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Bacteriological etiology of Alzheimer’s disease: possibility of a vaccine?

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Resumo:A doença de Alzheimer é a forma mais comum de demência sendo caracterizada por disfunção cognitiva progressiva e acumulação cerebral de placas β-amiloide e neurofibrilhas tau. Mais de um século após o primeiro caso, as razões subjacentes à neurodegeneração permanecem por esclarecer dificultando a pesquisa de novos alvos terapêuticos e a aprovação de terapias dirigidas. As mutações autossómicas dominantes nos genes APP, PSEN1 e PSEN2 esclarecem alguns diagnósticos. No entanto, casos familiares de Alzheimer são raros sendo a doença de Alzheimer esporádica responsável pela maioria dos casos da patologia. Diferentes teorias tentam explicar a etiologia esporádica da doença de Alzheimer. Recentemente, algumas equipas de investigadores propuseram uma etiologia bacteriológica da doença. A cavidade oral hospeda uma variedade de microrganismos comensais. Durante a infância, o microbioma oral rapidamente se torna mais complexo. Depois disso, permanece relativamente estável durante a idade adulta. No entanto, alterações transitórias ou crónicas alteram o microbioma oral e favorecem a disbiose. A periodontite e outras patologias orais levam ao desenvolvimento de bactérias Gram-negativas. A Porphyromonas gingivalis, em particular, ganhou especial destaque pela sua possível ligação entre a periodontite e a doença de Alzheimer. Sinais indicativos da presença de Porphyromonas gingivalis foram identificados na análise postmortem do cérebro de doentes com doença de Alzheimer. Estudos in vitro e in vitro confirmam o eixo boca-cérebro e resultados recentes sugerem um possível mecanismo de invasão e patogénese. Após invasão da corrente sanguínea, os fatores de virulência da bactéria atingem o sistema nervoso onde interagem com diferentes tipos celulares. Através de um mecanismo mediado pela interleucina 1β, a Porphyromonas gingivalis mostrou ser capaz de induzir o desenvolvimento dos achados histopatológicos da doença de Alzheimer. Após décadas de retrocessos na pesquisa de novos alvos, terapias e abordagens preventivas, a etiologia bacteriológica traz esperança para o desenvolvimento de novas metodologias. Embora a imunização com antigénios de Porphyromonas gingivalis possa vir a ser uma estratégia contra a demência, estudos mais aprofundados são ainda necessários.
Autores principais:Gomes, Alexandra Filipa Neves
Assunto:Alzheimer’s disease Oral microbiome Periodontal diseases Porphyromonas gingivalis Vaccine Mestrado integrado - 2021
Ano:2021
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:inglês
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:A doença de Alzheimer é a forma mais comum de demência sendo caracterizada por disfunção cognitiva progressiva e acumulação cerebral de placas β-amiloide e neurofibrilhas tau. Mais de um século após o primeiro caso, as razões subjacentes à neurodegeneração permanecem por esclarecer dificultando a pesquisa de novos alvos terapêuticos e a aprovação de terapias dirigidas. As mutações autossómicas dominantes nos genes APP, PSEN1 e PSEN2 esclarecem alguns diagnósticos. No entanto, casos familiares de Alzheimer são raros sendo a doença de Alzheimer esporádica responsável pela maioria dos casos da patologia. Diferentes teorias tentam explicar a etiologia esporádica da doença de Alzheimer. Recentemente, algumas equipas de investigadores propuseram uma etiologia bacteriológica da doença. A cavidade oral hospeda uma variedade de microrganismos comensais. Durante a infância, o microbioma oral rapidamente se torna mais complexo. Depois disso, permanece relativamente estável durante a idade adulta. No entanto, alterações transitórias ou crónicas alteram o microbioma oral e favorecem a disbiose. A periodontite e outras patologias orais levam ao desenvolvimento de bactérias Gram-negativas. A Porphyromonas gingivalis, em particular, ganhou especial destaque pela sua possível ligação entre a periodontite e a doença de Alzheimer. Sinais indicativos da presença de Porphyromonas gingivalis foram identificados na análise postmortem do cérebro de doentes com doença de Alzheimer. Estudos in vitro e in vitro confirmam o eixo boca-cérebro e resultados recentes sugerem um possível mecanismo de invasão e patogénese. Após invasão da corrente sanguínea, os fatores de virulência da bactéria atingem o sistema nervoso onde interagem com diferentes tipos celulares. Através de um mecanismo mediado pela interleucina 1β, a Porphyromonas gingivalis mostrou ser capaz de induzir o desenvolvimento dos achados histopatológicos da doença de Alzheimer. Após décadas de retrocessos na pesquisa de novos alvos, terapias e abordagens preventivas, a etiologia bacteriológica traz esperança para o desenvolvimento de novas metodologias. Embora a imunização com antigénios de Porphyromonas gingivalis possa vir a ser uma estratégia contra a demência, estudos mais aprofundados são ainda necessários.