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Avaliação radiográfica das dimensões do átrio esquerdo

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Resumo:A importância da doença mixomatosa da válvula mitral (DMVM) é refletida pela sua elevada ocorrência em cães e pelo facto de ser a principal causa de insuficiência cardíaca congestiva nestes animais. A radiografia torácica e a ecocardiografia são métodos imprescindíveis para o diagnóstico desta doença, que se caracteriza pelo aumento do átrio esquerdo, levando assim a uma elevação do terço posterior da traqueia e ao mesmo tempo a um aumento do ângulo dos brônquios principais. Este estudo teve como principal objectivo perceber se o aumento do átrio esquerdo, verificado na DMVM, se reflete efetivamente numa elevação do terço posterior da traqueia e no aumento do ângulo dos brônquios principais. Com este propósito, uma amostra populacional de 55 cães [27 seguidos no Hospital Veterinário do Porto (HVP) e 28 no Hospital Veterinário do Instituto da Universidade do Porto (UPVET)] com DMVM foi alvo de avaliação radiográfica e ecocardiográfica. A amostra incluiu 32 machos (58.2%) e 23 fêmeas (41.8%), de 15 raças diferentes com uma média de idades de 11.8 ± 2.8 anos e com o peso corporal compreendido entre 2.1 e 37.2 Kg (9.7 ± 6.5). Os animais foram classificados em diferentes estadios, com base no consenso do ACVIM (American College of Veterinary Internal Medicine) e por isso a amostra inclui 54.5% dos cães no estadio B1, 25.3% no estadio B2, 16.4% no estadio C e 3.6% no estadio D. A grande maioria das variáveis dependentes [Distância da Carina á Coluna, normalizada para 1/10 da vértebra T4 (DCCV_R, DCCV_L), Ângulo entre o 1/3 posterior da Traqueia e a Coluna (ATC_R, ATC_L), Ângulo Interbronquial (IBA) e o Ângulo Subcarinal (SCA)] mostrou uma correlação significativa com pelo menos uma variável independente [Diâmetro do Átrio esquerdo (AE), razão ecocardiográfica do diâmetro do AE e o diâmetro da Aorta (AE/AO), Diâmetro Interno do Ventrículo Esquerdo em Diástole Normalizado para o Peso Corporal (LVIDDn) e o Índice Cardíaco Vertebral (ICV_R e ICV_L)]. Apenas a ATC_L, não demonstrou correlação com nenhuma variável independente. Verificou-se que, apenas existe diferença estatística nas variáveis DCCV_L (p = 0.001) e DCCV_R (p = 0.000) em especial entre os animais do estadio B1 e B2, assim como entre os animais do estadio B1 e D. Na amostra estudada, verificou-se que o aumento do átrio esquerdo conduz a uma ligeira diminuição da distância à coluna, todavia, não se verificou uma correlação significativa entre as variáveis ecocardiográficas e os ângulos IBA e SCA. Com os resultados obtidos, não é possível afirmar que o aumento do ângulo de bifurcação traqueal e a elevação do terço posterior da traqueia possam ser utilizados como métodos de diagnóstico do aumento do átrio esquerdo em cães com DMVM. A aluna considera que devem ser realizados mais estudos nesta área, de forma a aferir se estes critérios imagiológicos, têm interesse para o diagnóstico precoce e acompanhamento dos cães com DMVM.
Autores principais:Cardoso, Susana Patrícia de Almeida
Assunto:Doença mixomatosa da válvula mitral Ecocardiografia Radiografia ICV Cão Myxomatous mitral valve disease Echocardiography Radiography ICV Dog
Ano:2022
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:A importância da doença mixomatosa da válvula mitral (DMVM) é refletida pela sua elevada ocorrência em cães e pelo facto de ser a principal causa de insuficiência cardíaca congestiva nestes animais. A radiografia torácica e a ecocardiografia são métodos imprescindíveis para o diagnóstico desta doença, que se caracteriza pelo aumento do átrio esquerdo, levando assim a uma elevação do terço posterior da traqueia e ao mesmo tempo a um aumento do ângulo dos brônquios principais. Este estudo teve como principal objectivo perceber se o aumento do átrio esquerdo, verificado na DMVM, se reflete efetivamente numa elevação do terço posterior da traqueia e no aumento do ângulo dos brônquios principais. Com este propósito, uma amostra populacional de 55 cães [27 seguidos no Hospital Veterinário do Porto (HVP) e 28 no Hospital Veterinário do Instituto da Universidade do Porto (UPVET)] com DMVM foi alvo de avaliação radiográfica e ecocardiográfica. A amostra incluiu 32 machos (58.2%) e 23 fêmeas (41.8%), de 15 raças diferentes com uma média de idades de 11.8 ± 2.8 anos e com o peso corporal compreendido entre 2.1 e 37.2 Kg (9.7 ± 6.5). Os animais foram classificados em diferentes estadios, com base no consenso do ACVIM (American College of Veterinary Internal Medicine) e por isso a amostra inclui 54.5% dos cães no estadio B1, 25.3% no estadio B2, 16.4% no estadio C e 3.6% no estadio D. A grande maioria das variáveis dependentes [Distância da Carina á Coluna, normalizada para 1/10 da vértebra T4 (DCCV_R, DCCV_L), Ângulo entre o 1/3 posterior da Traqueia e a Coluna (ATC_R, ATC_L), Ângulo Interbronquial (IBA) e o Ângulo Subcarinal (SCA)] mostrou uma correlação significativa com pelo menos uma variável independente [Diâmetro do Átrio esquerdo (AE), razão ecocardiográfica do diâmetro do AE e o diâmetro da Aorta (AE/AO), Diâmetro Interno do Ventrículo Esquerdo em Diástole Normalizado para o Peso Corporal (LVIDDn) e o Índice Cardíaco Vertebral (ICV_R e ICV_L)]. Apenas a ATC_L, não demonstrou correlação com nenhuma variável independente. Verificou-se que, apenas existe diferença estatística nas variáveis DCCV_L (p = 0.001) e DCCV_R (p = 0.000) em especial entre os animais do estadio B1 e B2, assim como entre os animais do estadio B1 e D. Na amostra estudada, verificou-se que o aumento do átrio esquerdo conduz a uma ligeira diminuição da distância à coluna, todavia, não se verificou uma correlação significativa entre as variáveis ecocardiográficas e os ângulos IBA e SCA. Com os resultados obtidos, não é possível afirmar que o aumento do ângulo de bifurcação traqueal e a elevação do terço posterior da traqueia possam ser utilizados como métodos de diagnóstico do aumento do átrio esquerdo em cães com DMVM. A aluna considera que devem ser realizados mais estudos nesta área, de forma a aferir se estes critérios imagiológicos, têm interesse para o diagnóstico precoce e acompanhamento dos cães com DMVM.