Publicação
Identificação de novas espécies de Brucella spp.: novas ameaças para os humanos
| Resumo: | A brucelose á uma doença zoonótica mundial causada por Brucella spp., uma alfaproteobactéria Gram-negativa, capaz de infetar uma vasta gama de mamíferos, que incluem animais domésticos, animais selvagens e seres humanos. Dentro do gênero de Brucella estão descritas 12 espécies, três das quais (Brucella abortus, Brucella suis e Brucella melitensis) estão mais frequentemente associadas à brucelose humana, comumente designadas por espécies clássicas. Desde o final dos anos 90, foram isoladas a partir de seres humanos, animais selvagens e fontes ambientais várias espécies de Brucella spp., evidenciando a existência de uma gama de hospedeiros mais ampla. Algumas destas espécies recentemente descritas são geneticamente e/ou fenotipicamente diferentes quando comparadas com as espécies clássicas, o que pode resultar em potenciais novas ameaças zoonóticas. Nos dias de hoje, apenas algumas espécies clássicas de Brucella spp. estão sujeitas a estratégias de controlo e vigilância na Europa, enquanto as novas espécies detetadas se encontram potencialmente subdiagnosticadas na vida selvagem. Com o presente trabalho, e através de uma abordagem One Health, pretendeu-se realizar a identificação e caraterização de novas espécies de Brucella spp. através de soros humanos, pertencentes à seroteca do Instituto Nacional de Saúde Doutro Ricardo Jorge, tanto com recurso a metodologias de diagnóstico diretas, como o teste de aglutinação Rosa de Bengala, tal como através de técnicas moleculares, como PCR em tempo real. De um total de 168 amostras analisadas, apenas 21 apresentaram um resultado positivo através de PCR e, após sequenciação, nenhuma das amostras apresentou o genoma correspondente a Brucella spp. Estes resultados realçam as dificuldades inerentes ao diagnóstico deste microrganismo, podendo as mesmas ajudar na otimização da caraterização e tipagem de Brucella em trabalhos futuros. Igualmente neste trabalho, e utilizando uma abordagem inovadora, recorrendo às novas metodologias de sequenciação de nova geração, foi possível validar a utilização do perfil de MLVA-16, a técnica gold standard para a tipagem de Brucella spp., utilizando a extração de genótipos in silico. Neste sentido, pretendia-se avaliar o desempenho de um script Python, comparando-o com a abordagem de MLVA baseada em PCR, em 83 estirpes de diferentes espécies de Brucella. A abordagem de MLVA baseada em WGS detetou 95,3% de todos os 1 328 possíveis hits (83 estirpes x 16 loci) e mostrou uma taxa de concordância de 96,4% com o procedimento de MLVA clássico baseado em PCR. Este script parece ser uma ferramenta muito útil e robusta para a determinação in silico dos perfis de MLVA para as estirpes de Brucella, permitindo estudos epidemiológicos moleculares, importantes para a manutenção de uma vigilância ativa da brucelose. |
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| Autores principais: | Grilo, Maria Teresa Cordeiro |
| Assunto: | Brucella spp. brucelose tipagem molecular espécies clássicas novas espécies MLVA WGS script Python Teses de mestrado - 2022 |
| Ano: | 2022 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | A brucelose á uma doença zoonótica mundial causada por Brucella spp., uma alfaproteobactéria Gram-negativa, capaz de infetar uma vasta gama de mamíferos, que incluem animais domésticos, animais selvagens e seres humanos. Dentro do gênero de Brucella estão descritas 12 espécies, três das quais (Brucella abortus, Brucella suis e Brucella melitensis) estão mais frequentemente associadas à brucelose humana, comumente designadas por espécies clássicas. Desde o final dos anos 90, foram isoladas a partir de seres humanos, animais selvagens e fontes ambientais várias espécies de Brucella spp., evidenciando a existência de uma gama de hospedeiros mais ampla. Algumas destas espécies recentemente descritas são geneticamente e/ou fenotipicamente diferentes quando comparadas com as espécies clássicas, o que pode resultar em potenciais novas ameaças zoonóticas. Nos dias de hoje, apenas algumas espécies clássicas de Brucella spp. estão sujeitas a estratégias de controlo e vigilância na Europa, enquanto as novas espécies detetadas se encontram potencialmente subdiagnosticadas na vida selvagem. Com o presente trabalho, e através de uma abordagem One Health, pretendeu-se realizar a identificação e caraterização de novas espécies de Brucella spp. através de soros humanos, pertencentes à seroteca do Instituto Nacional de Saúde Doutro Ricardo Jorge, tanto com recurso a metodologias de diagnóstico diretas, como o teste de aglutinação Rosa de Bengala, tal como através de técnicas moleculares, como PCR em tempo real. De um total de 168 amostras analisadas, apenas 21 apresentaram um resultado positivo através de PCR e, após sequenciação, nenhuma das amostras apresentou o genoma correspondente a Brucella spp. Estes resultados realçam as dificuldades inerentes ao diagnóstico deste microrganismo, podendo as mesmas ajudar na otimização da caraterização e tipagem de Brucella em trabalhos futuros. Igualmente neste trabalho, e utilizando uma abordagem inovadora, recorrendo às novas metodologias de sequenciação de nova geração, foi possível validar a utilização do perfil de MLVA-16, a técnica gold standard para a tipagem de Brucella spp., utilizando a extração de genótipos in silico. Neste sentido, pretendia-se avaliar o desempenho de um script Python, comparando-o com a abordagem de MLVA baseada em PCR, em 83 estirpes de diferentes espécies de Brucella. A abordagem de MLVA baseada em WGS detetou 95,3% de todos os 1 328 possíveis hits (83 estirpes x 16 loci) e mostrou uma taxa de concordância de 96,4% com o procedimento de MLVA clássico baseado em PCR. Este script parece ser uma ferramenta muito útil e robusta para a determinação in silico dos perfis de MLVA para as estirpes de Brucella, permitindo estudos epidemiológicos moleculares, importantes para a manutenção de uma vigilância ativa da brucelose. |
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