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Análise de vinhos monocastas por FT-ICR-MS

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Detalhes bibliográficos
Resumo:O vinho é uma mistura de composição química extremamente complexa, resultando da fermentação de uvas por leveduras nomeadamente Saccharomyces cerevisiae. A análise deste tipo de amostras é um dos maiores desafios da química analítica que tem impacto na qualidade de produção e na avaliação da autenticidade sendo que são usadas maioritariamente métodos analíticos convencionais (NMR, cromatográficos e hifenados) que são muito morosos e permitem identificar um reduzido número de compostos. A análise de amostras complexas de uma forma completa num curto espaço de tempo e o desenvolvimento e a implementação de metodologias analíticas que o possibilitem, é um dos objectivos promissores na química analítica dos dias de hoje e que levam à elevada procura de conhecimento e à descoberta de soluções. Os principais objectivos deste trabalho foram, em primeiro lugar, a análise e caracterização do perfil químico de vinhos monocastas utilizando uma técnica analítica muito precisa e eficaz para a caracterização de vinhos, a espectrometria de massa de ressonância ciclotrónica de ião com transformada de Fourier – FT-ICR-MS. O segundo, a quantificação de catequinas em vinhos monocastas e em folhas de videiras por cromatografia líquida de alta eficiência (HPLC) com dois detectores: fluorescência e matriz de díodos. Foram analisados vinhos monocastas de diferentes anos, brancos e tintos, fornecidos pelo Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária, I. P. – INIAV (Polo dois Portos). Estes vinhos foram produzidos sob condições controladas e diferentes anos de produção (2015-2018). As amostras de vinhos monocastas foram preparadas por diluição em MeOH. Cada amostra analisada continha padrão interno, Leucina Enkephalin. As amostras foram posteriormente analisadas por FT-ICR-MS por infusão directa por electrospray em modo positivo, sendo efectuados 3 replicados de cada amostra de vinho. Para as amostras de vinho branco o número de possíveis compostos determinados variou entre 1187 e 11882 e para as amostras de vinho tinto o número de compostos variou entre 1957 e 13591. Após a análise pelo DataAnalysis a lista de picos foi submetida ao portal MassTRIX por forma a identificar a presença de alguns compostos químicos nos vinhos monocastas. Pelo MassTRIX obtiveram-se um número de compostos na ordem das centenas. Foi observado que também o vinho verdelho 2018 (777 compostos) e o vinho verdelho tinto 2015 (844 compostos) apresentam maior número de compostos (réplicas 1) tal como verificado pelo software DataAnalysis. Após a identificação do número de compostos realizaram-se diagramas de Van Krevelen que permitiu visualizar a existência de regiões com maior densidade de compostos identificados. Os compostos identificados (exemplo: sorbitol, ácido propiónico, ácido benzoico, cumarina e kaempferol-3-glucuronida-7-sulfato) pertencem maioritariamente à classe dos lípidos e dos hidrocarbonetos condensados. Comparando os dois tipos de vinhos monocastas, os vinhos tintos apresentam um maior número de compostos identificados em relação aos vinhos brancos. Desta maneira foi possível a caracterização do perfil químico de vinhos monocastas, num tempo de análise curto e com preparação de amostra extremamente simples, recorrendo espectrometria de massa FT-ICR-MS. Para a análise de catequinas nos vinhos foi desenvolvida um método de análise por HPLC, adequado a vinhos e folhas de videira que permitiu identificar e quantificar estes importantes compostos. Após a preparação das amostras foi necessário optimizar o método de trabalho por forma a ser possível obter as condições óptimas à separação das várias catequinas numa mistura e a visualização e identificação das mesmas no cromatograma. Após todos os testes decidiu-se apenas trabalhar com as catequinas: catequina, epicatequina e epigalocatequina. Para a quantificação de catequinas foi necessário criar curvas de calibração usando-se uma mistura dos padrões de catequinas que foram injectados no HPLC. Após a criação das curvas de calibração e através das equações da recta da C e EC quantificaram-se todos os vinhos monocastas e as videiras. Concluiu-se que a C está presente em maior quantidade do que a EC em todas as amostras de vinhos monocastas e de videiras. Os objectivos deste trabalho foram cumpridos concluindo-se que através das técnicas usadas e com recurso a todo o software foi possível criar um trabalho que permitiu de forma completa a caracterização do perfil químico de uma amostra muito complexa como o vinho e a quantificação de um composto muito presente neste tipo de amostras e que servem de inspiração a estudos futuros.
