Publicação
Défice na orientação topográfica : relação com o hemisfério cerebral afetado após acidente vascular cerebral
| Resumo: | Introdução: Cerca de 90% dos doentes com acidente vascular cerebral (AVC) apresentam sequelas, sendo o comprometimento cognitivo o mais prevalente. Lesões nas estruturas corticais e subcorticais direitas podem prejudicar a orientação topográfica com impacto nas atividades da vida diária. Outras alterações percetivo-cognitivas como por exemplo o neglect podem piorar estes défices. Apesar de existirem muitos estudos relativos a défices cognitivos, ainda são poucos os que procuram explorar os défices na orientação topográfica no AVC bem como o seu impacto na vida dos doentes. Objectivo: Estimar a frequência e caracterizar as alterações da orientação topográfica em doentes, em fase crónica, após AVC. Método: Neste estudo observacional transversal caso-controlo, foi aplicado um questionário de avaliação subjetiva, o Questionnaire on Everyday Navigational Ability (QuENA), e uma avaliação objetiva da orientação topográfica, através de testes topográficos – Teste de imagética topográfica (TIT), teste de conhecimento topográfico (TCT) e o teste de localização topográfica (TLT). Foram caracterizados os défices perceptivo-cognitivos e funcionais dos doentes, e feita uma comparação emparelhada com controlos saudáveis. Resultados: Foram incluídos 44 doentes de AVC (grupo AVC Esquerdo, n=23; grupo AVC Direito, n=21) e 44 controlos emparelhados por género, idade e escolaridade. Houve uma diferença significativa na presença de queixas de orientação topográfica entre o grupo AVC e os controlos. As queixas de desorientação topográfica foram mais frequentes no grupo AVC Direito (10,20%) em comparação ao grupo AVC Esquerdo (2,30%) e aos controlos (1,10%). O desempenho do grupo AVC Direito foi significativamente pior (22,55 pontos) no TLT, um teste de orientação alocêntrica, do que os outros. A pontuação no TIT e no TLT dos doentes com neglect (9,17 pontos e 20 pontos, respectivamente) foi significativamente pior em comparação com os doentes sem neglect (13,94 pontos e 28 pontos). Adicionalmente, os doentes com um defeito cognitivo mais grave apresentam pontuações mais baixas nos três testes topográficos. Conclusão: O estudo realizado indica uma maior frequência de comprometimento topográfico nas queixas subjetivas e no desempenho objetivo em doentes com lesão do hemisfério cerebral direito. A presença de neglect bem como o estado congitivo global pode mediar parcialmente esses défices. |
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| Autores principais: | Lemos, Andreia Filipa Duarte |
| Assunto: | Orientação topográfica Testes topográficos Acidente vascular cerebral Hemisfério direito Neglect Teses de mestrado - 2024 |
| Ano: | 2024 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | Introdução: Cerca de 90% dos doentes com acidente vascular cerebral (AVC) apresentam sequelas, sendo o comprometimento cognitivo o mais prevalente. Lesões nas estruturas corticais e subcorticais direitas podem prejudicar a orientação topográfica com impacto nas atividades da vida diária. Outras alterações percetivo-cognitivas como por exemplo o neglect podem piorar estes défices. Apesar de existirem muitos estudos relativos a défices cognitivos, ainda são poucos os que procuram explorar os défices na orientação topográfica no AVC bem como o seu impacto na vida dos doentes. Objectivo: Estimar a frequência e caracterizar as alterações da orientação topográfica em doentes, em fase crónica, após AVC. Método: Neste estudo observacional transversal caso-controlo, foi aplicado um questionário de avaliação subjetiva, o Questionnaire on Everyday Navigational Ability (QuENA), e uma avaliação objetiva da orientação topográfica, através de testes topográficos – Teste de imagética topográfica (TIT), teste de conhecimento topográfico (TCT) e o teste de localização topográfica (TLT). Foram caracterizados os défices perceptivo-cognitivos e funcionais dos doentes, e feita uma comparação emparelhada com controlos saudáveis. Resultados: Foram incluídos 44 doentes de AVC (grupo AVC Esquerdo, n=23; grupo AVC Direito, n=21) e 44 controlos emparelhados por género, idade e escolaridade. Houve uma diferença significativa na presença de queixas de orientação topográfica entre o grupo AVC e os controlos. As queixas de desorientação topográfica foram mais frequentes no grupo AVC Direito (10,20%) em comparação ao grupo AVC Esquerdo (2,30%) e aos controlos (1,10%). O desempenho do grupo AVC Direito foi significativamente pior (22,55 pontos) no TLT, um teste de orientação alocêntrica, do que os outros. A pontuação no TIT e no TLT dos doentes com neglect (9,17 pontos e 20 pontos, respectivamente) foi significativamente pior em comparação com os doentes sem neglect (13,94 pontos e 28 pontos). Adicionalmente, os doentes com um defeito cognitivo mais grave apresentam pontuações mais baixas nos três testes topográficos. Conclusão: O estudo realizado indica uma maior frequência de comprometimento topográfico nas queixas subjetivas e no desempenho objetivo em doentes com lesão do hemisfério cerebral direito. A presença de neglect bem como o estado congitivo global pode mediar parcialmente esses défices. |
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