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Avaliação do risco cardiovascular em homens infetados pelo Vírus da Imunodeficiência Humana com normalização do rácio CD4/CD8

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Resumo:A eficácia da terapêutica antirretroviral (ART) transformou a infeção pelo Vírus da Imunodeficiência Humana (VIH) numa doença crónica, alterando o perfil das principais complicações e causas de morte, sendo que as doenças cardiovasculares passaram a ser uma das principais causas de morbi/mortalidade nesta população. Surge, neste sentido, a necessidade de encontrar novos marcadores que facilitem a monitorização e prevenção do risco cardiovascular neste grupo de doentes. Estudos recentes apontaram a possibilidade de o rácio CD4/CD8 ser um bom marcador para este efeito. Este estudo pretende avaliar a relação entre o valor do rácio CD4/CD8 e o risco cardiovascular, avaliado através das escalas de risco de Framingham (FRAM) e SCORE (Systematic Coronary Risk Evaluation), e simultaneamente, verificar se este rácio se pode relacionar com alguns marcadores ultrassonográficos de alterações endoteliais indicadores de lesão vascular, como o Índice de Pulsatibilidade (IP) e a Espessura Íntima-média Carotídea (EIMC). Foram selecionados por amostra de conveniência 79 homens portadores de VIH-1 com idades inferiores a 65 anos, sem história de doenças cardiovasculares, seguidos na consulta de imunodeficiência do Hospital de Santa Maria. Destes, 49 foram submetidos a estudos ultrassonográficos por Eco-Doppler da circulação carotídea e vertebral extracraniana, bem como da circulação intracraniana, com avaliação do Índice de Pulsatibilidade arterial (IP). Dentre outros dados, foram colhidas as contagens de células TCD4+ e TCD8+ dos últimos 5 anos. Observou-se a existência de uma correlação inversa significativa entre o IP e o rácio CD4/CD8, sendo esta relação mais intensa para valores do rácio abaixo de 0,4 (impacto no IP de -0,72, p < 0,01), atenuando-se à medida que o rácio se aproxima de valores da normalidade (impacto no IP de -0,19, p < 0,05), apontando para uma maior disfunção imunitária e risco cardiovascular nos doentes com rácio mais baixo (< 0,4) apresentando IP mais elevados, e uma diminuição deste risco com a normalização do rácio. Verificou-se ainda que, em média, o rácio CD4/CD8 se mantém constante ao longo do tempo e que existe uma relação significativa entre a contagem de células TCD4+ e o SCORE (p < 0,05).
Autores principais:Whitehurst, Andressa Lira
Assunto:HIV Risco cardiovascular Aterosclerose Espessura íntima-média carotídea Framingham score Rácio CD4/CD8 SCORE
Ano:2020
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:A eficácia da terapêutica antirretroviral (ART) transformou a infeção pelo Vírus da Imunodeficiência Humana (VIH) numa doença crónica, alterando o perfil das principais complicações e causas de morte, sendo que as doenças cardiovasculares passaram a ser uma das principais causas de morbi/mortalidade nesta população. Surge, neste sentido, a necessidade de encontrar novos marcadores que facilitem a monitorização e prevenção do risco cardiovascular neste grupo de doentes. Estudos recentes apontaram a possibilidade de o rácio CD4/CD8 ser um bom marcador para este efeito. Este estudo pretende avaliar a relação entre o valor do rácio CD4/CD8 e o risco cardiovascular, avaliado através das escalas de risco de Framingham (FRAM) e SCORE (Systematic Coronary Risk Evaluation), e simultaneamente, verificar se este rácio se pode relacionar com alguns marcadores ultrassonográficos de alterações endoteliais indicadores de lesão vascular, como o Índice de Pulsatibilidade (IP) e a Espessura Íntima-média Carotídea (EIMC). Foram selecionados por amostra de conveniência 79 homens portadores de VIH-1 com idades inferiores a 65 anos, sem história de doenças cardiovasculares, seguidos na consulta de imunodeficiência do Hospital de Santa Maria. Destes, 49 foram submetidos a estudos ultrassonográficos por Eco-Doppler da circulação carotídea e vertebral extracraniana, bem como da circulação intracraniana, com avaliação do Índice de Pulsatibilidade arterial (IP). Dentre outros dados, foram colhidas as contagens de células TCD4+ e TCD8+ dos últimos 5 anos. Observou-se a existência de uma correlação inversa significativa entre o IP e o rácio CD4/CD8, sendo esta relação mais intensa para valores do rácio abaixo de 0,4 (impacto no IP de -0,72, p < 0,01), atenuando-se à medida que o rácio se aproxima de valores da normalidade (impacto no IP de -0,19, p < 0,05), apontando para uma maior disfunção imunitária e risco cardiovascular nos doentes com rácio mais baixo (< 0,4) apresentando IP mais elevados, e uma diminuição deste risco com a normalização do rácio. Verificou-se ainda que, em média, o rácio CD4/CD8 se mantém constante ao longo do tempo e que existe uma relação significativa entre a contagem de células TCD4+ e o SCORE (p < 0,05).