Autores principais:Soeiro, Mónica Isabel Marau
Assunto:Vinhos monocastas Videiras Catequinas FT-ICR-MS HPLC Teses de mestrado - 2020
Ano:2020
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:O vinho é uma mistura de composição química extremamente complexa, resultando da fermentação de uvas por leveduras nomeadamente Saccharomyces cerevisiae. A análise deste tipo de amostras é um dos maiores desafios da química analítica que tem impacto na qualidade de produção e na avaliação da autenticidade sendo que são usadas maioritariamente métodos analíticos convencionais (NMR, cromatográficos e hifenados) que são muito morosos e permitem identificar um reduzido número de compostos. A análise de amostras complexas de uma forma completa num curto espaço de tempo e o desenvolvimento e a implementação de metodologias analíticas que o possibilitem, é um dos objectivos promissores na química analítica dos dias de hoje e que levam à elevada procura de conhecimento e à descoberta de soluções. Os principais objectivos deste trabalho foram, em primeiro lugar, a análise e caracterização do perfil químico de vinhos monocastas utilizando uma técnica analítica muito precisa e eficaz para a caracterização de vinhos, a espectrometria de massa de ressonância ciclotrónica de ião com transformada de Fourier – FT-ICR-MS. O segundo, a quantificação de catequinas em vinhos monocastas e em folhas de videiras por cromatografia líquida de alta eficiência (HPLC) com dois detectores: fluorescência e matriz de díodos. Foram analisados vinhos monocastas de diferentes anos, brancos e tintos, fornecidos pelo Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária, I. P. – INIAV (Polo dois Portos). Estes vinhos foram produzidos sob condições controladas e diferentes anos de produção (2015-2018). As amostras de vinhos monocastas foram preparadas por diluição em MeOH. Cada amostra analisada continha padrão interno, Leucina Enkephalin. As amostras foram posteriormente analisadas por FT-ICR-MS por infusão directa por electrospray em modo positivo, sendo efectuados 3 replicados de cada amostra de vinho. Para as amostras de vinho branco o número de possíveis compostos determinados variou entre 1187 e 11882 e para as amostras de vinho tinto o número de compostos variou entre 1957 e 13591. Após a análise pelo DataAnalysis a lista de picos foi submetida ao portal MassTRIX por forma a identificar a presença de alguns compostos químicos nos vinhos monocastas. Pelo MassTRIX obtiveram-se um número de compostos na ordem das centenas. Foi observado que também o vinho verdelho 2018 (777 compostos) e o vinho verdelho tinto 2015 (844 compostos) apresentam maior número de compostos (réplicas 1) tal como verificado pelo software DataAnalysis. Após a identificação do número de compostos realizaram-se diagramas de Van Krevelen que permitiu visualizar a existência de regiões com maior densidade de compostos identificados. Os compostos identificados (exemplo: sorbitol, ácido propiónico, ácido benzoico, cumarina e kaempferol-3-glucuronida-7-sulfato) pertencem maioritariamente à classe dos lípidos e dos hidrocarbonetos condensados. Comparando os dois tipos de vinhos monocastas, os vinhos tintos apresentam um maior número de compostos identificados em relação aos vinhos brancos. Desta maneira foi possível a caracterização do perfil químico de vinhos monocastas, num tempo de análise curto e com preparação de amostra extremamente simples, recorrendo espectrometria de massa FT-ICR-MS. Para a análise de catequinas nos vinhos foi desenvolvida um método de análise por HPLC, adequado a vinhos e folhas de videira que permitiu identificar e quantificar estes importantes compostos. Após a preparação das amostras foi necessário optimizar o método de trabalho por forma a ser possível obter as condições óptimas à separação das várias catequinas numa mistura e a visualização e identificação das mesmas no cromatograma. Após todos os testes decidiu-se apenas trabalhar com as catequinas: catequina, epicatequina e epigalocatequina. Para a quantificação de catequinas foi necessário criar curvas de calibração usando-se uma mistura dos padrões de catequinas que foram injectados no HPLC. Após a criação das curvas de calibração e através das equações da recta da C e EC quantificaram-se todos os vinhos monocastas e as videiras. Concluiu-se que a C está presente em maior quantidade do que a EC em todas as amostras de vinhos monocastas e de videiras. Os objectivos deste trabalho foram cumpridos concluindo-se que através das técnicas usadas e com recurso a todo o software foi possível criar um trabalho que permitiu de forma completa a caracterização do perfil químico de uma amostra muito complexa como o vinho e a quantificação de um composto muito presente neste tipo de amostras e que servem de inspiração a estudos futuros.