Publicação
Geotermometria no sector norte da Faixa Piritosa Ibérica
| Resumo: | A abandonada mina da Herdade da Corte Carrasco, parte do Campo Mineiro de Albernoa e concessionada para exploração de minério de manganês durante mais de um século entre os anos de 1866 e 1976, situa-se no sector NE da Faixa Piritosa Ibérica. Sendo a primeira abordagem a esta mineralização, o presente relatório baseou-se em amostras recolhidas na escombreira da antiga mina, com objectivo de caracterizar mineralogicamente e geoquimicamente a mineralização da Herdade da Corte Carrasco. Em bolsadas, sub-horizontais e de direcção E-W, encaixadas em metajaspes e metassedimentos do CVS (XJM), a mineralogia primária é constituída por rodonite e rodocrosite (SRM), com predomínio desta última. Os minerais primários são posteriormente afectados por metamorfismo regional, sendo retrabalhadas e enriquecidas em Mn - substituindo-as fazendo precipitar espessartinas e braunite (MMM). Segue-se a substituição das massas de braunite por, pelo menos, dois (hidr)óxidos de Mn, associados a processos de enriquecimento supergénico, entre eles pirolusite (MNS). Por fim, a albitização intensa afecta todos os domínios anteriores, deixando ocasionalmente relíquias e fazendo-se acompanhar de ocasionais veios de quartzo, tardios, num dos quais se observam grãos de ardennite, o primeiro reporte deste mineral na FPI. Sem geotermómetros indicados para o cálculo expedito das temperaturas associadas à génese dos principais minerais de Mn, recorreu-se a dados de estabilidade da espessartina para definir um limite mínimo de 400º C, provavelmente coincidente com o pico metamórfico local. Apesar da bibliografia sobre esta mineralização ser praticamente inexistente, o estudo mineralógico realizado neste relatório corrobora, em parte, observações que vários autores preconizaram para jazigos de Mn nesta região. Não obstante, considera-se crucial reforçar o conhecimento geológico deste depósito, nomeadamente na identificação precisa dos (hidr)óxidos de Mn e utilização de métodos alternativos para constranger as temperaturas do episódio mineralizante. |
|---|---|
| Autores principais: | Azevedo, João Carlos Pereira de |
| Assunto: | Geotermometria Faixa Piritosa Ibérica Manganês Espessartina Herdade da Corte Carrasco Relatórios de estágio - 2024 |
| Ano: | 2024 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | A abandonada mina da Herdade da Corte Carrasco, parte do Campo Mineiro de Albernoa e concessionada para exploração de minério de manganês durante mais de um século entre os anos de 1866 e 1976, situa-se no sector NE da Faixa Piritosa Ibérica. Sendo a primeira abordagem a esta mineralização, o presente relatório baseou-se em amostras recolhidas na escombreira da antiga mina, com objectivo de caracterizar mineralogicamente e geoquimicamente a mineralização da Herdade da Corte Carrasco. Em bolsadas, sub-horizontais e de direcção E-W, encaixadas em metajaspes e metassedimentos do CVS (XJM), a mineralogia primária é constituída por rodonite e rodocrosite (SRM), com predomínio desta última. Os minerais primários são posteriormente afectados por metamorfismo regional, sendo retrabalhadas e enriquecidas em Mn - substituindo-as fazendo precipitar espessartinas e braunite (MMM). Segue-se a substituição das massas de braunite por, pelo menos, dois (hidr)óxidos de Mn, associados a processos de enriquecimento supergénico, entre eles pirolusite (MNS). Por fim, a albitização intensa afecta todos os domínios anteriores, deixando ocasionalmente relíquias e fazendo-se acompanhar de ocasionais veios de quartzo, tardios, num dos quais se observam grãos de ardennite, o primeiro reporte deste mineral na FPI. Sem geotermómetros indicados para o cálculo expedito das temperaturas associadas à génese dos principais minerais de Mn, recorreu-se a dados de estabilidade da espessartina para definir um limite mínimo de 400º C, provavelmente coincidente com o pico metamórfico local. Apesar da bibliografia sobre esta mineralização ser praticamente inexistente, o estudo mineralógico realizado neste relatório corrobora, em parte, observações que vários autores preconizaram para jazigos de Mn nesta região. Não obstante, considera-se crucial reforçar o conhecimento geológico deste depósito, nomeadamente na identificação precisa dos (hidr)óxidos de Mn e utilização de métodos alternativos para constranger as temperaturas do episódio mineralizante. |
|---|