Publicação
Territórios estigmatizados e espaços de exclusão nas sombras das facções em Fortaleza-CE
| Resumo: | Este trabalho tem como objetivo compreender de que forma o controlo exercido pelas facções criminosas afeta as comunidades urbanas periféricas em que estão inseridas. Foca-se, em particular, nos impactos sociais da chamada ‘guerra de facções’ no quotidiano, nas relações sociais e na mobilidade dos moradores do bairro de Pirambu, em Fortaleza, Ceará (Brasil). Para contextualizar este fenómeno, são discutidos temas como a dicotomia sertão/litoral e o nexo violência-juventude. A violência urbana em Fortaleza tem raízes numa migração historicamente precária do sertão para o literal, motivada por secas e pobreza, que deu origem a várias favelas. O deslocamento para áreas urbanas degradadas permitiu a emergência de novas dinâmicas, agravando problemas estruturais e intensificando a violência urbana. Atualmente, Fortaleza é uma das capitais mais violentas do Brasil. A análise procura demonstrar como a ligação entre juventude periférica e violência urbana está intrinsecamente relacionada com a pobreza, a ausência do Estado e a perpetuação da precariedade. Parte do estudo explora como o contexto e a estrutura do capitalismo global contribuiu para a formação e organização das facções criminosas. Contudo, a fase final do trabalho foca-se nas consequências práticas das atividades das facções no quotidiano das pessoas comuns. A recente transição das gangues para facções criminosas trouxe novas dinâmicas e desafios para os moradores de comunidades periféricos. Uma breve incursão etnográfica no bairro do Pirambu revela alguns processos de agência e resistência desenvolvidos pelos membros da comunidade para superar as limitações geradas e impostas pelas facções, particularmente no que diz respeito às “fronteiras invisíveis” que restringem a sua mobilidade social. |
|---|---|
| Autores principais: | Langens, Joke |
| Assunto: | Violência Periferia Juventude Fações criminosas |
| Ano: | 2025 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | Este trabalho tem como objetivo compreender de que forma o controlo exercido pelas facções criminosas afeta as comunidades urbanas periféricas em que estão inseridas. Foca-se, em particular, nos impactos sociais da chamada ‘guerra de facções’ no quotidiano, nas relações sociais e na mobilidade dos moradores do bairro de Pirambu, em Fortaleza, Ceará (Brasil). Para contextualizar este fenómeno, são discutidos temas como a dicotomia sertão/litoral e o nexo violência-juventude. A violência urbana em Fortaleza tem raízes numa migração historicamente precária do sertão para o literal, motivada por secas e pobreza, que deu origem a várias favelas. O deslocamento para áreas urbanas degradadas permitiu a emergência de novas dinâmicas, agravando problemas estruturais e intensificando a violência urbana. Atualmente, Fortaleza é uma das capitais mais violentas do Brasil. A análise procura demonstrar como a ligação entre juventude periférica e violência urbana está intrinsecamente relacionada com a pobreza, a ausência do Estado e a perpetuação da precariedade. Parte do estudo explora como o contexto e a estrutura do capitalismo global contribuiu para a formação e organização das facções criminosas. Contudo, a fase final do trabalho foca-se nas consequências práticas das atividades das facções no quotidiano das pessoas comuns. A recente transição das gangues para facções criminosas trouxe novas dinâmicas e desafios para os moradores de comunidades periféricos. Uma breve incursão etnográfica no bairro do Pirambu revela alguns processos de agência e resistência desenvolvidos pelos membros da comunidade para superar as limitações geradas e impostas pelas facções, particularmente no que diz respeito às “fronteiras invisíveis” que restringem a sua mobilidade social. |
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