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A teratogenicidade associada aos fármacos antiepiléticos: que progressos?

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Resumo:A epilepsia é uma doença que pode afetar mulheres em idade fértil, e em caso de gravidez, na sua maioria será necessário manter a terapêutica farmacológica para controlar a situação clínica. Porém, existem vários estudos que nos demonstram que os fármacos antiepiléticos (AEDs) podem causar malformações físicas ao feto e/ou défices neurocognitivos a longo prazo. A teratogenicidade provocada pela toma de AEDs constitui um problema sério, sendo urgente perceber quais os fármacos que apresentam maior e menor risco de causar malformações, para que a terapêutica possa ser ajustada. Para além disso, durante o período pré-concecional e durante a gestação a mulher deve ser aconselhada a tomar cerca de 4-5 mg/dia de ácido fólico, pois está comprovado que este reduz os efeitos adversos provocados por AEDs. Por outro lado, é importante conhecer o mecanismo de teratogenicidade dos AEDs, pois permite o desenvolvimento de estratégias para impedir a ocorrência de danos. A maioria dos estudos realizados têm tido como foco os efeitos teratogénicos do ácido valpróico, suportando a ideia de que este pode associar-se a stress oxidativo, atuar como inibidor da histona deacetilase e alterar a expressão de transportadores na placenta. A placenta é um órgão materno-fetal essencial para as trocas entre a mãe e o feto. O transporte de moléculas através desta ocorre por difusão simples ou facilitada, transporte ativo e endocitose. A maioria dos AEDs consegue atravessar a barreira placentária, o que implica que quantidades significativas de AEDs entrem em contacto com o feto. De maneira a contornar o problema, estão a ser estudados processos alternativos de administração dos fármacos AEDs para evitar a sua passagem placentária, que serão revistos ao longo deste trabalho. Na mulher com epilepsia, a terapêutica não farmacológica como a cirurgia, neuroestimulação e o consumo de alimentos/suplementos contendo compostos biologicamente ativos, também demonstraram ser uma importante possibilidade. Estas opções terapêuticas podem levar à liberdade total de crises convulsivas e à retirada dos AEDs ou diminuição da sua respectiva dose.
Autores principais:Soares, Ana Margarida Pelica
Assunto:Epilepsia Gravidez Teratogenicidade Antiepiléticos Malformações Mestrado integrado - 2021
Ano:2021
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso restrito
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:A epilepsia é uma doença que pode afetar mulheres em idade fértil, e em caso de gravidez, na sua maioria será necessário manter a terapêutica farmacológica para controlar a situação clínica. Porém, existem vários estudos que nos demonstram que os fármacos antiepiléticos (AEDs) podem causar malformações físicas ao feto e/ou défices neurocognitivos a longo prazo. A teratogenicidade provocada pela toma de AEDs constitui um problema sério, sendo urgente perceber quais os fármacos que apresentam maior e menor risco de causar malformações, para que a terapêutica possa ser ajustada. Para além disso, durante o período pré-concecional e durante a gestação a mulher deve ser aconselhada a tomar cerca de 4-5 mg/dia de ácido fólico, pois está comprovado que este reduz os efeitos adversos provocados por AEDs. Por outro lado, é importante conhecer o mecanismo de teratogenicidade dos AEDs, pois permite o desenvolvimento de estratégias para impedir a ocorrência de danos. A maioria dos estudos realizados têm tido como foco os efeitos teratogénicos do ácido valpróico, suportando a ideia de que este pode associar-se a stress oxidativo, atuar como inibidor da histona deacetilase e alterar a expressão de transportadores na placenta. A placenta é um órgão materno-fetal essencial para as trocas entre a mãe e o feto. O transporte de moléculas através desta ocorre por difusão simples ou facilitada, transporte ativo e endocitose. A maioria dos AEDs consegue atravessar a barreira placentária, o que implica que quantidades significativas de AEDs entrem em contacto com o feto. De maneira a contornar o problema, estão a ser estudados processos alternativos de administração dos fármacos AEDs para evitar a sua passagem placentária, que serão revistos ao longo deste trabalho. Na mulher com epilepsia, a terapêutica não farmacológica como a cirurgia, neuroestimulação e o consumo de alimentos/suplementos contendo compostos biologicamente ativos, também demonstraram ser uma importante possibilidade. Estas opções terapêuticas podem levar à liberdade total de crises convulsivas e à retirada dos AEDs ou diminuição da sua respectiva dose.