Publicação
As dimensões de masculinidade e feminidade na avaliação da personalidade e da psicopatologia : um estudo a partir do MMPI-2
| Resumo: | O presente estudo pretendeu explorar a relevância das dimensões de masculinidade e feminidade na avaliação psicológica, em particular quando integradas em instrumentos de avaliação da personalidade e da psicopatologia. Nesse sentido, foi analisada a relação destas dimensões com medidas clínicas e da personalidade, em amostras constituídas por indivíduos com uma orientação sexual e/ou uma vivência de género não-heteronormativa. Desta forma, foi considerada a relação entre as medidas do MMPI-2, em particular as escalas: Masculinidade-Feminidade (Mf), Papel de Género Masculino (GM) e Papel de Género Feminino (GF), e as dimensões de adaptação e de distress psicológico associadas à atitude de resposta, à sintomatologia clínica e a traços de personalidade. Numa primeira análise, foram comparadas duas amostras não-heteronormativas, uma Amostra Cisgénero (N = 32) (i.e., de participantes com género congruente com o seu sexo biológico e orientações não-heterossexuais) e outra Amostra Transgénero (N = 34) (i.e., de participantes com género não-congruente com o sexo biológico e orientações sexuais diversas). Globalmente, os resultados demonstram que os indivíduos transgénero apresentam um padrão de resultados marcado por elevações nas escalas Mf e GF, a par de níveis elevados de distress e de dificuldades de adaptação psicológica. A análise da Amostra Cisgénero, em função da orientação sexual e da assunção da sexualidade dos participantes, não revela diferenças nas escalas Mf, GM e GF, sugerindo que a orientação sexual não influencia a escolha de interesses e características/papéis tradicionais de género. Contudo, os participantes com uma orientação sexual diversa reportam níveis de sofrimento psicológico tendencialmente superiores aos de orientação sexual específica. O mesmo padrão é observado no grupo que não assume globalmente a diferença à heteronormatividade, comparativamente ao grupo que assume. Globalmente a variação dos resultados nestas escalas pode ser explicada pela identidade de género. Além disso, a adoção de um papel mais masculino parece relacionada com maiores níveis de adaptação psicológica, no entanto o sexo masculino enfrenta maiores dificuldades perante a não-heteronormatividade. Estes resultados são discutidos tendo por referência a literatura relativa à temática em estudo. |
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| Autores principais: | Carlos, Mariana Sofia Frazão |
| Assunto: | Masculinidade Feminilidade Identidade de género Personalidade Escala MMPI-2 Dissertações de mestrado - 2021 |
| Ano: | 2021 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | O presente estudo pretendeu explorar a relevância das dimensões de masculinidade e feminidade na avaliação psicológica, em particular quando integradas em instrumentos de avaliação da personalidade e da psicopatologia. Nesse sentido, foi analisada a relação destas dimensões com medidas clínicas e da personalidade, em amostras constituídas por indivíduos com uma orientação sexual e/ou uma vivência de género não-heteronormativa. Desta forma, foi considerada a relação entre as medidas do MMPI-2, em particular as escalas: Masculinidade-Feminidade (Mf), Papel de Género Masculino (GM) e Papel de Género Feminino (GF), e as dimensões de adaptação e de distress psicológico associadas à atitude de resposta, à sintomatologia clínica e a traços de personalidade. Numa primeira análise, foram comparadas duas amostras não-heteronormativas, uma Amostra Cisgénero (N = 32) (i.e., de participantes com género congruente com o seu sexo biológico e orientações não-heterossexuais) e outra Amostra Transgénero (N = 34) (i.e., de participantes com género não-congruente com o sexo biológico e orientações sexuais diversas). Globalmente, os resultados demonstram que os indivíduos transgénero apresentam um padrão de resultados marcado por elevações nas escalas Mf e GF, a par de níveis elevados de distress e de dificuldades de adaptação psicológica. A análise da Amostra Cisgénero, em função da orientação sexual e da assunção da sexualidade dos participantes, não revela diferenças nas escalas Mf, GM e GF, sugerindo que a orientação sexual não influencia a escolha de interesses e características/papéis tradicionais de género. Contudo, os participantes com uma orientação sexual diversa reportam níveis de sofrimento psicológico tendencialmente superiores aos de orientação sexual específica. O mesmo padrão é observado no grupo que não assume globalmente a diferença à heteronormatividade, comparativamente ao grupo que assume. Globalmente a variação dos resultados nestas escalas pode ser explicada pela identidade de género. Além disso, a adoção de um papel mais masculino parece relacionada com maiores níveis de adaptação psicológica, no entanto o sexo masculino enfrenta maiores dificuldades perante a não-heteronormatividade. Estes resultados são discutidos tendo por referência a literatura relativa à temática em estudo. |
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