Publicação
A estabilidade temporal dos estereótipos compósitos
| Resumo: | É comum o ser humano pertencer a várias categorias sociais, que por vezes contrastam entre si. Quando conciliamos esta informação contraditória, tendemos para o processamento mental na forma de raciocínio causal (Kunda et al., 1990; Hastie et al., 1990). Um sujeito que seja Padre e simultaneamente Segurança de discoteca, invoca traços que não pertencem a nenhuma das categorias, isoladamente, um traço emergente (Benrós et al., 2020). A estabilidade temporal de traços atribuídos a categorias compósitas carece de investigação, e é de sobeja importância neste contexto, dado que pode indicar que se originou a representação mental duma categoria nova. Neste estudo (N = 70), avalia-se a estabilidade temporal das representações mentais de categorias compósitas, entre indivíduos e intra-individual, através de uma tarefa de escolha/geração de traços, integrada numa metodologia teste-reteste. Manipulou-se também o processo de escolha dos traços, para cada estereótipo compósito. Num grupo os participantes geravam espontaneamente os traços, no outro, escolhiam os traços a partir de uma lista fornecida. A condição com ou sem lista, não teve um efeito no consenso entre indivíduos nem na estabilidade temporal obtida entre sessões, intra-individualmente. De modo geral, os traços emergentes foram considerados como mais centrais para o estereótipo compósito, os escolhidos de forma mais prevalente e que deram o maior contributo para a sua estabilidade temporal, seguido, imediatamente, dos estereótipos herdados (os quais não diferiram significativamente dos emergentes). A condição sem lista, que se esperava de maior dificuldade, e que, portanto, fomentasse o uso de raciocínio causal e de operações cognitivas mais complexas na geração dos emergentes, teve um efeito na produção de emergentes. Conforme a presença ou ausência de lista, viram-se diferentes padrões de resultados para os diferentes traços, com os traços averaged a aumentarem consideravelmente em proporção, centralidade e estabilidade, na condição sem lista. Discute-se o impacto dos resultados para a estabilidade temporal dos estereótipos compósitos e as suas implicações para a teorização sobre as representações destas categorias sociais. |
|---|---|
| Autores principais: | Sardinha, Eduardo José Abreu |
| Assunto: | Estereótipos sociais Estabilidade temporal Traços de personalidade Categorização social Teses de mestrado - 2021 |
| Ano: | 2021 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | É comum o ser humano pertencer a várias categorias sociais, que por vezes contrastam entre si. Quando conciliamos esta informação contraditória, tendemos para o processamento mental na forma de raciocínio causal (Kunda et al., 1990; Hastie et al., 1990). Um sujeito que seja Padre e simultaneamente Segurança de discoteca, invoca traços que não pertencem a nenhuma das categorias, isoladamente, um traço emergente (Benrós et al., 2020). A estabilidade temporal de traços atribuídos a categorias compósitas carece de investigação, e é de sobeja importância neste contexto, dado que pode indicar que se originou a representação mental duma categoria nova. Neste estudo (N = 70), avalia-se a estabilidade temporal das representações mentais de categorias compósitas, entre indivíduos e intra-individual, através de uma tarefa de escolha/geração de traços, integrada numa metodologia teste-reteste. Manipulou-se também o processo de escolha dos traços, para cada estereótipo compósito. Num grupo os participantes geravam espontaneamente os traços, no outro, escolhiam os traços a partir de uma lista fornecida. A condição com ou sem lista, não teve um efeito no consenso entre indivíduos nem na estabilidade temporal obtida entre sessões, intra-individualmente. De modo geral, os traços emergentes foram considerados como mais centrais para o estereótipo compósito, os escolhidos de forma mais prevalente e que deram o maior contributo para a sua estabilidade temporal, seguido, imediatamente, dos estereótipos herdados (os quais não diferiram significativamente dos emergentes). A condição sem lista, que se esperava de maior dificuldade, e que, portanto, fomentasse o uso de raciocínio causal e de operações cognitivas mais complexas na geração dos emergentes, teve um efeito na produção de emergentes. Conforme a presença ou ausência de lista, viram-se diferentes padrões de resultados para os diferentes traços, com os traços averaged a aumentarem consideravelmente em proporção, centralidade e estabilidade, na condição sem lista. Discute-se o impacto dos resultados para a estabilidade temporal dos estereótipos compósitos e as suas implicações para a teorização sobre as representações destas categorias sociais. |
|---|