Publicação
Fármacos de origem marinha: desafios e oportunidades
| Resumo: | Com 70% da superfície da terra coberta por oceanos, o ambiente marinho apresenta uma enorme diversidade em organismos e produtos naturais. Estes produtos possuem atividades biológicas bastante promissoras para o desenvolvimento de novos fármacos e cosmecêuticos com alto valor comercial. Atualmente, encontram-se aprovados 15 fármacos de origem marinha com indicações terapêuticas para diversos tipos de cancro, dor crónica, hipertrigliceridemia e algumas doenças virais, como o herpes. Apesar deste reduzido número de fármacos, existem inúmeros produtos em fase de ensaios pré-clínicos e clínicos (fases I a III), para o tratamento de patologias, como a esquizofrenia, doença de alzheimer, bem como para a prevenção do vírus da imunodeficiência humana, reforçando todo o seu potencial na terapêutica de múltiplas doenças. Para além disso, alguns produtos têm demonstrado resultados muito significativos na inibição do coronavírus SARS-CoV-2, apresentando-se como possíveis opções no combate a este vírus. Apesar do interesse para a produção de novos fármacos de origem marinha tenha vindo a aumentar nos últimos anos, vários desafios ainda limitam a investigação e desenvolvimento nesta área por parte da indústria farmacêutica. Estes desafios encontram-se agrupados em três categorias: biodiversidade (obstáculos associados à colheita de amostras de organismos e a sua correta identificação e classificação taxonómica), fornecimento de produtos de origem marinha (dificuldades no processo de isolamento e produção sustentável destes produtos) e acesso ao mercado (adversidades associadas ao tempo e custos elevados no processo de desenvolvimento e chegada ao mercado dos fármacos). No entanto, os avanços tecnológicos nas técnicas de colheita de amostras de organismos marinhos, espectroscopia de ressonância magnética nuclear, maricultura, aquicultura, fermentação, co-cultivo, síntese química, hemi-síntese e engenharia genética têm-se revelado crucias para ultrapassar estes obstáculos. É, portanto, esperado que todo este elevado grau de inovação permita que um maior número de novos fármacos de origem marinha chegue ao mercado e às farmácias nos próximos anos. |
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| Autores principais: | Sousa, Pedro Miguel Inácio Henriques Ferreira de |
| Assunto: | Biodiversidade marinha Fármacos de origem marinha Cosmecêuticos Indústria farmacêutica Bioatividades de compostos de origem marinha Mestrado integrado - 2021 |
| Ano: | 2021 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | Com 70% da superfície da terra coberta por oceanos, o ambiente marinho apresenta uma enorme diversidade em organismos e produtos naturais. Estes produtos possuem atividades biológicas bastante promissoras para o desenvolvimento de novos fármacos e cosmecêuticos com alto valor comercial. Atualmente, encontram-se aprovados 15 fármacos de origem marinha com indicações terapêuticas para diversos tipos de cancro, dor crónica, hipertrigliceridemia e algumas doenças virais, como o herpes. Apesar deste reduzido número de fármacos, existem inúmeros produtos em fase de ensaios pré-clínicos e clínicos (fases I a III), para o tratamento de patologias, como a esquizofrenia, doença de alzheimer, bem como para a prevenção do vírus da imunodeficiência humana, reforçando todo o seu potencial na terapêutica de múltiplas doenças. Para além disso, alguns produtos têm demonstrado resultados muito significativos na inibição do coronavírus SARS-CoV-2, apresentando-se como possíveis opções no combate a este vírus. Apesar do interesse para a produção de novos fármacos de origem marinha tenha vindo a aumentar nos últimos anos, vários desafios ainda limitam a investigação e desenvolvimento nesta área por parte da indústria farmacêutica. Estes desafios encontram-se agrupados em três categorias: biodiversidade (obstáculos associados à colheita de amostras de organismos e a sua correta identificação e classificação taxonómica), fornecimento de produtos de origem marinha (dificuldades no processo de isolamento e produção sustentável destes produtos) e acesso ao mercado (adversidades associadas ao tempo e custos elevados no processo de desenvolvimento e chegada ao mercado dos fármacos). No entanto, os avanços tecnológicos nas técnicas de colheita de amostras de organismos marinhos, espectroscopia de ressonância magnética nuclear, maricultura, aquicultura, fermentação, co-cultivo, síntese química, hemi-síntese e engenharia genética têm-se revelado crucias para ultrapassar estes obstáculos. É, portanto, esperado que todo este elevado grau de inovação permita que um maior número de novos fármacos de origem marinha chegue ao mercado e às farmácias nos próximos anos. |
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