Publicação
Programa de headstarting de Emys orbicularis em Portugal: avaliação da qualidade dos juvenis
| Resumo: | O Cágado-de-carapaça-estriada (Emys orbicularis) está classificado em Portugal com estatuto de “Em perigo”. No âmbito do projecto LIFE+Trachemys “Estratégias e técnicas demonstrativas para a erradicação de cágados invasores” (LIFE09 NAT/ES/000529), iniciou-se pela primeira vez em Portugal um programa de headstarting para esta espécie, sendo o Centro de Recuperação e Investigação de Animais Selvagens (RIAS) um dos responsáveis por esta acção. Neste sentido, torna-se fundamental perceber qual a influência que os métodos adoptados para a incubação e criação em cativeiro poderão ter na condição dos indivíduos, o que terá importância para a sua sobrevivência na natureza após libertação. O objectivo deste estudo foi comparar as condições morfológicas e de performance dos animais nascidos em cativeiro com a de animais nascidos no estado selvagem, bem como avaliar se as condições dos primeiros se mantêm após seis meses de cativeiro. As fêmeas grávidas foram capturadas e mantidas em instalações próprias até à postura dos ovos, que foram incubados em condições seminaturais (numa zona exposta às condições climáticas exteriores, numa área com cerca de 50% de exposição solar, 40% de sombra, 10% de água, e alguma vegetação rasteira) em que apenas a humidade do solo foi regulada. Estudaram-se três grupos diferentes de indivíduos. Os neonatos nascidos em cativeiro durante o Inverno de 2013 (N=18), os neonatos que emergiram na primavera na natureza (N=12), e ainda os indivíduos do primeiro grupo, mas mais tarde, com cerca de 6 meses de idade. Além das análises morfológicas realizaram-se dois testes de performance locomotora: (1) Reposicionamento (tempo que o indivíduo demora a voltar à posição normal, quando colocado de carapaça para baixo) e (2) Corrida (avaliando o tempo de reacção para fuga e as velocidades atingidas), ao nono e décimo dias de jejum, com dois ensaios a cada dia. Não se encontraram quaisquer perturbações no desenvolvimento e crescimento dos neonatos e juvenis, sustentado pelas taxas de crescimento e dimensões corporais adequadas para a espécie. O tipo de locomoção mais frequente foi a intermitente, provavelmente para recuperação de resistência física e detecção de estímulos externos. Observou-se a existência de aprendizagem ao longo dos ensaios, para ambos os grupos de neonatos, no entanto sem indícios de habituação/domesticação. No geral, não se encontram diferenças de qualidade entre os grupos de neonatos. As medidas relativas de velocidade e de orientação mantiveram-se ao fim de seis meses independentemente dos factores morfológicos, sugerindo a existência de uma componente genética forte para a performance individual. A curto e a médio-prazo apenas essas medidas de performance relativas à corrida foram repetíveis, indicando que esta será um índice mais fidedigno que a reposição. Sem diminuir a importância e necessidade da coordenação com acções de conservação in situ, é possível concluir que o tipo de programa de headstarting aplicado pode ser considerado uma ferramenta de sucesso quando o intuito é aumentar populações em decréscimo numa determinada área e cuja conservação é essencial. |
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| Autores principais: | Carvalho, Ana Margarida Subtil de, 1985- |
| Assunto: | Répteis Tartarugas de água doce Conservação ex-situ Teses de mestrado - 2015 |
| Ano: | 2015 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | O Cágado-de-carapaça-estriada (Emys orbicularis) está classificado em Portugal com estatuto de “Em perigo”. No âmbito do projecto LIFE+Trachemys “Estratégias e técnicas demonstrativas para a erradicação de cágados invasores” (LIFE09 NAT/ES/000529), iniciou-se pela primeira vez em Portugal um programa de headstarting para esta espécie, sendo o Centro de Recuperação e Investigação de Animais Selvagens (RIAS) um dos responsáveis por esta acção. Neste sentido, torna-se fundamental perceber qual a influência que os métodos adoptados para a incubação e criação em cativeiro poderão ter na condição dos indivíduos, o que terá importância para a sua sobrevivência na natureza após libertação. O objectivo deste estudo foi comparar as condições morfológicas e de performance dos animais nascidos em cativeiro com a de animais nascidos no estado selvagem, bem como avaliar se as condições dos primeiros se mantêm após seis meses de cativeiro. As fêmeas grávidas foram capturadas e mantidas em instalações próprias até à postura dos ovos, que foram incubados em condições seminaturais (numa zona exposta às condições climáticas exteriores, numa área com cerca de 50% de exposição solar, 40% de sombra, 10% de água, e alguma vegetação rasteira) em que apenas a humidade do solo foi regulada. Estudaram-se três grupos diferentes de indivíduos. Os neonatos nascidos em cativeiro durante o Inverno de 2013 (N=18), os neonatos que emergiram na primavera na natureza (N=12), e ainda os indivíduos do primeiro grupo, mas mais tarde, com cerca de 6 meses de idade. Além das análises morfológicas realizaram-se dois testes de performance locomotora: (1) Reposicionamento (tempo que o indivíduo demora a voltar à posição normal, quando colocado de carapaça para baixo) e (2) Corrida (avaliando o tempo de reacção para fuga e as velocidades atingidas), ao nono e décimo dias de jejum, com dois ensaios a cada dia. Não se encontraram quaisquer perturbações no desenvolvimento e crescimento dos neonatos e juvenis, sustentado pelas taxas de crescimento e dimensões corporais adequadas para a espécie. O tipo de locomoção mais frequente foi a intermitente, provavelmente para recuperação de resistência física e detecção de estímulos externos. Observou-se a existência de aprendizagem ao longo dos ensaios, para ambos os grupos de neonatos, no entanto sem indícios de habituação/domesticação. No geral, não se encontram diferenças de qualidade entre os grupos de neonatos. As medidas relativas de velocidade e de orientação mantiveram-se ao fim de seis meses independentemente dos factores morfológicos, sugerindo a existência de uma componente genética forte para a performance individual. A curto e a médio-prazo apenas essas medidas de performance relativas à corrida foram repetíveis, indicando que esta será um índice mais fidedigno que a reposição. Sem diminuir a importância e necessidade da coordenação com acções de conservação in situ, é possível concluir que o tipo de programa de headstarting aplicado pode ser considerado uma ferramenta de sucesso quando o intuito é aumentar populações em decréscimo numa determinada área e cuja conservação é essencial. |
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