Publicação
Imunoterapia oral : onde aplicar?
| Resumo: | A dermatite atópica canina (DAc) tem sido progressivamente melhor compreendida, o que tem permitido o desenvolvimento de tratamentos mais eficazes. A imunoterapia com alergénios (ICA), reconhecida como a única forma de tratamento definitivo para a dermatite atópica, tem vindo a ser explorada através de diferentes vias de administração. Estas visam facilitar a aplicação dos alergénios, promovendo uma maior adesão por parte dos titulares, sem comprometer a eficácia terapêutica. A ICA oral surge como uma via promissora devido às caraterísticas únicas da mucosa oral; no entanto, os locais de administração podem ser distintos quanto à eficácia e segurança. Neste contexto, o presente estudo teve como objetivo identificar a região da mucosa oral mais adequada para a aplicação da ICA, considerando que áreas com maior densidade de células de Langerhans (CLs) são mais propícias ao sucesso terapêutico, enquanto que regiões com maior número de mastócitos apresentam um risco acrescido de reações adversas. Para tal, foram recrutados seis cadáveres de cães submetidos a eutanásia no Hospital Escolar Veterinário (HEV) da Faculdade de Medicina Veterinária (FMV), e realizadas biópsias de cinco regiões da mucosa oral potencialmente viáveis para a ICA - bucal, vestibular, sublingual, palatina e gengival. As amostras foram processadas no laboratório, sendo coradas com Hematoxilina-Eosina (H&E) e Azul de Toluidina a 0,5% para a identificação de mastócitos. Além disso, foi utilizada a técnica de imunohistoquímica para a identificação das CLs. Posteriormente, as lâminas foram analisadas ao microscópio, permitindo a contagem de mastócitos e CLs nas diferentes regiões. A densidade celular em cada região da mucosa oral foi calculada e estes valores foram submetidos a análise estatística. Os resultados não revelaram diferenças estatisticamente significativas na densidade de mastócitos entre as regiões (p = 0,38). No entanto, verificaram-se diferenças significativas na densidade de CLs, sendo a região bucal a que apresentou a maior densidade destas células (8,25 ± 4,06). Foram registadas diferenças significativas entre a mucosa bucal e as regiões vestibular (p = 0,043), sublingual (p = 0,039) e palatina (p < 0,001). Conclui-se, assim, que a mucosa bucal é a região mais adequada para a administração de alergénios no âmbito da ICA oral. Estes resultados abrem caminho para novas investigações, já em curso, que confirmem a eficácia clínica deste método, promovendo também uma maior adesão dos titulares ao tratamento |
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| Autores principais: | Venâncio, Margarida Alves |
| Assunto: | Dermatite atópica Imunoterapia oral Mucosa oral Tolerância imunológica Cães Atopic dermatitis Oral immunotherapy Oral mucosa Immune tolerance Dogs |
| Ano: | 2025 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | A dermatite atópica canina (DAc) tem sido progressivamente melhor compreendida, o que tem permitido o desenvolvimento de tratamentos mais eficazes. A imunoterapia com alergénios (ICA), reconhecida como a única forma de tratamento definitivo para a dermatite atópica, tem vindo a ser explorada através de diferentes vias de administração. Estas visam facilitar a aplicação dos alergénios, promovendo uma maior adesão por parte dos titulares, sem comprometer a eficácia terapêutica. A ICA oral surge como uma via promissora devido às caraterísticas únicas da mucosa oral; no entanto, os locais de administração podem ser distintos quanto à eficácia e segurança. Neste contexto, o presente estudo teve como objetivo identificar a região da mucosa oral mais adequada para a aplicação da ICA, considerando que áreas com maior densidade de células de Langerhans (CLs) são mais propícias ao sucesso terapêutico, enquanto que regiões com maior número de mastócitos apresentam um risco acrescido de reações adversas. Para tal, foram recrutados seis cadáveres de cães submetidos a eutanásia no Hospital Escolar Veterinário (HEV) da Faculdade de Medicina Veterinária (FMV), e realizadas biópsias de cinco regiões da mucosa oral potencialmente viáveis para a ICA - bucal, vestibular, sublingual, palatina e gengival. As amostras foram processadas no laboratório, sendo coradas com Hematoxilina-Eosina (H&E) e Azul de Toluidina a 0,5% para a identificação de mastócitos. Além disso, foi utilizada a técnica de imunohistoquímica para a identificação das CLs. Posteriormente, as lâminas foram analisadas ao microscópio, permitindo a contagem de mastócitos e CLs nas diferentes regiões. A densidade celular em cada região da mucosa oral foi calculada e estes valores foram submetidos a análise estatística. Os resultados não revelaram diferenças estatisticamente significativas na densidade de mastócitos entre as regiões (p = 0,38). No entanto, verificaram-se diferenças significativas na densidade de CLs, sendo a região bucal a que apresentou a maior densidade destas células (8,25 ± 4,06). Foram registadas diferenças significativas entre a mucosa bucal e as regiões vestibular (p = 0,043), sublingual (p = 0,039) e palatina (p < 0,001). Conclui-se, assim, que a mucosa bucal é a região mais adequada para a administração de alergénios no âmbito da ICA oral. Estes resultados abrem caminho para novas investigações, já em curso, que confirmem a eficácia clínica deste método, promovendo também uma maior adesão dos titulares ao tratamento |
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