Publicação
A aventura quinhentista portuguesa : verdades e mitos na história marítima
| Resumo: | As grandes navegações dos séculos XV e XVI marcaram, de forma determinante, a História Universal e colocaram as nações ibéricas no centro de um novo sistema-mundo. A História de Portugal liga-se com a História de Espanha nessas mesmas navegações. Porque foram os portugueses a romper o Atlântico e a assinalar pela costa as terras já conhecidas de África e da Ásia e porque foram, também, os espanhóis a assinalar, primeiramente, num novo sistema cartográfico que não mais parou de ser aprimorado, as Américas. A estas navegações consagrou-se uma definição historiográfica muito própria - Descobrimentos. Os historiadores portugueses juntaram-lhe outros conceitos como o de Expansão e de Império, e os espanhóis, mantendo o de Império com outra dimensão e outro simbolismo, assumiram a Conquista como conceito central. A historiografia sobre a Aventura Marítima dos portugueses e a presença em territórios de África, Ásia, América e Oceânia assumiu-se sempre muito marcada por um certo patriotismo, por vezes nacionalismo exacerbado. Essa construção histórica determina esta sociedade vivente que transforma os humanos em autómatos de conceitos que, no tempo da desconstrução da história, podem não fazer já muito sentido. A presente investigação incide sobre a validade dos velhos mitos: o da ação determinante no que se pode considerar os Descobrimentos olhados pela representação eurocêntrica; e os do Império, como se Portugal tivesse consagrado um artefacto político, administrativo e militar que lhe permitisse garantir, em contínuo, esse lugar. Não se partiu do mesmo ponto da crítica contemporânea sobre “os impérios”, porque não se promoveu a concordância com o princípio de que os impérios não funcionam e que a longo prazo não é possível governar eficazmente um grande número de povos conquistados. Também se relativizou, mesmo dando-lhe um valor facial mais respeitador, o princípio de que os impérios são motores maléficos de destruição e exploração. Mas há também três novos mitos que se criaram e desenvolveram na historiografia do final século XX e que importa também questionar. O mito da Bonomia Portuguesa, como se se comportasse uma forma diferente de submeter os povos invadidos; o mito da existência de um Conceito Estratégico que tivesse sempre comandado a ação dos protagonistas das navegações e da construção do tal império; e o mito das grandes navegações enquanto ato fundador da Globalização. A todos estes novos mitos se deverá questionar o sentido e recolocar a sua importância no património de uma historiografia mais sufragada. Esta investigação segue, portanto, uma leitura sobre a Aventura, sobre a Verdade e o Mito. Não desagradando os feitos ou fazendo dessa aventura uma história infantil, nem assumindo o mito como uma consideração corrente, seguindo Fernando Pessoa, de que pode ser tudo. As conclusões a que se chegou não menorizam o papel dos portugueses e dos espanhóis na História Universal. Antes o colocam em perspetiva, assumindo as novas implicações que as outras ciências sociais determinam à história. Se os testes de ADN ou as confirmações por Carbono 14 questionam nas proclamações tidas por certas, não se deve deixar de fazer os desvios corretos para que a tese não se veja atropelada pelas evidências. A construção historiográfica não pode ser despida da influência da literatura, ou não fossem as crónicas fontes coevas essenciais; nem deve esquecer a filosofia e a teologia para incrementar as motivações dos aventureiros a cada tempo na relação entre temporal e intemporal. E esse trilho também se seguiu. Esta tese é, pois, um caminho para o questionamento, um recolocar do pensamento e da investigação desenvolvida ao longo do último século numa outra perspetiva que, sendo sustentada, não tem sido comum na academia portuguesa. |
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| Autores principais: | Simões, Ascenso Luís Seixas |
| Assunto: | Descobrimentos geográficos portugueses - História Descobrimentos geográficos portugueses - Mitologia História marítima - Portugal - séc.15-16 Globalização - séc.15-16 Portugal - História - séc.15-20 Teses de doutoramento - 2022 |
| Ano: | 2022 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | tese de doutoramento |
| Tipo de acesso: | acesso embargado |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | As grandes navegações dos séculos XV e XVI marcaram, de forma determinante, a História Universal e colocaram as nações ibéricas no centro de um novo sistema-mundo. A História de Portugal liga-se com a História de Espanha nessas mesmas navegações. Porque foram os portugueses a romper o Atlântico e a assinalar pela costa as terras já conhecidas de África e da Ásia e porque foram, também, os espanhóis a assinalar, primeiramente, num novo sistema cartográfico que não mais parou de ser aprimorado, as Américas. A estas navegações consagrou-se uma definição historiográfica muito própria - Descobrimentos. Os historiadores portugueses juntaram-lhe outros conceitos como o de Expansão e de Império, e os espanhóis, mantendo o de Império com outra dimensão e outro simbolismo, assumiram a Conquista como conceito central. A historiografia sobre a Aventura Marítima dos portugueses e a presença em territórios de África, Ásia, América e Oceânia assumiu-se sempre muito marcada por um certo patriotismo, por vezes nacionalismo exacerbado. Essa construção histórica determina esta sociedade vivente que transforma os humanos em autómatos de conceitos que, no tempo da desconstrução da história, podem não fazer já muito sentido. A presente investigação incide sobre a validade dos velhos mitos: o da ação determinante no que se pode considerar os Descobrimentos olhados pela representação eurocêntrica; e os do Império, como se Portugal tivesse consagrado um artefacto político, administrativo e militar que lhe permitisse garantir, em contínuo, esse lugar. Não se partiu do mesmo ponto da crítica contemporânea sobre “os impérios”, porque não se promoveu a concordância com o princípio de que os impérios não funcionam e que a longo prazo não é possível governar eficazmente um grande número de povos conquistados. Também se relativizou, mesmo dando-lhe um valor facial mais respeitador, o princípio de que os impérios são motores maléficos de destruição e exploração. Mas há também três novos mitos que se criaram e desenvolveram na historiografia do final século XX e que importa também questionar. O mito da Bonomia Portuguesa, como se se comportasse uma forma diferente de submeter os povos invadidos; o mito da existência de um Conceito Estratégico que tivesse sempre comandado a ação dos protagonistas das navegações e da construção do tal império; e o mito das grandes navegações enquanto ato fundador da Globalização. A todos estes novos mitos se deverá questionar o sentido e recolocar a sua importância no património de uma historiografia mais sufragada. Esta investigação segue, portanto, uma leitura sobre a Aventura, sobre a Verdade e o Mito. Não desagradando os feitos ou fazendo dessa aventura uma história infantil, nem assumindo o mito como uma consideração corrente, seguindo Fernando Pessoa, de que pode ser tudo. As conclusões a que se chegou não menorizam o papel dos portugueses e dos espanhóis na História Universal. Antes o colocam em perspetiva, assumindo as novas implicações que as outras ciências sociais determinam à história. Se os testes de ADN ou as confirmações por Carbono 14 questionam nas proclamações tidas por certas, não se deve deixar de fazer os desvios corretos para que a tese não se veja atropelada pelas evidências. A construção historiográfica não pode ser despida da influência da literatura, ou não fossem as crónicas fontes coevas essenciais; nem deve esquecer a filosofia e a teologia para incrementar as motivações dos aventureiros a cada tempo na relação entre temporal e intemporal. E esse trilho também se seguiu. Esta tese é, pois, um caminho para o questionamento, um recolocar do pensamento e da investigação desenvolvida ao longo do último século numa outra perspetiva que, sendo sustentada, não tem sido comum na academia portuguesa. |
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