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Uveíte recorrente equina e leptospirose : estudo de variáveis em cavalos sujeitos a vitrectomia, na região de Hannover

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Detalhes bibliográficos
Resumo:A uveíte recorrente equina (URE) é frequentemente citada como a causa mais comum de cegueira em cavalos, apresentando prevalências entre 8 a 10% na Europa e entre 2% a 25% nos Estados Unidos. É caracterizada por episódios recorrentes de inflamação intraocular, separados por períodos de remissão, nos quais não há sinais de inflamação intraocular ativa. Evidências recentes correlacionam-na com uma forte resposta autoimune, despoletada após infeção por Leptospira. Embora a terapêutica médica anti-inflamatória seja eficaz no controlo da maioria dos casos de uveíte recorrente equina, alguns casos requerem abordagem cirúrgica, por exemplo, vitrectomia. Neste estudo foram revistos os dados referentes às vitrectomias realizadas entre Janeiro de 2012 e Janeiro de 2013, na Clínica de Equinos da Faculdade de Medicina Veterinária de Hannover. Durante a vitrectomia foram recolhidas amostras de vítreo, que foram analisadas por reação da polimerase em cadeia (PCR) e teste de aglutinação microscópica (TAM). O PCR foi positivo para 46,7% dos cavalos testados enquanto 53,3% dos cavalos apresentavam anticorpos anti-Leptospira. No total dos dois testes, 56,7% dos cavalos mostraram reação positiva para Leptospira. Foram detetados anticorpos contra o serovar Grippotyphosa em 81,3% dos cavalos positivos ao TAM. Foi encontrada uma diferença estatisticamente significativa entre a idade dos animais positivos para Leptospira e a idade dos animais negativos. A análise das lesões oculares existentes confirmou uma correlação positiva entre a gravidade das lesões e a positividade para Leptospira. Este estudo suporta a hipótese da relação entre a URE e a infeção por Leptospira no equino. Os resultados obtidos estão de acordo com os trabalhos que sugerem que a seropositividade para Leptospira está correlacionada com uma maior probabilidade do desenvolvimento de cegueira. À medida que prosseguem os estudos na procura de terapêuticas eficazes, para melhor compreensão da patogénese e dos fatores de risco da URE, a necessidade de investigação desta doença no nosso país é cada vez mais premente.
Autores principais:Cordovil, Teresa Mota
Assunto:uveíte recorrente equina leptospira vitrectomia diagnóstico tratamento prognóstico equine recurrent uveitis leptospira vitrectomy diagnosis treatment prognosis
Ano:2013
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:A uveíte recorrente equina (URE) é frequentemente citada como a causa mais comum de cegueira em cavalos, apresentando prevalências entre 8 a 10% na Europa e entre 2% a 25% nos Estados Unidos. É caracterizada por episódios recorrentes de inflamação intraocular, separados por períodos de remissão, nos quais não há sinais de inflamação intraocular ativa. Evidências recentes correlacionam-na com uma forte resposta autoimune, despoletada após infeção por Leptospira. Embora a terapêutica médica anti-inflamatória seja eficaz no controlo da maioria dos casos de uveíte recorrente equina, alguns casos requerem abordagem cirúrgica, por exemplo, vitrectomia. Neste estudo foram revistos os dados referentes às vitrectomias realizadas entre Janeiro de 2012 e Janeiro de 2013, na Clínica de Equinos da Faculdade de Medicina Veterinária de Hannover. Durante a vitrectomia foram recolhidas amostras de vítreo, que foram analisadas por reação da polimerase em cadeia (PCR) e teste de aglutinação microscópica (TAM). O PCR foi positivo para 46,7% dos cavalos testados enquanto 53,3% dos cavalos apresentavam anticorpos anti-Leptospira. No total dos dois testes, 56,7% dos cavalos mostraram reação positiva para Leptospira. Foram detetados anticorpos contra o serovar Grippotyphosa em 81,3% dos cavalos positivos ao TAM. Foi encontrada uma diferença estatisticamente significativa entre a idade dos animais positivos para Leptospira e a idade dos animais negativos. A análise das lesões oculares existentes confirmou uma correlação positiva entre a gravidade das lesões e a positividade para Leptospira. Este estudo suporta a hipótese da relação entre a URE e a infeção por Leptospira no equino. Os resultados obtidos estão de acordo com os trabalhos que sugerem que a seropositividade para Leptospira está correlacionada com uma maior probabilidade do desenvolvimento de cegueira. À medida que prosseguem os estudos na procura de terapêuticas eficazes, para melhor compreensão da patogénese e dos fatores de risco da URE, a necessidade de investigação desta doença no nosso país é cada vez mais premente.