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Relação entre a exposição a fatores ambientais stressantes e a Diabetes mellitus nos gatos

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Resumo:A Diabetes Mellitus é a endocrinopatia mais comum nos gatos, tipicamente a tipo 2, sendo que sua prevalência tem aumentado, devido à mudança de hábitos alimentares e vidas sedentárias. A falta de ou aplicação de estímulos inadequados, pode conduzir a stresse, com consequente produção de cortisol. Se aquele for reiterado, os níveis desta hormona aumentam gradualmente, o que poderá levar à resistência à insulina. Sendo assim, esta dissertação teve como objetivo averiguar se o stresse poderá ser um factor de risco para a diabetes. Desta forma, foi feito um questionário, aplicado a tutores de gatos diabéticos e não diabéticos, onde se pode avaliar sobre a sobrexposição do gato a fatores ambientais, potencialmente stressantes. Obtiveram-se dados de 88 gatos (n=88) e os grupos dos diabéticos (n=22) e não diabéticos (n=66) foram comparados. Foi encontrada associação entre alguns fatores e a doença (p<0,05). Nesses casos, foi feita uma regressão logística que permitiu aferir sobre o risco de ter diabetes, através dos valores de Odds Ratio obtidos. Assim, concluiu-se que, alguns fatores, aumentam o risco de manifestar diabetes. Situações como a presença de outras doenças, a co-habitação com mais gatos e o serem acolhidos por reformados/desempregados, aumentam em 5 vezes a probabilidade de manifestar diabetes. Gatos sedentários e com excesso de peso têm 6 e 4 vezes mais probabilidade de vir a ter diabetes, respetivamente. Quando comparados com os que brincam 1-2h/dia, aqueles que o fazem 0h ou 30 minutos, têm, respetivamente, 5 e 4 vezes mais probabilidade de ter diabetes. O acesso ao exterior também parece influenciar, de tal forma que, gatos que passam entre 0 a 1 hora por dia no exterior, têm 6 vezes mais risco de ter diabetes, quando comparados com aqueles que despendem 1 a 5 horas no exterior. Habitarem em apartamentos também aumenta em 3 vezes o risco de doença. O número e localização de recursos também podem ter influência nesta doença. Assim, caixas de areia localizadas no corredor aumentam a probabilidade da diabetes ocorrer em 14 vezes e um número de bebedouros inferior ou igual ao número de gatos, aumenta 15 e 7 vezes o risco de ter diabetes, quando comparado com ambientes em que o número de bebedouros é superior ao número de gatos. Contrariamente, gatos activos, com acesso a sítios para trepar têm cerca de 1/10 da probabilidade de ter diabetes. Uma mudança de água diária, ao invés de semanal, também diminui para 1/5 a probabilidade de ter diabetes. Em suma, perante os resultados, é possível afirmar que o stresse poderá ser um factor de risco para a Diabetes Mellitus.
Autores principais:Gregório, Rafaela Silva
Assunto:Gato Diabetes Mellitus Stresse Cortisol Fator de risco Cat Diabetes Mellitus Stress Risk factor
Ano:2017
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:A Diabetes Mellitus é a endocrinopatia mais comum nos gatos, tipicamente a tipo 2, sendo que sua prevalência tem aumentado, devido à mudança de hábitos alimentares e vidas sedentárias. A falta de ou aplicação de estímulos inadequados, pode conduzir a stresse, com consequente produção de cortisol. Se aquele for reiterado, os níveis desta hormona aumentam gradualmente, o que poderá levar à resistência à insulina. Sendo assim, esta dissertação teve como objetivo averiguar se o stresse poderá ser um factor de risco para a diabetes. Desta forma, foi feito um questionário, aplicado a tutores de gatos diabéticos e não diabéticos, onde se pode avaliar sobre a sobrexposição do gato a fatores ambientais, potencialmente stressantes. Obtiveram-se dados de 88 gatos (n=88) e os grupos dos diabéticos (n=22) e não diabéticos (n=66) foram comparados. Foi encontrada associação entre alguns fatores e a doença (p<0,05). Nesses casos, foi feita uma regressão logística que permitiu aferir sobre o risco de ter diabetes, através dos valores de Odds Ratio obtidos. Assim, concluiu-se que, alguns fatores, aumentam o risco de manifestar diabetes. Situações como a presença de outras doenças, a co-habitação com mais gatos e o serem acolhidos por reformados/desempregados, aumentam em 5 vezes a probabilidade de manifestar diabetes. Gatos sedentários e com excesso de peso têm 6 e 4 vezes mais probabilidade de vir a ter diabetes, respetivamente. Quando comparados com os que brincam 1-2h/dia, aqueles que o fazem 0h ou 30 minutos, têm, respetivamente, 5 e 4 vezes mais probabilidade de ter diabetes. O acesso ao exterior também parece influenciar, de tal forma que, gatos que passam entre 0 a 1 hora por dia no exterior, têm 6 vezes mais risco de ter diabetes, quando comparados com aqueles que despendem 1 a 5 horas no exterior. Habitarem em apartamentos também aumenta em 3 vezes o risco de doença. O número e localização de recursos também podem ter influência nesta doença. Assim, caixas de areia localizadas no corredor aumentam a probabilidade da diabetes ocorrer em 14 vezes e um número de bebedouros inferior ou igual ao número de gatos, aumenta 15 e 7 vezes o risco de ter diabetes, quando comparado com ambientes em que o número de bebedouros é superior ao número de gatos. Contrariamente, gatos activos, com acesso a sítios para trepar têm cerca de 1/10 da probabilidade de ter diabetes. Uma mudança de água diária, ao invés de semanal, também diminui para 1/5 a probabilidade de ter diabetes. Em suma, perante os resultados, é possível afirmar que o stresse poderá ser um factor de risco para a Diabetes Mellitus.