Publicação
A teoria em questão: Stanley Fish e Frederic Jameson
| Resumo: | Esta tese tem como objectivo inicial mostrar como Fredric Jameson e Stanley Fish, apesar de partirem de diferentes (e sob certos, talvez mesmo antagónicas) tradições teórico-filosóficas, acabam ainda assim por partilhar alguns princípios gerais em teoria literária. Partindo de uma convicção relativa à impossibilidade de uma teoria da literatura que pretenda dispor de critérios de objectividade, de justificação e de metodologias de trabalho universalmente aceites como válidas, Jameson e Fish (a partir de um determinado momento das suas obras) acabam por centrar a sua atenção em questões, não já de índole teórica, mas meta-teórica. Este movimento é, a meu ver, particularmente significativo. Com efeito, o pensamento dialéctico de Jameson (o «pensar sobre o pensar») e a sua defesa de uma certa teoria da pós-modernidade acabam por determinar o modo como são determinadas as condições de (im)possibilidade da crítica literária. Esta passará a ficar limitada a uma identificação de sintomas de «contradições sociais». Por outro lado, e de modo análogo, a teoria da crença de Stanley Fish, bem como o seu antifundacionalismo essencial, situando-se igualmente a um nível meta-teórico, acabam em última análise por se tornar meios de avaliação crítica das condições de (im)possibilidade da teoria da literatura. Com a minha explícita referência a diferentes leituras de Hegel procurei revelar que os modos pelos quais se opta ler o autor da Fenomenologia tanto pode permitir a defesa de um argumento antifundacionalista (Rorty estabelece a ponte entre Hegel e a crítica à ideia de verdade como representação), como a integração da epistemologia numa filosofia da História (Lukacs e Sartre exibem duas tendências diferentes de perceber a relação de Hegel com Marx). Sucede, porém, quer relativamente à teoria da crença e ao antifundacionalismo de Stanley Fish, por um lado, quer relativamente à ideia de uma contradição social existente como sustento de uma hermenêutica do inconsciente político, defendido por Jameson, por outro, podem ser levantadas as dúvidas sobre critérios e fundamentos que anteriormente já tinham posto em causa a possibilidade da teoria e mais particularmente da teoria literária. Em suma, a minha tese geral, é que a passagem do discurso teórico para o dicurso meta-teórico (que corresponde grosso modo, à substituição de um discurso ontológico por um discurso sobre as condições de possibilidade do conhecimento) – passagem essa, que Jameson e Fish protagonizaram, acaba por não conseguir evitar os problemas que esses mesmos autores haviam atribuído ao discurso teórico e à teoria. |
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| Autores principais: | Santos, Rui Costa |
| Assunto: | Fish, Stanley, 1938- Jameson, Fredric, 1934- - Crítica e interpretação Filosofia literária Teses de mestrado - 2006 |
| Ano: | 2006 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | Esta tese tem como objectivo inicial mostrar como Fredric Jameson e Stanley Fish, apesar de partirem de diferentes (e sob certos, talvez mesmo antagónicas) tradições teórico-filosóficas, acabam ainda assim por partilhar alguns princípios gerais em teoria literária. Partindo de uma convicção relativa à impossibilidade de uma teoria da literatura que pretenda dispor de critérios de objectividade, de justificação e de metodologias de trabalho universalmente aceites como válidas, Jameson e Fish (a partir de um determinado momento das suas obras) acabam por centrar a sua atenção em questões, não já de índole teórica, mas meta-teórica. Este movimento é, a meu ver, particularmente significativo. Com efeito, o pensamento dialéctico de Jameson (o «pensar sobre o pensar») e a sua defesa de uma certa teoria da pós-modernidade acabam por determinar o modo como são determinadas as condições de (im)possibilidade da crítica literária. Esta passará a ficar limitada a uma identificação de sintomas de «contradições sociais». Por outro lado, e de modo análogo, a teoria da crença de Stanley Fish, bem como o seu antifundacionalismo essencial, situando-se igualmente a um nível meta-teórico, acabam em última análise por se tornar meios de avaliação crítica das condições de (im)possibilidade da teoria da literatura. Com a minha explícita referência a diferentes leituras de Hegel procurei revelar que os modos pelos quais se opta ler o autor da Fenomenologia tanto pode permitir a defesa de um argumento antifundacionalista (Rorty estabelece a ponte entre Hegel e a crítica à ideia de verdade como representação), como a integração da epistemologia numa filosofia da História (Lukacs e Sartre exibem duas tendências diferentes de perceber a relação de Hegel com Marx). Sucede, porém, quer relativamente à teoria da crença e ao antifundacionalismo de Stanley Fish, por um lado, quer relativamente à ideia de uma contradição social existente como sustento de uma hermenêutica do inconsciente político, defendido por Jameson, por outro, podem ser levantadas as dúvidas sobre critérios e fundamentos que anteriormente já tinham posto em causa a possibilidade da teoria e mais particularmente da teoria literária. Em suma, a minha tese geral, é que a passagem do discurso teórico para o dicurso meta-teórico (que corresponde grosso modo, à substituição de um discurso ontológico por um discurso sobre as condições de possibilidade do conhecimento) – passagem essa, que Jameson e Fish protagonizaram, acaba por não conseguir evitar os problemas que esses mesmos autores haviam atribuído ao discurso teórico e à teoria. |
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