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Tóri di Babel : humor e língua na literatura em crioulo de Macau

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Resumo:Apesar de ir deixando de ser usado como língua de comunicação ao longo dos tempos, o crioulo de Macau preservou a sua função de instrumento humorístico para a criação de obras literárias, dramatúrgicas ou musicais que hoje em dia são consideradas um importante património da comunidade macaense. Esta dissertação faz uma análise linguística destas obras à luz das teorias humorísticas mais correntes (Incongruência, Superioridade, Alívio, Teoria do Humor Semântico Baseado no Script e Teoria Geral do Humor Verbal), mostrando o modo como a narrativa macaense faz uso de técnicas como personagens-tipo com características linguísticas típicas do universo macaense, figuras de estilo, repetições e uso de léxico de línguas de substrato para marcar um contraste com o português, criando assim um universo narrativo e linguístico muito próprio da comunidade. Além disso, uma análise sociolinguística revela diferentes atitudes face a línguas e culturas circundantes e ao próprio crioulo. O português é retratado como uma herança histórico-cultural respeitada, algo que se vê na sua representação hiperformal. O inglês é visto como uma língua de oportunidades económicas para os jovens. O cantonês e os seus falantes, embora com forte presença demográfica em Macau, são retratados com algum desprezo, havendo uma tentativa de afastamento. Por fim, o próprio crioulo e os seus falantes são retratados como pouco sofisticados e antiquados, mas detentores de uma identidade única e a preservar em Macau. De um ponto de vista global, estas ideias permitem-nos pensar na relação entre linguística de contacto e humor, que, no caso de minorias ou comunidades pós-coloniais, costumam ser estudados em separado, embora o caso macaense evidencie uma estreita relação entre as duas áreas.
Autores principais:Oliveira, João Pedro Marques Morgado Ferreira de
Assunto:Língua maquista Humor Discurso (Linguística) Literatura crioula de base portuguesa Teses de mestrado - 2018
Ano:2018
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:Apesar de ir deixando de ser usado como língua de comunicação ao longo dos tempos, o crioulo de Macau preservou a sua função de instrumento humorístico para a criação de obras literárias, dramatúrgicas ou musicais que hoje em dia são consideradas um importante património da comunidade macaense. Esta dissertação faz uma análise linguística destas obras à luz das teorias humorísticas mais correntes (Incongruência, Superioridade, Alívio, Teoria do Humor Semântico Baseado no Script e Teoria Geral do Humor Verbal), mostrando o modo como a narrativa macaense faz uso de técnicas como personagens-tipo com características linguísticas típicas do universo macaense, figuras de estilo, repetições e uso de léxico de línguas de substrato para marcar um contraste com o português, criando assim um universo narrativo e linguístico muito próprio da comunidade. Além disso, uma análise sociolinguística revela diferentes atitudes face a línguas e culturas circundantes e ao próprio crioulo. O português é retratado como uma herança histórico-cultural respeitada, algo que se vê na sua representação hiperformal. O inglês é visto como uma língua de oportunidades económicas para os jovens. O cantonês e os seus falantes, embora com forte presença demográfica em Macau, são retratados com algum desprezo, havendo uma tentativa de afastamento. Por fim, o próprio crioulo e os seus falantes são retratados como pouco sofisticados e antiquados, mas detentores de uma identidade única e a preservar em Macau. De um ponto de vista global, estas ideias permitem-nos pensar na relação entre linguística de contacto e humor, que, no caso de minorias ou comunidades pós-coloniais, costumam ser estudados em separado, embora o caso macaense evidencie uma estreita relação entre as duas áreas.