeu-se inicialmente caracterizar, clonar e expressar lisinas activas contra Staphylococcus aureus e Propionibacterium acnes. Para aumentar a solubilidade destas enzimas produziram-se proteínas truncadas, contendo apenas o domínio catalítico e, lisinas quiméricas em que se conjugaram diferentes domínios catalíticos e motivos de ligação à parede celular de origem heteróloga. As lisinas que demonstraram melhor solubilidade e actividade lítica foram purificadas por cromatografia de afinidade. Estas foram uma lisina truncada (Lys161) contendo apenas o domínio de endopeptidase CHAP da lisina Lys87, especifica para S. aureus, e duas lisinas quiméricas (Lys168- 87 e Lys170-87) contendo, respectivamente, os domínios catalíticos endopeptidase CHAP e de Amidase-2 de lisinas de Enterococcus sp., fundidos ao domínio C-terminal de Lys87 que apresenta os motivos de ligação ao peptidoglicano. A avaliação da actividade lítica das lisinas em isolados bacterianos de meios hospitalares e da comunidade evidenciou um elevado potencial lítico das lisinas quiméricas em mais de 90% das estirpes de S. aureus testadas, incluindo uma elevada fracção destas com resistência à meticilina. Estas quimeras demonstraram também capacidade de lise em estirpes de Enterococcus spp., Staphylococcus epidermidis, Staphylococcus haemolyticus, Staphylococcus saprophyticus, Streptococcus pyogenes, Micrococcus luteus e Bacillus spp. A lisina truncada Lys161, comparativamente, apresentou menor actividade lítica, com redução do espectro lítico. Os resultados obtidos demonstram o potencial das lisinas quiméricas produzidas na eliminação de bactérias patogénicas, incluindo estirpes de S. aureus resistentes à meticilina. |
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| Autores principais: | Fernandes, Ana Sofia Conceição |
| Assunto: | Bacteriologia Lisina Microbiologia molecular Resistência aos antibióticos Teses de mestrado |
| Ano: | 2009 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | As endolisinas ou, simplesmente, lisinas são hidrolases da parede celular bacteriana, sintetizadas na fase final do ciclo lítico de fagos de DNA de cadeia dupla, cuja acção permite a libertação da progenia viral. Diversos estudos recentes demonstraram que as lisinas quando aplicadas exogenamente a bactérias Gram-positivas, como proteínas recombinantes purificadas, têm a capacidade de degradar o peptidoglicano da parede celular, causando a lise rápida da célula bacteriana. Com este trabalho pretendeu-se inicialmente caracterizar, clonar e expressar lisinas activas contra Staphylococcus aureus e Propionibacterium acnes. Para aumentar a solubilidade destas enzimas produziram-se proteínas truncadas, contendo apenas o domínio catalítico e, lisinas quiméricas em que se conjugaram diferentes domínios catalíticos e motivos de ligação à parede celular de origem heteróloga. As lisinas que demonstraram melhor solubilidade e actividade lítica foram purificadas por cromatografia de afinidade. Estas foram uma lisina truncada (Lys161) contendo apenas o domínio de endopeptidase CHAP da lisina Lys87, especifica para S. aureus, e duas lisinas quiméricas (Lys168- 87 e Lys170-87) contendo, respectivamente, os domínios catalíticos endopeptidase CHAP e de Amidase-2 de lisinas de Enterococcus sp., fundidos ao domínio C-terminal de Lys87 que apresenta os motivos de ligação ao peptidoglicano. A avaliação da actividade lítica das lisinas em isolados bacterianos de meios hospitalares e da comunidade evidenciou um elevado potencial lítico das lisinas quiméricas em mais de 90% das estirpes de S. aureus testadas, incluindo uma elevada fracção destas com resistência à meticilina. Estas quimeras demonstraram também capacidade de lise em estirpes de Enterococcus spp., Staphylococcus epidermidis, Staphylococcus haemolyticus, Staphylococcus saprophyticus, Streptococcus pyogenes, Micrococcus luteus e Bacillus spp. A lisina truncada Lys161, comparativamente, apresentou menor actividade lítica, com redução do espectro lítico. Os resultados obtidos demonstram o potencial das lisinas quiméricas produzidas na eliminação de bactérias patogénicas, incluindo estirpes de S. aureus resistentes à meticilina. |
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