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Gravidez e pré-eclâmpsia: diagnóstico e prevenção

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Detalhes bibliográficos
Resumo:A pré-eclâmpsia é uma doença hipertensiva da gravidez que afeta cerca de 2 a 8% das gestações mundiais. Apresenta-se como um distúrbio multissistémico da gravidez, caracterizado clinicamente por hipertensão e proteinúria, disfunção uteroplacentária, ou disfunção de outros órgãos, com início após as vinte semanas de gestação. Estudos epidemiológicos têm sugerido que algumas características maternas pré-gravidez podem aumentar o risco de desenvolvimento de pré-eclâmpsia, como é o caso de histórico de doença hipertensiva durante uma gravidez anterior e outras doenças maternas adjacentes, assim como, nuliparidade, idade materna avançada, obesidade, história familiar de pré-eclâmpsia ou gravidez multi-fetal. Apesar da etiologia ainda ser pouco clara, sabe-se que a placenta é fundamental na fisiopatologia da pré-eclâmpsia e que esta progride em dois estadios: placentação anormal, durante o primeiro trimestre, e desenvolvimento da síndrome materna, no segundo e terceiro trimestres de gestação. O excesso de inflamação provocada pela resposta do sistema imunológico ao stress oxidativo, assim como, o dano endotelial causado pelo processo fisiopatológico isquémico, fazem com que a maior parte dos órgãos maternos se encontre afetada. Esse comprometimento pode levar ao desenvolvimento de complicações materno-fetais durante o período perinatal, como a síndrome de HELLP, eclâmpsia e restrição do crescimento intra-uterino mas também, a longo prazo, como doenças cardiovasculares. A avaliação inicial de uma grávida com suspeita de pré-eclâmpsia deve ser feita com base numa apreciação completa do estado de saúde materno e fetal, com recurso aos resultados dos exames laboratoriais e de estudos de imagem que permitam uma intervenção precoce e possível prevenção da doença. Atualmente, o único tratamento definitivo para a pré-eclâmpsia é o parto. Contudo, nos casos de pré-eclâmpsia com desenvolvimento de complicações em fases precoces da gestação, a aplicação de terapia eficaz pode ser uma mais valia para a estabilização da condição materna ou fetal nos casos em que ainda não é recomendada a interrupção da gravidez. Para além disso, estudos recentes têm vindo a mostrar a importância da prevenção de modo a melhorar as taxas de mortalidade materno-fetal provocadas pela pré-eclâmpsia.
Autores principais:Graça, Adriana Cristina Ferreira da
Assunto:Pré-eclâmpsia Hipertensão Prevenção Diagnóstico Teses de mestrado - 2021
Ano:2021
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:A pré-eclâmpsia é uma doença hipertensiva da gravidez que afeta cerca de 2 a 8% das gestações mundiais. Apresenta-se como um distúrbio multissistémico da gravidez, caracterizado clinicamente por hipertensão e proteinúria, disfunção uteroplacentária, ou disfunção de outros órgãos, com início após as vinte semanas de gestação. Estudos epidemiológicos têm sugerido que algumas características maternas pré-gravidez podem aumentar o risco de desenvolvimento de pré-eclâmpsia, como é o caso de histórico de doença hipertensiva durante uma gravidez anterior e outras doenças maternas adjacentes, assim como, nuliparidade, idade materna avançada, obesidade, história familiar de pré-eclâmpsia ou gravidez multi-fetal. Apesar da etiologia ainda ser pouco clara, sabe-se que a placenta é fundamental na fisiopatologia da pré-eclâmpsia e que esta progride em dois estadios: placentação anormal, durante o primeiro trimestre, e desenvolvimento da síndrome materna, no segundo e terceiro trimestres de gestação. O excesso de inflamação provocada pela resposta do sistema imunológico ao stress oxidativo, assim como, o dano endotelial causado pelo processo fisiopatológico isquémico, fazem com que a maior parte dos órgãos maternos se encontre afetada. Esse comprometimento pode levar ao desenvolvimento de complicações materno-fetais durante o período perinatal, como a síndrome de HELLP, eclâmpsia e restrição do crescimento intra-uterino mas também, a longo prazo, como doenças cardiovasculares. A avaliação inicial de uma grávida com suspeita de pré-eclâmpsia deve ser feita com base numa apreciação completa do estado de saúde materno e fetal, com recurso aos resultados dos exames laboratoriais e de estudos de imagem que permitam uma intervenção precoce e possível prevenção da doença. Atualmente, o único tratamento definitivo para a pré-eclâmpsia é o parto. Contudo, nos casos de pré-eclâmpsia com desenvolvimento de complicações em fases precoces da gestação, a aplicação de terapia eficaz pode ser uma mais valia para a estabilização da condição materna ou fetal nos casos em que ainda não é recomendada a interrupção da gravidez. Para além disso, estudos recentes têm vindo a mostrar a importância da prevenção de modo a melhorar as taxas de mortalidade materno-fetal provocadas pela pré-eclâmpsia.