Publicação
O papel da internalização das motivações para a relação nas emoções de culpa e vergonha : influências nas estratégias de conflito e na satisfação relacional
| Resumo: | A culpa e a vergonha são emoções dolorosas que têm implicações distintas ao nível individual e interpessoal. A emoção de vergonha surge como mais disruptiva, enquanto a culpa possui várias vantagens. Este estudo pretendeu analisar estas emoções no contexto das relações românticas, compreender o que está na base das diferenças encontradas na propensão para a culpa e para a vergonha, estudar o efeito das duas emoções numa variável específica do funcionamento relacional – as estratégias de conflito – e os seus efeitos na satisfação relacional. A amostra foi constituída por 246 participantes envolvidos em relações românticas, que preencheram um conjunto de instrumentos de auto-relato que pretendiam avaliar as diferentes variáveis estudadas. Os resultados estavam de acordo com as hipóteses de que na base das diferenças entre culpa e vergonha estariam a internalização das motivações para o envolvimento na relação, isto é, motivações mais autónomas estavam associadas à propensão para a culpa e motivações mais controladas à propensão para a vergonha. Tal como esperado, a propensão para a culpa estava associada a estratégias de conflito mais construtivas e a propensão para a vergonha a estratégias mais destrutivas. Apenas a estratégia de colaboração mostrou uma associação positiva com a satisfação relacional, enquanto a dominação e, inesperadamente, a separação, se relacionavam negativamente à satisfação relacional. A motivação autónoma e, em alguns casos, a propensão para a culpa, estavam positivamente associadas à satisfação relacional. Esta associação foi negativa para a motivação controlada. A propensão para a vergonha mediou a relação entre a motivação controlada e a estratégia de submissão, enquanto a relação entre a motivação autónoma e as estratégias construtivas foi mediada pela propensão para a culpa. A estratégia de colaboração foi a única a mediar a relação estabelecida entre a culpa e a satisfação relacional. Surgiram várias hipóteses parcialmente confirmadas e relações não antecipadas. |
|---|---|
| Autores principais: | Mader, Júlia Lisa |
| Assunto: | Culpa Vergonha Motivação (Psicologia) Satisfação relacional Teses de mestrado - 2011 |
| Ano: | 2011 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | A culpa e a vergonha são emoções dolorosas que têm implicações distintas ao nível individual e interpessoal. A emoção de vergonha surge como mais disruptiva, enquanto a culpa possui várias vantagens. Este estudo pretendeu analisar estas emoções no contexto das relações românticas, compreender o que está na base das diferenças encontradas na propensão para a culpa e para a vergonha, estudar o efeito das duas emoções numa variável específica do funcionamento relacional – as estratégias de conflito – e os seus efeitos na satisfação relacional. A amostra foi constituída por 246 participantes envolvidos em relações românticas, que preencheram um conjunto de instrumentos de auto-relato que pretendiam avaliar as diferentes variáveis estudadas. Os resultados estavam de acordo com as hipóteses de que na base das diferenças entre culpa e vergonha estariam a internalização das motivações para o envolvimento na relação, isto é, motivações mais autónomas estavam associadas à propensão para a culpa e motivações mais controladas à propensão para a vergonha. Tal como esperado, a propensão para a culpa estava associada a estratégias de conflito mais construtivas e a propensão para a vergonha a estratégias mais destrutivas. Apenas a estratégia de colaboração mostrou uma associação positiva com a satisfação relacional, enquanto a dominação e, inesperadamente, a separação, se relacionavam negativamente à satisfação relacional. A motivação autónoma e, em alguns casos, a propensão para a culpa, estavam positivamente associadas à satisfação relacional. Esta associação foi negativa para a motivação controlada. A propensão para a vergonha mediou a relação entre a motivação controlada e a estratégia de submissão, enquanto a relação entre a motivação autónoma e as estratégias construtivas foi mediada pela propensão para a culpa. A estratégia de colaboração foi a única a mediar a relação estabelecida entre a culpa e a satisfação relacional. Surgiram várias hipóteses parcialmente confirmadas e relações não antecipadas. |
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