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Protocolo terapêutico alternativo com oclacitinib para dermatite atópica canina : uma solução capaz de reduzir custos?

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Detalhes bibliográficos
Resumo:O oclacitinib é um inibidor seletivo da enzima Janus cinase que tem como alvo a interleucina-31, principal mediadora do prurido, sendo considerado um fármaco de espectro de ação moderado, de grande eficácia em termos do alívio sintomático da dermatite atópica (DA) canina, aquando da sua utilização diária. No entanto, apesar de 92,5% dos tutores de cães com DA estarem satisfeitos ou muito satisfeitos com o tratamento com oclacitinib, o seu custo constituí um foco de preocupação para 75% deles, sendo que 42,5% referiram ter de limitar outras despesas para poderem pagar o tratamento do seu cão. No presente estudo pretendeu-se avaliar a possibilidade de adotar um protocolo terapêutico alternativo administrando oclacitinib em dias alternados, o que reduziria para metade os custos da terapêutica. Secundariamente, pretendeu-se ainda avaliar se existe vantagem em associar glucocorticóides por via oral (G), fármacos pouco dispendiosos e de uma maior abrangência de ação, no início deste novo protocolo com oclacitinib. Foi realizado um estudo prospetivo, aleatório, emparelhado, duplamente cego e controlado com placebo, onde foram incluídos 16 cães com diagnóstico de DA, alocados nos grupos P (n=7; placebo) e G (n=9). Os animais foram periodicamente avaliados quanto à gravidade lesional (CADESI-04) e grau de prurido (VAS) no D-30, no D0 e no end-point. O estudo comportou duas fases distintas e sucessivas. Na primeira fase, foi administrado oclacitinib (0,4-0,6 mg/kg, 14 dias BID, depois 16 dias SID) por via oral em ambos os grupos de acordo com o protocolo padrão. No entanto, nos primeiros 7 dias, foi administrada prednisolona (1 mg/kg SID) por via oral ao grupo G e um placebo ao grupo P no mesmo regime. Na segunda fase, todos os animais que responderam satisfatoriamente ao tratamento anterior realizaram o mesmo tratamento, mantendo o oclacitinib, administrado apenas em dias alternados. Os animais mantiveram o protocolo descrito até à recidiva do seu quadro clínico (end-point). Foi possível adotar o protocolo em dias alternados num período de tempo de pelo menos 30 dias em 71,43% dos animais. Não foram encontradas diferenças estatisticamente significativas quer entre as médias de CADESI-04 dos 2 grupos no D0 (p=0,874) e no end-point (p=0,332), quer nos valores de prurido no D0 (p=0,714) e no end-point (p=0,267). Também não foram encontradas diferenças significativas entre os períodos de tempo médios de tratamento em dias alternados dos animais dos 2 grupos (p=0,467). Este protocolo em dias alternados apresenta um potencial que permite reduzir custos mensais a metade, possibilitando um maior acesso a esta ferramenta terapêutica inovadora, segura e muito eficaz, mas também dispendiosa. Não parece existir benefício, para a redução da dose de oclacitinib, pela administração de prednisolona no início do tratamento.
Autores principais:Camões, Ana Filipa Bizarro
Assunto:Dermatite atópica canina oclacitinib novo protocolo terapêutico canine atopic dermatitis oclacitinib oclacitinib sparing protocol
Ano:2021
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:O oclacitinib é um inibidor seletivo da enzima Janus cinase que tem como alvo a interleucina-31, principal mediadora do prurido, sendo considerado um fármaco de espectro de ação moderado, de grande eficácia em termos do alívio sintomático da dermatite atópica (DA) canina, aquando da sua utilização diária. No entanto, apesar de 92,5% dos tutores de cães com DA estarem satisfeitos ou muito satisfeitos com o tratamento com oclacitinib, o seu custo constituí um foco de preocupação para 75% deles, sendo que 42,5% referiram ter de limitar outras despesas para poderem pagar o tratamento do seu cão. No presente estudo pretendeu-se avaliar a possibilidade de adotar um protocolo terapêutico alternativo administrando oclacitinib em dias alternados, o que reduziria para metade os custos da terapêutica. Secundariamente, pretendeu-se ainda avaliar se existe vantagem em associar glucocorticóides por via oral (G), fármacos pouco dispendiosos e de uma maior abrangência de ação, no início deste novo protocolo com oclacitinib. Foi realizado um estudo prospetivo, aleatório, emparelhado, duplamente cego e controlado com placebo, onde foram incluídos 16 cães com diagnóstico de DA, alocados nos grupos P (n=7; placebo) e G (n=9). Os animais foram periodicamente avaliados quanto à gravidade lesional (CADESI-04) e grau de prurido (VAS) no D-30, no D0 e no end-point. O estudo comportou duas fases distintas e sucessivas. Na primeira fase, foi administrado oclacitinib (0,4-0,6 mg/kg, 14 dias BID, depois 16 dias SID) por via oral em ambos os grupos de acordo com o protocolo padrão. No entanto, nos primeiros 7 dias, foi administrada prednisolona (1 mg/kg SID) por via oral ao grupo G e um placebo ao grupo P no mesmo regime. Na segunda fase, todos os animais que responderam satisfatoriamente ao tratamento anterior realizaram o mesmo tratamento, mantendo o oclacitinib, administrado apenas em dias alternados. Os animais mantiveram o protocolo descrito até à recidiva do seu quadro clínico (end-point). Foi possível adotar o protocolo em dias alternados num período de tempo de pelo menos 30 dias em 71,43% dos animais. Não foram encontradas diferenças estatisticamente significativas quer entre as médias de CADESI-04 dos 2 grupos no D0 (p=0,874) e no end-point (p=0,332), quer nos valores de prurido no D0 (p=0,714) e no end-point (p=0,267). Também não foram encontradas diferenças significativas entre os períodos de tempo médios de tratamento em dias alternados dos animais dos 2 grupos (p=0,467). Este protocolo em dias alternados apresenta um potencial que permite reduzir custos mensais a metade, possibilitando um maior acesso a esta ferramenta terapêutica inovadora, segura e muito eficaz, mas também dispendiosa. Não parece existir benefício, para a redução da dose de oclacitinib, pela administração de prednisolona no início do tratamento.