Publicação
Estratigrafia sísmica da plataforma continental ao largo da cadeia da Arrábida: contributo para o conhecimento da evolução pós-miocénica
| Resumo: | Classificada como um exemplo típico de margem continental passiva, a margem continental oeste ibérica desde os anos 70 e 80 do século XX tem vindo a ser objeto dos mais variados estudos, tendo em vista o conhecimento dos processos que estiveram na sua origem, bem como aqueles que, ao longo dos tempos, a modificaram até ao presente. A interação entre os processos de geodinâmica interna e externa, nas suas mais variadas vertentes e escalas temporais, tem sido uma das áreas de investigação onde se tem investido mais esforço, dadas as implicações para a sociedade. A plataforma continental adjacente à cadeia da Arrábida, compreendida entre o Cabo Espichel e o delta de vazante do rio Sado, culminando o seu bordo na vertente Norte do Canhão de Setúbal, é a área que se explora na presente dissertação, cujo principal objetivo consiste na descrição da estrutura dos andares estruturais superiores da plataforma continental, contribuindo para o conhecimento da evolução deste setor da plataforma continental portuguesa, em especial no período pós-miocénico. Como metodologia de trabalho, foram analisadas 23 linhas de reflexão sísmica de alta resolução, cuja interpretação sismo-estratigráfica serviu de base ao estabelecimento do modelo evolutivo dos níveis superiores da plataforma. Os resultados obtidos apontam para uma coluna sismo-estratigráfica composta por 3 sequências sísmicas distintas (SR, S1 e S2), delimitadas por diferentes refletores, onde se destaca o refletor UMG (?), o qual separa as sequências mais antigas (SR e S1) da mais recente (S2) e, que materializa uma superfície de expressão regional, com natureza erosiva interpretada como representando os processos associados ao Último Máximo Glaciar ocorrido há 18 000 a 20 000 anos. As estruturas de deformação que afetam as sequências mais antigas (SR e S1) foram interpretadas como estruturas antigas, herdadas do soco varisco e reativadas num contexto geodinâmico de inversão tectónica mais recente (Miocénico e pó-Miocénico). Não foi identificada nenhuma estrutura afetando a sequência mais recente (S2). O estudo da distribuição desta sequência, realizado através da elaboração de um mapa de espessuras verticais, mostra uma tendência geral de aumento da espessura em direção ao quadrante W da área, encontrando-se as mais espessuras sempre junto a costa. O modelo de evolução para este setor, estabelecido apenas a partir da interpretação realizada, indica que a sequência sísmica mais antiga (SR), correspondendo ao substrato rochoso, está fortemente afetada por estruturas tectónicas, herdadas de ciclos anteriores e reativadas em regime compressivo que, controlaram a formação de uma grande depressão tectónica no setor mais ocidental da plataforma, alinhada com a direção do Canhão de Sesimbra. Posteriormente, esta depressão foi preenchida por consecutivos depósitos sedimentares (representados pelas unidades sísmicas que compõem a sequência S1), como resultado da tectónica ativa e das várias oscilações eustáticas que afetaram a margem neste período. Os depósitos sedimentares que se encontram expressos pelas unidades sísmicas que compõem a sequência sísmica S2, ilustram a evolução mais recente do nível médio do mar (NMM), referente aos últimos 18 000 a 20 000 anos, altura do Último Máximo Glaciar. A sequência encontra-se depositada sobre uma superfície de aplanação de expressão regional (refletor UMG (?)), que trunca todas as unidades mais antigas, geradas antes daquele período. As 3 unidades sísmicas da sequência S2 foram depositadas nas 3 principais fases de subida do NMM, interrompidas por períodos em que o NMM se manteve estabilizado ou desceu. Com base neste modelo, foi proposta uma reconstituição da localização da linha de costa dos principais períodos de estabilização, de forma a identificar alguns dos processos de fornecimento de partículas (essencialmente erosão e colapso de vertentes e processos de deriva litoral, na zona costeira). |
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| Autores principais: | Costa, André Vinhas da |
