Publicação
Caracterização estrutural de detalhe de afloramentos críticos do SW da Costa Vicentina (SW do Terreno Sul Português)
| Resumo: | Toda a área que constitui o território português manifesta uma grande variedade de estruturas geológicas, formadas tanto em regime dúctil ou frágil. Uma zona com importância significativa para estudos estruturais é a Zona Sul Portuguesa (ZSP) (Ribeiro et al., 1988), uma vez que testemunhou vários episódios de deformação durante a Orogenia Varisca, com diferentes origens e intensidades. A área de estudo enquadra-se num dos sectores de melhor exposição do SW da Cadeia Varisca Ibérica (CVI) - a Costa Vicentina, no SW da ZSP. Mais precisamente, os afloramentos estudados pertencem ao Sector a S da Praia de Monte Clérigo (Praias da Fateixa, Pipa e Medo da Fonte Santa), Praia de Vale Figueiras e Praia da Cordoama. Nestas zonas aflora maioritariamente a Formação da Brejeira (Namuriano médio - Vestefaliano superior) (Oliveira et al., 1979; Oliveira, 1983; Pereira, 1997) pertencente ao GFBA, com excepção da Praia de Vale Figueiras que é também composta pela Formação Tercenas (Fameniano superior) (Oliveira, 1983, 1990; Oliveira et al., 1985; Pereira et al., 1994; Moreno et al., 1996b), parte integrante do Sector Sudoeste Português. Com o objectivo de caracterizar de forma o mais precisa e detalhada as estruturas de idade varisca e determinar a dimensão da área de estudo anterior às fases de deformação, analisando a intensidade de deformação e fases de deformação que as afectaram, foram efectuados cortes geológico-estruturais de pormenor a partir dos estudos de campo e levantamento fotográfico. Concluiu-se que o material constituinte dos sectores setentrionais da ZSP sofreu uma deformação compressiva que provocou um encurtamento geral de toda a sua área, maioritariamente através de dobramentos com direcção NW-SE vergentes para SW correspondentes a uma fase de deformação D1, dobramentos NW-SE de simetria ortorrômbica e fase D2 e estruturas de direcção NE-SW associadas a uma fase D3. Desta forma, a deformação observada insere-se, nos modelos de evolução tectónica previstos para os sectores setentrionais da bacia foreland do GFBA (Ribeiro et al., 1987). Na área de estudo, existem evidências que apontam para existência de transpressão esquerda, como a variação local do mergulho dos eixos das dobras e ocorrência de uma dobra transectada no sentido anti-horário, na Praia da Fateixa. Na Praia do Medo da Fonte Santa, não foram encontrados indícios de transpressão para além da variação dos mergulhos das dobras, não sendo dados suficientes para confirmar esta teoria. A transpressão pode ser causadora de corredores de cisalhamento sub-paralelos às superfícies axiais dos dobramentos D1 que originam partição de deformação com zonas mais e menos deformadas, característica principal das Praias da Fateixa e Medo da Fonte Santa. No entanto, como não foram observados corredores transpressivos, propriamente ditos, na área de estudo, a individualização de sectores com graus de deformação diferentes pode ser explicada a partir da diferença radical no comportamento reológico entre as sequências mais grauvacóides e mais xistentas (aspecto designado de deformação diferencial, neste trabalho), ou ainda, simplesmente pelo facto de diferentes estágios compressivos originarem dobramentos de geometrias diferentes (em chevron ou de simetria ortorrômbica). Nas restantes praias não existe esta variação de intensidade de deformação com tanta frequência. A partir do valor de encurtamento total da área de estudo, na ordem dos 37%, calculou-se um encurtamento ortogonal à orientação principal das estruturas, ou seja, com uma direcção NE-SW, alcançando-se uma extensão original 77 km, correspondendo a uma redução de comprimento de aproximadamente 21 km da zona actualmente emersa da bacia sedimentar da Formação da Brejeira. O conjunto de dados recolhidos contribui assim para uma informação completa e assertiva para um melhor conhecimento da tectono-estratigrafia do SW da Cadeia Varisca Ibérica (CVI) que até ao momento permanece sobre alvo de muitas incertezas. |
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| Autores principais: | Barreto, Marisa Aleixo |
