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Comorbilidades em gatos com infeção pelo vírus da imunodeficiência felina : um estudo retrospetivo

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Resumo:O vírus da imunodeficiência felina (FIV), assim como o vírus da imunodeficiência humana (HIV), pertence à família Retroviridae, género Lentivirus. O FIV afeta tanto felídeos domésticos como selvagens, com prevalências variando entre os 2,7% e os 28,9%. Além disto, a presença de diversos subtipos do vírus é observada em diferentes regiões geográficas. A doença apresenta três fases: uma aguda e transitória, uma assintomática, com duração longa e uma terminal, definida pelo aparecimento de afeções secundárias, devido à imunodeficiência que se instala. A apresentação clínica da infeção varia de acordo com diversos fatores, podendo ocorrer infeções virais, bacterianas e fúngicas, afeções multifatoriais como a gengivoestomatite, bem como vários tipos de neoplasias, entre outras. O diagnóstico da infeção pelo FIV é realizado, principalmente, por meio de métodos serológicos e o tratamento pode envolver a administração de antivirais ou interferões. O maneio clínico destes animais é de extrema importância, devendo minimizar-se o contacto com agentes infeciosos e garantir um controlo da sua saúde, com visitas regulares ao médico veterinário assistente. O presente estudo tem como objetivo caracterizar a população de gatos infetados com FIV e aferir a relação entre este vírus e o desenvolvimento de outras comorbilidades. A população em estudo consistiu em 104 gatos FIV positivos e 403 gatos controlo, retrovírus negativos. Foi encontrada uma relação estatisticamente significativa (p<0,05) entre a infeção pelo FIV e o aparecimento de comorbilidades cardíacas e/ou respiratórias, estomatológicas e ainda feridas e/ou abcessos e neoplasias. Esta relação não se comprovou no que toca a comorbilidades dermatológicas, endócrinas, gastrointestinais e/ou do peritoneu, secundárias à infeção por hemoparasitas, hepáticas e/ou pancreáticas, hematológicas, oftalmológicas, ortopédicas e/ou neurológicas, secundárias à infeção por ectoparasitas e parasitas intestinais, reprodutivas e urinárias. O presente trabalho obteve resultados consensuais com vários estudos efetuados no passado, mas sofre de várias limitações inerentes à elaboração de um estudo retrospetivo. Futuramente, seria interessante realizar uma investigação semelhante, de forma prospetiva, de forma a colmatar as falhas existentes, e levar a uma melhor compreensão da relação causa-efeito do FIV no surgimento de diversas afeções
Autores principais:Mendonça, Carolina Casaes Moreira de
Assunto:Gato Vírus da Imunodeficiência Felina Comorbilidade Retrovírus Unidade de Isolamento Cat Feline Immunodeficiency Virus Comorbidity Retrovirus Isolation Unit
Ano:2023
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:O vírus da imunodeficiência felina (FIV), assim como o vírus da imunodeficiência humana (HIV), pertence à família Retroviridae, género Lentivirus. O FIV afeta tanto felídeos domésticos como selvagens, com prevalências variando entre os 2,7% e os 28,9%. Além disto, a presença de diversos subtipos do vírus é observada em diferentes regiões geográficas. A doença apresenta três fases: uma aguda e transitória, uma assintomática, com duração longa e uma terminal, definida pelo aparecimento de afeções secundárias, devido à imunodeficiência que se instala. A apresentação clínica da infeção varia de acordo com diversos fatores, podendo ocorrer infeções virais, bacterianas e fúngicas, afeções multifatoriais como a gengivoestomatite, bem como vários tipos de neoplasias, entre outras. O diagnóstico da infeção pelo FIV é realizado, principalmente, por meio de métodos serológicos e o tratamento pode envolver a administração de antivirais ou interferões. O maneio clínico destes animais é de extrema importância, devendo minimizar-se o contacto com agentes infeciosos e garantir um controlo da sua saúde, com visitas regulares ao médico veterinário assistente. O presente estudo tem como objetivo caracterizar a população de gatos infetados com FIV e aferir a relação entre este vírus e o desenvolvimento de outras comorbilidades. A população em estudo consistiu em 104 gatos FIV positivos e 403 gatos controlo, retrovírus negativos. Foi encontrada uma relação estatisticamente significativa (p<0,05) entre a infeção pelo FIV e o aparecimento de comorbilidades cardíacas e/ou respiratórias, estomatológicas e ainda feridas e/ou abcessos e neoplasias. Esta relação não se comprovou no que toca a comorbilidades dermatológicas, endócrinas, gastrointestinais e/ou do peritoneu, secundárias à infeção por hemoparasitas, hepáticas e/ou pancreáticas, hematológicas, oftalmológicas, ortopédicas e/ou neurológicas, secundárias à infeção por ectoparasitas e parasitas intestinais, reprodutivas e urinárias. O presente trabalho obteve resultados consensuais com vários estudos efetuados no passado, mas sofre de várias limitações inerentes à elaboração de um estudo retrospetivo. Futuramente, seria interessante realizar uma investigação semelhante, de forma prospetiva, de forma a colmatar as falhas existentes, e levar a uma melhor compreensão da relação causa-efeito do FIV no surgimento de diversas afeções