| Assunto: | Plataforma continental Arrábida Último Máximo Glaciar Sismo-estratigrafia Estruturas de deformação Cobertura sedimentar Reflexão sísmica Teses de mestrado - 2018 |
| Ano: | 2018 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | Classificada como um exemplo típico de margem continental passiva, a margem continental oeste ibérica desde os anos 70 e 80 do século XX tem vindo a ser objeto dos mais variados estudos, tendo em vista o conhecimento dos processos que estiveram na sua origem, bem como aqueles que, ao longo dos tempos, a modificaram até ao presente. A interação entre os processos de geodinâmica interna e externa, nas suas mais variadas vertentes e escalas temporais, tem sido uma das áreas de investigação onde se tem investido mais esforço, dadas as implicações para a sociedade. A plataforma continental adjacente à cadeia da Arrábida, compreendida entre o Cabo Espichel e o delta de vazante do rio Sado, culminando o seu bordo na vertente Norte do Canhão de Setúbal, é a área que se explora na presente dissertação, cujo principal objetivo consiste na descrição da estrutura dos andares estruturais superiores da plataforma continental, contribuindo para o conhecimento da evolução deste setor da plataforma continental portuguesa, em especial no período pós-miocénico. Como metodologia de trabalho, foram analisadas 23 linhas de reflexão sísmica de alta resolução, cuja interpretação sismo-estratigráfica serviu de base ao estabelecimento do modelo evolutivo dos níveis superiores da plataforma. Os resultados obtidos apontam para uma coluna sismo-estratigráfica composta por 3 sequências sísmicas distintas (SR, S1 e S2), delimitadas por diferentes refletores, onde se destaca o refletor UMG (?), o qual separa as sequências mais antigas (SR e S1) da mais recente (S2) e, que materializa uma superfície de expressão regional, com natureza erosiva interpretada como representando os processos associados ao Último Máximo Glaciar ocorrido há 18 000 a 20 000 anos. As estruturas de deformação que afetam as sequências mais antigas (SR e S1) foram interpretadas como estruturas antigas, herdadas do soco varisco e reativadas num contexto geodinâmico de inversão tectónica mais recente (Miocénico e pó-Miocénico). Não foi identificada nenhuma estrutura afetando a sequência mais recente (S2). O estudo da distribuição desta sequência, realizado através da elaboração de um mapa de espessuras verticais, mostra uma tendência geral de aumento da espessura em direção ao quadrante W da área, encontrando-se as mais espessuras sempre junto a costa. O modelo de evolução para este setor, estabelecido apenas a partir da interpretação realizada, indica que a sequência sísmica mais antiga (SR), correspondendo ao substrato rochoso, está fortemente afetada por estruturas tectónicas, herdadas de ciclos anteriores e reativadas em regime compressivo que, controlaram a formação de uma grande depressão tectónica no setor mais ocidental da plataforma, alinhada com a direção do Canhão de Sesimbra. Posteriormente, esta depressão foi preenchida por consecutivos depósitos sedimentares (representados pelas unidades sísmicas que compõem a sequência S1), como resultado da tectónica ativa e das várias oscilações eustáticas que afetaram a margem neste período. Os depósitos sedimentares que se encontram expressos pelas unidades sísmicas que compõem a sequência sísmica S2, ilustram a evolução mais recente do nível médio do mar (NMM), referente aos últimos 18 000 a 20 000 anos, altura do Último Máximo Glaciar. A sequência encontra-se depositada sobre uma superfície de aplanação de expressão regional (refletor UMG (?)), que trunca todas as unidades mais antigas, geradas antes daquele período. As 3 unidades sísmicas da sequência S2 foram depositadas nas 3 principais fases de subida do NMM, interrompidas por períodos em que o NMM se manteve estabilizado ou desceu. Com base neste modelo, foi proposta uma reconstituição da localização da linha de costa dos principais períodos de estabilização, de forma a identificar alguns dos processos de fornecimento de partículas (essencialmente erosão e colapso de vertentes e processos de deriva litoral, na zona costeira). |
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