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Classificação molecular de tumores mamários felinos e sua relevância clínica

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Resumo:Os tumores mamários (TM) apresentam uma complexa heterogeneidade morfológica e biológica, o que determina diferentes comportamentos clínicos e distintas respostas terapêuticas. Em 2011, uma nova classificação molecular destes tumores foi aprovada em Oncologia Humana com o intuído de realizar um diagnóstico mais preciso, uma seleção terapêutica mais direcionada e um prognóstico mais assertivo. Esta classificação baseia-se na avaliação da expressão de recetores de estrogénio alfa (RE-α), recetores de progesterona (RP), recetores para o fator de crescimento epidérmico humano tipo II (HER-2) e da proteína Ki-67, de modo a identificar e agrupar os TM em quatro subtipos moleculares que apresentam características específicas: Luminal A (LA), Luminal B (LB), HER-2 positivo e Triplo-negativo (TN). Em Oncologia Felina, a sua aplicação começa a dar os primeiros passos, não existindo, supostamente, nenhum artigo publicado acerca do seu valor prognóstico. Assim, os objetivos desta investigação foram a análise da prevalência, da homogeneidade, das características clinicopatológicas, do tempo de sobrevida (TS) e do tempo livre de doença (TLD) dos quatro subtipos moleculares, bem como o estudo de outros fatores de prognóstico em tumores mamários felinos (TMF). O fenótipo molecular de 80 massas presentes em 21 felinos diagnosticados com carcinoma mamário, seguidos clinicamente entre 18 de março de 2009 e 31 de janeiro de 2015, foi determinado mediante a execução de protocolos imunohistoquímicos para avaliação da expressão de RE-α, RP, HER-2 e apreciação do índice de Ki-67. As associações estatísticas foram avaliadas através do teste exato de Fisher, do método de Kaplan-Meyer e do teste de Log-rank, considerando o valor de prova de 0,05. O subtipo mais prevalente foi o LB (n=16; 76,2%), seguido do HER-2 positivo (n=3; 14,3%), do LA (n=1; 4,75%) e do TN (n=1; 4,75%). A classificação molecular de todas as massas tumorais presentes em cada felino foi concordante em 47,6% dos casos (10/21) e, apesar de não se verificar nenhuma associação significativa entre as características clinicopatológicas e os diferentes subtipos moleculares, o fenótipo LA apresentou um perfil menos agressivo. A análise de sobrevivência revelou uma associação significativa entre a classificação molecular e o TS, com o subtipo HER-2 positivo a apresentar pior prognóstico (p=0,035). Essa associação foi ainda mais forte quando se consideraram apenas os subtipos mais prevalentes, LB e HER-2 positivo (p=0,014). O subtipo LA mostrou um TLD longo (27 meses), enquanto o subtipo TN mostrou um TLD curto (5 meses). O subtipo LB manifestou um TLD médio de 13,3 meses, significativamente superior ao do subtipo HER-2 positivo, que foi de 6 meses (p=0,043). A sobreexpressão de HER-2 demonstrou estar associada à presença de metastização no momento do diagnóstico (p=0,006), a menores TS (p=0,009) e a curtos TLD (p=0,003). Este estudo abriu novas perspetivas em Oncologia Mamária Felina, sobretudo por ter correlacionado, aparentemente, pela primeira vez, a classificação molecular dos TMF com o seu prognóstico, bem como a sua sobreexpressão de HER-2 com menores TLD. Assim, esta nova classificação para além de contribuir para o delineamento de terapêuticas mais eficazes, poderá ajudar a prever a evolução clínica de cada animal, de um modo semelhante ao descrito em Oncologia Mamária Humana.
Autores principais:Silva, Tiago Luís Rodrigues da Costa
Assunto:Classificação molecular Tumores mamários felinos Luminal A Luminal B HER-2 positivo Triplo-negativo Molecular classification Feline mammary tumors Luminal A Luminal B HER-2 positive Triple-negative
Ano:2015
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:Os tumores mamários (TM) apresentam uma complexa heterogeneidade morfológica e biológica, o que determina diferentes comportamentos clínicos e distintas respostas terapêuticas. Em 2011, uma nova classificação molecular destes tumores foi aprovada em Oncologia Humana com o intuído de realizar um diagnóstico mais preciso, uma seleção terapêutica mais direcionada e um prognóstico mais assertivo. Esta classificação baseia-se na avaliação da expressão de recetores de estrogénio alfa (RE-α), recetores de progesterona (RP), recetores para o fator de crescimento epidérmico humano tipo II (HER-2) e da proteína Ki-67, de modo a identificar e agrupar os TM em quatro subtipos moleculares que apresentam características específicas: Luminal A (LA), Luminal B (LB), HER-2 positivo e Triplo-negativo (TN). Em Oncologia Felina, a sua aplicação começa a dar os primeiros passos, não existindo, supostamente, nenhum artigo publicado acerca do seu valor prognóstico. Assim, os objetivos desta investigação foram a análise da prevalência, da homogeneidade, das características clinicopatológicas, do tempo de sobrevida (TS) e do tempo livre de doença (TLD) dos quatro subtipos moleculares, bem como o estudo de outros fatores de prognóstico em tumores mamários felinos (TMF). O fenótipo molecular de 80 massas presentes em 21 felinos diagnosticados com carcinoma mamário, seguidos clinicamente entre 18 de março de 2009 e 31 de janeiro de 2015, foi determinado mediante a execução de protocolos imunohistoquímicos para avaliação da expressão de RE-α, RP, HER-2 e apreciação do índice de Ki-67. As associações estatísticas foram avaliadas através do teste exato de Fisher, do método de Kaplan-Meyer e do teste de Log-rank, considerando o valor de prova de 0,05. O subtipo mais prevalente foi o LB (n=16; 76,2%), seguido do HER-2 positivo (n=3; 14,3%), do LA (n=1; 4,75%) e do TN (n=1; 4,75%). A classificação molecular de todas as massas tumorais presentes em cada felino foi concordante em 47,6% dos casos (10/21) e, apesar de não se verificar nenhuma associação significativa entre as características clinicopatológicas e os diferentes subtipos moleculares, o fenótipo LA apresentou um perfil menos agressivo. A análise de sobrevivência revelou uma associação significativa entre a classificação molecular e o TS, com o subtipo HER-2 positivo a apresentar pior prognóstico (p=0,035). Essa associação foi ainda mais forte quando se consideraram apenas os subtipos mais prevalentes, LB e HER-2 positivo (p=0,014). O subtipo LA mostrou um TLD longo (27 meses), enquanto o subtipo TN mostrou um TLD curto (5 meses). O subtipo LB manifestou um TLD médio de 13,3 meses, significativamente superior ao do subtipo HER-2 positivo, que foi de 6 meses (p=0,043). A sobreexpressão de HER-2 demonstrou estar associada à presença de metastização no momento do diagnóstico (p=0,006), a menores TS (p=0,009) e a curtos TLD (p=0,003). Este estudo abriu novas perspetivas em Oncologia Mamária Felina, sobretudo por ter correlacionado, aparentemente, pela primeira vez, a classificação molecular dos TMF com o seu prognóstico, bem como a sua sobreexpressão de HER-2 com menores TLD. Assim, esta nova classificação para além de contribuir para o delineamento de terapêuticas mais eficazes, poderá ajudar a prever a evolução clínica de cada animal, de um modo semelhante ao descrito em Oncologia Mamária Humana.