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Benzodiazepinas: riscos associados aos padrões de consumo em Portugal
| Summary: | Desde 2004 é obrigatório para novos medicamentos a realização de uma avaliação do risco ambiental, deixando de fora dessa obrigatoriedade todos os medicamentos já aprovados e comercializados. As benzodiazepinas (BZD) são fármacos depressores do SNC, com mecanismo de ação comum envolvendo o recetor GABAA, logo a sua ação é cumulativa. Adicionalmente, possuem vias metabólicas comuns, partilhando vários metabolitos ativos e inativos. Por conseguinte, o risco ambiental (RA) resultante do uso de BZD deverá ser preconizado para o conjunto de todos os fármacos benzodiazepínicos. Atendendo ao elevado consumo desta classe farmacológica em Portugal, este projeto pretendeu avaliar o RA resultante desta prática de consumo, assim como as repercussões da pandemia de COVID-19 nos padrões de consumo e consequentemente no RA desta classe de fármacos. Os padrões de consumo das BZD comercializadas em Portugal foram obtidos através das bases de dados de medicamentos de uso humano do INFARMED – Infomed e a plataforma Bilhete de Identidade dos Cuidados de Saúde Primários do Serviço Nacional de Saúde português. Os dados de prescrição, disponíveis em Doses Diárias Definidas, foram assumidos como quantidades consumidas. Determinou-se a concentração ambiental estimada de BZD nas águas superficiais (PECSW) assim como a PECSW corrigida pela prevalência em Portugal das patologias constantes nas indicações das BZD e respetivas doses máximas, e ainda pelo consumo efetivo observado nos anos de 2019 a 2021 e por fim o coeficiente de risco. As bases de dados revelam um aumento do consumo de BZD, sendo o número de prescrições sugestivo de um aumento relevante em 2021 (20%) comparativamente a 2018. A PECSW corrigida com os dados de prevalência foi superior à estimada por defeito, contrariamente à PECSW corrigida pelos dados de consumo, inferior às duas anteriores. Esta última (PECSW-CORR-consumo) aumentou cerca de 7% entre 2019 e 2021, para valores de 0,268 μg/L. O RA associado ao uso de BZD, caracterizado como baixo para este período, também aumentou para coeficiente de risco de 0,65. Ainda assim entre 2020 e 2021, o risco quase estagnou, apesar do aumento da PECSW. Este alívio deveu-se a alterações de padrões de consumo, principalmente a redução do diazepam, a BZD a que está associado um maior RA de entre todas as utilizadas em Portugal. Concluindo, ainda que o RA cumulativo associado ao consumo de BZD em Portugal entre 2019 e 2021 tenha sido caraterizado como baixo, este está presente, pelo que deve ser monitorizado com o evoluir dos padrões do consumo no período “pós-pandemia”. |
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| Main Authors: | Carvalho, Francisco de Feteira |
| Subject: | Avaliação de risco ambiental Benzodiazepinas Portugal Ambiente Saúde mental COVID-19 Mestrado integrado -2021 |
| Year: | 2021 |
| Country: | Portugal |
| Document type: | master thesis |
| Access type: | open access |
| Associated institution: | Universidade de Lisboa |
| Language: | Portuguese |
| Origin: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Summary: | Desde 2004 é obrigatório para novos medicamentos a realização de uma avaliação do risco ambiental, deixando de fora dessa obrigatoriedade todos os medicamentos já aprovados e comercializados. As benzodiazepinas (BZD) são fármacos depressores do SNC, com mecanismo de ação comum envolvendo o recetor GABAA, logo a sua ação é cumulativa. Adicionalmente, possuem vias metabólicas comuns, partilhando vários metabolitos ativos e inativos. Por conseguinte, o risco ambiental (RA) resultante do uso de BZD deverá ser preconizado para o conjunto de todos os fármacos benzodiazepínicos. Atendendo ao elevado consumo desta classe farmacológica em Portugal, este projeto pretendeu avaliar o RA resultante desta prática de consumo, assim como as repercussões da pandemia de COVID-19 nos padrões de consumo e consequentemente no RA desta classe de fármacos. Os padrões de consumo das BZD comercializadas em Portugal foram obtidos através das bases de dados de medicamentos de uso humano do INFARMED – Infomed e a plataforma Bilhete de Identidade dos Cuidados de Saúde Primários do Serviço Nacional de Saúde português. Os dados de prescrição, disponíveis em Doses Diárias Definidas, foram assumidos como quantidades consumidas. Determinou-se a concentração ambiental estimada de BZD nas águas superficiais (PECSW) assim como a PECSW corrigida pela prevalência em Portugal das patologias constantes nas indicações das BZD e respetivas doses máximas, e ainda pelo consumo efetivo observado nos anos de 2019 a 2021 e por fim o coeficiente de risco. As bases de dados revelam um aumento do consumo de BZD, sendo o número de prescrições sugestivo de um aumento relevante em 2021 (20%) comparativamente a 2018. A PECSW corrigida com os dados de prevalência foi superior à estimada por defeito, contrariamente à PECSW corrigida pelos dados de consumo, inferior às duas anteriores. Esta última (PECSW-CORR-consumo) aumentou cerca de 7% entre 2019 e 2021, para valores de 0,268 μg/L. O RA associado ao uso de BZD, caracterizado como baixo para este período, também aumentou para coeficiente de risco de 0,65. Ainda assim entre 2020 e 2021, o risco quase estagnou, apesar do aumento da PECSW. Este alívio deveu-se a alterações de padrões de consumo, principalmente a redução do diazepam, a BZD a que está associado um maior RA de entre todas as utilizadas em Portugal. Concluindo, ainda que o RA cumulativo associado ao consumo de BZD em Portugal entre 2019 e 2021 tenha sido caraterizado como baixo, este está presente, pelo que deve ser monitorizado com o evoluir dos padrões do consumo no período “pós-pandemia”. |
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