Publicação
Caracterização das infeções por Leptospira spp. em cães internados na Unidade de Isolamento e Contenção Biológica do Hospital Escolar da FMV-ULisboa no período de 2013-2019
| Resumo: | Os objetivos deste estudo consistiram em identificar possíveis fatores de risco, indicadores de prognóstico e de fatores que pareceram afetar o tempo de hospitalização, através da descrição epidemiológica, dos métodos de diagnóstico, da terapêutica, e das alterações clínicas, laboratoriais e imagiológicas, em cães positivos a leptospirose e internados na Unidade de Isolamento e Contenção Biológica do Hospital Escolar (UICB). Foram consultados os historiais médicos de 150 cães, com sintomatologia compatível com leptospirose, dos quais 55 eram positivos a leptospirose e os restantes 95 eram negativos, estando todos eles hospitalizados na UICB, de dezembro de 2013 a dezembro de 2019. A maioria dos cães foram diagnosticados a partir da serologia IgM (96,4%), e em nenhum dos casos foi realizado o MAT. Os sinais clínicos mais frequentes foram: o vómito (72,7%), a anorexia (50,9%), a diarreia (40,0%) e a hematúria (40,0%). As alterações analíticas mais frequentes no hemograma e bioquímicas foram: o aumento da AST (100%), o aumento da bilirrubina total (81,8%), o aumento da ureia (70,6%) e da creatinina (69,2%), a leucocitose com neutrofilia (68,0%), o aumento da ALT (55,1%) e a trombocitopenia (51,3%). Relativamente ao ionograma e urianálise, as principais alterações foram: a proteinúria (94,7%), a hematúria (73,7%), a hipocloremia (63,2%) e a hiponatremia (52,6%). Na ecografia abdominal, verificaram-se com maior frequência: a hepatomegália (47,2%), a hipoecogenicidade hepática (38,9%), a hiperecogenicidade do córtex renal (25,0%), a esplenomegália (25,0%), as lamas biliares (22,2%) e a perda da transição cortico-medular (16,7%). Na radiografia torácica, verificou-se na maioria dos casos um padrão intersticial não estruturado (27,8%) e um padrão interstício-alveolar (11,1%). Os antibióticos mais utilizados foram a ampicilina (69,1%) e a doxiciclina (65,5%), e verificou-se uma taxa de sobrevivência de 50,9%. Concluiu-se que os fatores de risco para a ocorrência de leptospirose, foram o facto de os cães serem adultos (entre os 2 e os 7 anos) e a ocorrência de uma maior precipitação (mais casos no inverno), e como fatores de proteção as cadelas estarem esterilizadas, os cães apresentarem uma idade igual ou superior a 8 anos e uma menor precipitação (menos casos no verão). Verificou-se um pior prognóstico em cães: seniores, hipotérmicos, oligoanúricos e com a ureia e/ou a creatinina aumentadas. Apenas a neutrofilia afetou o tempo para a ocorrência de alta (duração da hospitalização). |
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| Autores principais: | Rebelo, Daniela Filipa Barrela |
| Assunto: | Leptospirose canina Insuficiência renal Doxiciclina Zoonose Insuficiência hepática Canine leptospirosis Renal failure Doxycycline Zoonosis Liver failure |
| Ano: | 2021 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | Os objetivos deste estudo consistiram em identificar possíveis fatores de risco, indicadores de prognóstico e de fatores que pareceram afetar o tempo de hospitalização, através da descrição epidemiológica, dos métodos de diagnóstico, da terapêutica, e das alterações clínicas, laboratoriais e imagiológicas, em cães positivos a leptospirose e internados na Unidade de Isolamento e Contenção Biológica do Hospital Escolar (UICB). Foram consultados os historiais médicos de 150 cães, com sintomatologia compatível com leptospirose, dos quais 55 eram positivos a leptospirose e os restantes 95 eram negativos, estando todos eles hospitalizados na UICB, de dezembro de 2013 a dezembro de 2019. A maioria dos cães foram diagnosticados a partir da serologia IgM (96,4%), e em nenhum dos casos foi realizado o MAT. Os sinais clínicos mais frequentes foram: o vómito (72,7%), a anorexia (50,9%), a diarreia (40,0%) e a hematúria (40,0%). As alterações analíticas mais frequentes no hemograma e bioquímicas foram: o aumento da AST (100%), o aumento da bilirrubina total (81,8%), o aumento da ureia (70,6%) e da creatinina (69,2%), a leucocitose com neutrofilia (68,0%), o aumento da ALT (55,1%) e a trombocitopenia (51,3%). Relativamente ao ionograma e urianálise, as principais alterações foram: a proteinúria (94,7%), a hematúria (73,7%), a hipocloremia (63,2%) e a hiponatremia (52,6%). Na ecografia abdominal, verificaram-se com maior frequência: a hepatomegália (47,2%), a hipoecogenicidade hepática (38,9%), a hiperecogenicidade do córtex renal (25,0%), a esplenomegália (25,0%), as lamas biliares (22,2%) e a perda da transição cortico-medular (16,7%). Na radiografia torácica, verificou-se na maioria dos casos um padrão intersticial não estruturado (27,8%) e um padrão interstício-alveolar (11,1%). Os antibióticos mais utilizados foram a ampicilina (69,1%) e a doxiciclina (65,5%), e verificou-se uma taxa de sobrevivência de 50,9%. Concluiu-se que os fatores de risco para a ocorrência de leptospirose, foram o facto de os cães serem adultos (entre os 2 e os 7 anos) e a ocorrência de uma maior precipitação (mais casos no inverno), e como fatores de proteção as cadelas estarem esterilizadas, os cães apresentarem uma idade igual ou superior a 8 anos e uma menor precipitação (menos casos no verão). Verificou-se um pior prognóstico em cães: seniores, hipotérmicos, oligoanúricos e com a ureia e/ou a creatinina aumentadas. Apenas a neutrofilia afetou o tempo para a ocorrência de alta (duração da hospitalização). |
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