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Contributo para o estudo epidemiológico da tuberculose bovina em animais domésticos e silváticos na região de Portalegre

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Resumo:A tuberculose bovina é uma doença infecciosa que atinge espécies domésticas, silváticas e o Homem, constituindo um problema para as entidades sanitárias veterinárias, devido ao seu potencial zoonótico, ao impacto económico e ao entrave causado à movimentação de animais e produtos. Portugal encontra-se numa fase de pré-erradicação da doença, tendo os esforços com vista a esse objectivo elevados custos para o Estado e para os produtores. Durante o estágio realizou-se um estudo retrospectivo de casos de tuberculose em bovinos entre 2005 e 2009 e fez-se uma pesquisa de lesões desta doença em espécies de caça grossa, ambos na região de Portalegre. Averiguou-se a hipótese de transmissão da doença por animais silváticos em 35 focos de tuberculose bovina, concluindo-se que pode ter havido contactos entre javalis e bovinos domésticos em todos. Os veados, embora tenham uma distribuição mais limitada, coabitam com os bovinos em cerca de 45% das explorações em análise. Também se acompanhou uma montaria, identificando-se lesões macroscópicas compatíveis com tuberculose em 33,3% dos veados e 11,8% dos javalis abatidos, confirmando-se posteriormente em todos os casos a existência de infecção (através de exames histopatológicos e do isolamento de M. bovis). Tendo em conta que os resultados obtidos confirmam a existência de tuberculose em veados e javalis de vida livre e o seu contacto com bovinos domésticos em certas regiões, a transmissão da doença entre as diferentes espécies é uma possibilidade. É necessário esclarecer o papel das espécies silváticas como hospedeiros reservatório ou acidentais de tuberculose, de modo a melhorar a gestão da fauna silvática e dos recursos cinegéticos. Recomenda-se a vigilância sanitária continuada dessas espécies, integrando as boas práticas sanitárias e o acompanhamento médico-veterinário nos procedimentos de inspecção às peças de caça. Devem, ainda, ser implementadas medidas preventivas como a existência de planos de gestão cinegética que contemplem o controlo do tamanho das populações e um maior confinamento dos bovinos em áreas de risco. A tuberculose bovina é um problema emergente no nosso país, devendo as autoridades competentes, os médicos veterinários, os produtores e os caçadores unir esforços na luta para a erradicação da doença, sem esquecer o risco de as espécies silváticas estarem envolvidas na sua transmissão.
Autores principais:Raposo, André Santos Silva
Assunto:Tuberculose bovina Portalegre Animais domésticos Animais silváticos Bovine tuberculosis Domestic animals Wildlife
Ano:2011
País:Portugal
Tipo de documento:trabalho de fim de curso
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:A tuberculose bovina é uma doença infecciosa que atinge espécies domésticas, silváticas e o Homem, constituindo um problema para as entidades sanitárias veterinárias, devido ao seu potencial zoonótico, ao impacto económico e ao entrave causado à movimentação de animais e produtos. Portugal encontra-se numa fase de pré-erradicação da doença, tendo os esforços com vista a esse objectivo elevados custos para o Estado e para os produtores. Durante o estágio realizou-se um estudo retrospectivo de casos de tuberculose em bovinos entre 2005 e 2009 e fez-se uma pesquisa de lesões desta doença em espécies de caça grossa, ambos na região de Portalegre. Averiguou-se a hipótese de transmissão da doença por animais silváticos em 35 focos de tuberculose bovina, concluindo-se que pode ter havido contactos entre javalis e bovinos domésticos em todos. Os veados, embora tenham uma distribuição mais limitada, coabitam com os bovinos em cerca de 45% das explorações em análise. Também se acompanhou uma montaria, identificando-se lesões macroscópicas compatíveis com tuberculose em 33,3% dos veados e 11,8% dos javalis abatidos, confirmando-se posteriormente em todos os casos a existência de infecção (através de exames histopatológicos e do isolamento de M. bovis). Tendo em conta que os resultados obtidos confirmam a existência de tuberculose em veados e javalis de vida livre e o seu contacto com bovinos domésticos em certas regiões, a transmissão da doença entre as diferentes espécies é uma possibilidade. É necessário esclarecer o papel das espécies silváticas como hospedeiros reservatório ou acidentais de tuberculose, de modo a melhorar a gestão da fauna silvática e dos recursos cinegéticos. Recomenda-se a vigilância sanitária continuada dessas espécies, integrando as boas práticas sanitárias e o acompanhamento médico-veterinário nos procedimentos de inspecção às peças de caça. Devem, ainda, ser implementadas medidas preventivas como a existência de planos de gestão cinegética que contemplem o controlo do tamanho das populações e um maior confinamento dos bovinos em áreas de risco. A tuberculose bovina é um problema emergente no nosso país, devendo as autoridades competentes, os médicos veterinários, os produtores e os caçadores unir esforços na luta para a erradicação da doença, sem esquecer o risco de as espécies silváticas estarem envolvidas na sua transmissão.