Publicação
A instabilidade dos estereótipos : experiências em cognição social com uma metodologia de teste-reteste longitudinal
| Resumo: | As visões tradicionais sobre os estereótipos consideram-nos estruturas estáveis armazenadas na memória e recuperadas intactas, enquanto as visões mais recentes enfatizam a fluidez e flexibilidade dos estereótipos, propondo que estes são construídos com base no conjunto de conhecimentos disponível num determinado momento. Contudo, pouca ou nenhuma investigação foi feita para determinar quão estáveis podem ser estas estruturas de conhecimento. Nas três experiências seguintes, é feita uma estimativa da estabilidade dos estereótipos e das crenças individuais sobre grupos sociais. O método usado consistiu em pedir aos sujeitos que desempenhassem as mesmas tarefas de recuperação em duas sessões separadas por duas semanas. Em cada sessão da Experiência I, foi pedido aos participantes que listassem atributos de grupos sociais com base nos seus estereótipos e com base nas suas crenças pessoais. A correlação média entre os conteúdos produzidos nas duas sessões foi .51, para os estereótipos, e .52, para as crenças individuais. Os resultados são consistentes com a ideia de que a representação de uma determinada categoria social varia substancialmente intra sujeito. Colocou-se também a hipótese que, porque se supunha que os exemplares tivessem um maior efeito nas descrições baseadas em crenças individuais, os estereótipos fossem mais estáveis do que as crenças individuais, e essa hipótese foi infirmada. A Experiência II revelou resultados semelhantes, utilizando outros grupos sociais. Na Experiência III, em vez de listar atributos, foi pedido aos sujeitos que gerassem instâncias de grupos sociais. Semelhantemente, a correlação média entre as instâncias geradas nas duas sessões foi apenas modesta, .57. Em conjunto, estes resultados ilustram a instabilidade substancial das representações de categorias sociais intra individualmente, o que sugere que as estruturas de conhecimento invariantes que muitos investigadores procuram identificar são meras ficções. E que alguma estabilidade temporal que se verificou nas representações de uma categoria ficou a dever-se aos atributos verbais considerados mais centrais e às instâncias consideradas mais típicas para a descrição da mesma, e não aqueles atributos e instâncias periféricos. São discutidas implicações destes resultados para as teorias sobre como são representados mentalmente os grupos sociais. |
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| Autores principais: | Correia Dos Santos, Ana Sofia |
| Assunto: | Estereótipos Crenças individuais Grupos sociais Cognição social Teses de mestrado - 2001 |
| Ano: | 2001 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | As visões tradicionais sobre os estereótipos consideram-nos estruturas estáveis armazenadas na memória e recuperadas intactas, enquanto as visões mais recentes enfatizam a fluidez e flexibilidade dos estereótipos, propondo que estes são construídos com base no conjunto de conhecimentos disponível num determinado momento. Contudo, pouca ou nenhuma investigação foi feita para determinar quão estáveis podem ser estas estruturas de conhecimento. Nas três experiências seguintes, é feita uma estimativa da estabilidade dos estereótipos e das crenças individuais sobre grupos sociais. O método usado consistiu em pedir aos sujeitos que desempenhassem as mesmas tarefas de recuperação em duas sessões separadas por duas semanas. Em cada sessão da Experiência I, foi pedido aos participantes que listassem atributos de grupos sociais com base nos seus estereótipos e com base nas suas crenças pessoais. A correlação média entre os conteúdos produzidos nas duas sessões foi .51, para os estereótipos, e .52, para as crenças individuais. Os resultados são consistentes com a ideia de que a representação de uma determinada categoria social varia substancialmente intra sujeito. Colocou-se também a hipótese que, porque se supunha que os exemplares tivessem um maior efeito nas descrições baseadas em crenças individuais, os estereótipos fossem mais estáveis do que as crenças individuais, e essa hipótese foi infirmada. A Experiência II revelou resultados semelhantes, utilizando outros grupos sociais. Na Experiência III, em vez de listar atributos, foi pedido aos sujeitos que gerassem instâncias de grupos sociais. Semelhantemente, a correlação média entre as instâncias geradas nas duas sessões foi apenas modesta, .57. Em conjunto, estes resultados ilustram a instabilidade substancial das representações de categorias sociais intra individualmente, o que sugere que as estruturas de conhecimento invariantes que muitos investigadores procuram identificar são meras ficções. E que alguma estabilidade temporal que se verificou nas representações de uma categoria ficou a dever-se aos atributos verbais considerados mais centrais e às instâncias consideradas mais típicas para a descrição da mesma, e não aqueles atributos e instâncias periféricos. São discutidas implicações destes resultados para as teorias sobre como são representados mentalmente os grupos sociais. |
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