Publicação
Tumores da cavidade oral e orofaringe : abordagens terapêuticas atuais e futuras
| Resumo: | Os tumores da cavidade oral e orofaringe integram o conjunto de neoplasias comummente apelidado de tumores de cabeça e pescoço, apresentando atualmente morbimortalidade importante e estando intimamente relacionados com fatores ambientais como o consumo abusivo de álcool, tabaco e exposição ao HPV. O tipo histológico mais prevalente e sobre o qual têm incidido os progressos terapêuticos é o carcinoma pavimento-celular. As opções terapêuticas atualmente disponíveis produzem um conjunto de efeitos adversos considerável - disfagia, disfonia, xerostomia e trismo – que complexificam a abordagem destes doentes e motivam a procura de soluções menos invasivas, mais dirigidas e mais eficazes. Na esfera das estratégias cirúrgicas minimamente invasivas, a cirurgia robótica trans-oral (TORS) apresenta uma redução significativa da mobilidade peri-operatória sem prejuízo dos outcomes oncológicos obtidos convencionalmente. No que à terapêutica biológica/molecular diz respeito, o targetting de recetores de superfície celular como o EGFR, o VEGFR e proteínas com atividade tirosina-cinase apresenta potencial terapêutico comprovado e impacto positivo na sobrevida dos doentes. A fração dos indivíduos com tumores HPV-positivos suscitaram igualmente o interesse pela aplicação de vacinas profiláticas e terapêuticas no contexto deste subtipo tumoral, bem como em programas de de-escalation menos agressivos. Novos alvos terapêuticos estão atualmente em estudo, encompassando a descoberta de adicionais mecanismos fisiopatológicos responsáveis pelas neoplasias em questão. A temática carece de estudos de coorte com amostra considerável e metaanálises; esforços deverão ser igualmente encetados no sentido de analisar a real eficácia terapêutica das novas abordagens moleculares aos doentes da cavidade oral e orofaringe. A sua prevenção primária e a adoção de medidas na área de Saúde Pública que promovam a evicção dos fatores ambientais etiológicos, bem como o diagnóstico precoce das lesões, deverão acompanhar a evolução do conhecimento científico e abordagem ao doente. |
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| Autores principais: | Teixeira, Francisco Martinho |
| Assunto: | Tumores da cavidade oral e orofaringe Carcinoma pavimento-celular Cirurgia robótica trans-oral Inibidores da tirosina-cinase Tumores HPV-positivos Otorrinolaringologia |
| Ano: | 2017 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | Os tumores da cavidade oral e orofaringe integram o conjunto de neoplasias comummente apelidado de tumores de cabeça e pescoço, apresentando atualmente morbimortalidade importante e estando intimamente relacionados com fatores ambientais como o consumo abusivo de álcool, tabaco e exposição ao HPV. O tipo histológico mais prevalente e sobre o qual têm incidido os progressos terapêuticos é o carcinoma pavimento-celular. As opções terapêuticas atualmente disponíveis produzem um conjunto de efeitos adversos considerável - disfagia, disfonia, xerostomia e trismo – que complexificam a abordagem destes doentes e motivam a procura de soluções menos invasivas, mais dirigidas e mais eficazes. Na esfera das estratégias cirúrgicas minimamente invasivas, a cirurgia robótica trans-oral (TORS) apresenta uma redução significativa da mobilidade peri-operatória sem prejuízo dos outcomes oncológicos obtidos convencionalmente. No que à terapêutica biológica/molecular diz respeito, o targetting de recetores de superfície celular como o EGFR, o VEGFR e proteínas com atividade tirosina-cinase apresenta potencial terapêutico comprovado e impacto positivo na sobrevida dos doentes. A fração dos indivíduos com tumores HPV-positivos suscitaram igualmente o interesse pela aplicação de vacinas profiláticas e terapêuticas no contexto deste subtipo tumoral, bem como em programas de de-escalation menos agressivos. Novos alvos terapêuticos estão atualmente em estudo, encompassando a descoberta de adicionais mecanismos fisiopatológicos responsáveis pelas neoplasias em questão. A temática carece de estudos de coorte com amostra considerável e metaanálises; esforços deverão ser igualmente encetados no sentido de analisar a real eficácia terapêutica das novas abordagens moleculares aos doentes da cavidade oral e orofaringe. A sua prevenção primária e a adoção de medidas na área de Saúde Pública que promovam a evicção dos fatores ambientais etiológicos, bem como o diagnóstico precoce das lesões, deverão acompanhar a evolução do conhecimento científico e abordagem ao doente. |
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