| Assunto: | Zona Sul Portuguesa Formação da Brejeira Encurtamento Varisco Transecção Deformação Diferencial Teses de mestrado - 2017 |
| Ano: | 2017 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | Toda a área que constitui o território português manifesta uma grande variedade de estruturas geológicas, formadas tanto em regime dúctil ou frágil. Uma zona com importância significativa para estudos estruturais é a Zona Sul Portuguesa (ZSP) (Ribeiro et al., 1988), uma vez que testemunhou vários episódios de deformação durante a Orogenia Varisca, com diferentes origens e intensidades. A área de estudo enquadra-se num dos sectores de melhor exposição do SW da Cadeia Varisca Ibérica (CVI) - a Costa Vicentina, no SW da ZSP. Mais precisamente, os afloramentos estudados pertencem ao Sector a S da Praia de Monte Clérigo (Praias da Fateixa, Pipa e Medo da Fonte Santa), Praia de Vale Figueiras e Praia da Cordoama. Nestas zonas aflora maioritariamente a Formação da Brejeira (Namuriano médio - Vestefaliano superior) (Oliveira et al., 1979; Oliveira, 1983; Pereira, 1997) pertencente ao GFBA, com excepção da Praia de Vale Figueiras que é também composta pela Formação Tercenas (Fameniano superior) (Oliveira, 1983, 1990; Oliveira et al., 1985; Pereira et al., 1994; Moreno et al., 1996b), parte integrante do Sector Sudoeste Português. Com o objectivo de caracterizar de forma o mais precisa e detalhada as estruturas de idade varisca e determinar a dimensão da área de estudo anterior às fases de deformação, analisando a intensidade de deformação e fases de deformação que as afectaram, foram efectuados cortes geológico-estruturais de pormenor a partir dos estudos de campo e levantamento fotográfico. Concluiu-se que o material constituinte dos sectores setentrionais da ZSP sofreu uma deformação compressiva que provocou um encurtamento geral de toda a sua área, maioritariamente através de dobramentos com direcção NW-SE vergentes para SW correspondentes a uma fase de deformação D1, dobramentos NW-SE de simetria ortorrômbica e fase D2 e estruturas de direcção NE-SW associadas a uma fase D3. Desta forma, a deformação observada insere-se, nos modelos de evolução tectónica previstos para os sectores setentrionais da bacia foreland do GFBA (Ribeiro et al., 1987). Na área de estudo, existem evidências que apontam para existência de transpressão esquerda, como a variação local do mergulho dos eixos das dobras e ocorrência de uma dobra transectada no sentido anti-horário, na Praia da Fateixa. Na Praia do Medo da Fonte Santa, não foram encontrados indícios de transpressão para além da variação dos mergulhos das dobras, não sendo dados suficientes para confirmar esta teoria. A transpressão pode ser causadora de corredores de cisalhamento sub-paralelos às superfícies axiais dos dobramentos D1 que originam partição de deformação com zonas mais e menos deformadas, característica principal das Praias da Fateixa e Medo da Fonte Santa. No entanto, como não foram observados corredores transpressivos, propriamente ditos, na área de estudo, a individualização de sectores com graus de deformação diferentes pode ser explicada a partir da diferença radical no comportamento reológico entre as sequências mais grauvacóides e mais xistentas (aspecto designado de deformação diferencial, neste trabalho), ou ainda, simplesmente pelo facto de diferentes estágios compressivos originarem dobramentos de geometrias diferentes (em chevron ou de simetria ortorrômbica). Nas restantes praias não existe esta variação de intensidade de deformação com tanta frequência. A partir do valor de encurtamento total da área de estudo, na ordem dos 37%, calculou-se um encurtamento ortogonal à orientação principal das estruturas, ou seja, com uma direcção NE-SW, alcançando-se uma extensão original 77 km, correspondendo a uma redução de comprimento de aproximadamente 21 km da zona actualmente emersa da bacia sedimentar da Formação da Brejeira. O conjunto de dados recolhidos contribui assim para uma informação completa e assertiva para um melhor conhecimento da tectono-estratigrafia do SW da Cadeia Varisca Ibérica (CVI) que até ao momento permanece sobre alvo de muitas incertezas. |
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