Publicação
Colecções de culturas microbianas como centro de recursos biológicos
| Resumo: | Em pouco mais de 100 anos as colecções de culturas (CC) estabeleceram-se como infraestruturas fundamentais de apoio a actividades de I&D nas áreas das ciências da vida e da biotecnologia. A sua importância na conservação da diversidade biológica e de recursos genéticos de enorme valor para o desenvolvimento científico e tecnológico tem vindo a ser reconhecida por governos e instituições internacionais. Ao longo do século XX diferentes tipos de CC foram estabelecidas um pouco por todo o mundo, inclusive em Portugal: a Colecção Portuguesa de Culturas de Leveduras (PYCC) foi estabelecida em 1952. O papel tradicional destas colecções foi o de providenciar acesso a culturas autenticadas e informação sobre as suas características, preservação e cultivo à comunidade científica. Nos anos recentes, outros serviços têm sido adjudicados às CC tais como o fornecimento de culturas para controlo de qualidade e/ou o depósito de culturas para efeitos de patente. Por outro lado, no plano actual de desenvolvimento económico têm surgido vários constrangimentos ao nível financeiro, que podem por em causa a subsistência das CC. É neste contexto, que em 2001 a Organização para Cooperação e o Desenvolvimento Económico (OECD) lança o conceito de Centros de Recursos Biológicos (BRCs), de forma a providenciar padrões de qualidade exigidos pela comunidade internacional de cientistas e da indústria no fornecimento de informação e de materiais biológicos e garantir a sobrevivência das colecções. De facto, são muitas as colecções de serviço que têm evoluído para BRCs em resposta ao desenvolvimento em várias áreas que vão da biologia molecular à bioinformática. Nos anos mais recentes tem sido reconhecida a importância da cooperação internacional entre os vários BRCs com o objectivo de agregar valor às colecções, incluindo os seus materiais, serviços, conhecimentos e competências, de forma a garantir a sua auto sustentabilidade. Um dos projectos de cooperação europeia mais recente é o MIRRI (Microbial Resource Research Infrastructure) como o objectivo de providenciar às CC europeias as ferramentas que lhes permitam evoluir para BRCs. Uma análise comparativa das principais CC europeias que mantêm fungos mostrou que a maioria preserva diferentes tipos de organismos e apenas 6 são colecções especializadas. A mesma análise revelou que o tipo de financiamento determina decisivamente a quantidade de pessoal adstrito às colecções e o número e tipo de serviços que são oferecidos. Nos últimos anos a PYCC passou por profundas alterações começando pela constituição de uma Comissão de Acompanhamento e publicação do regulamento da colecção. Um dos aspectos mais importantes daquela restruturação foi a digitalização de toda a informação sobre as suas estirpes numa base de dados e posterior publicação do catálogo online e website. Actualmente a PYCC contem um conjunto de estirpes de leveduras muito diversificadas (cerca de 3000) em que 28% são estirpes isoladas em Portugal e cerca de 46% são estirpes exclusivas. Com vista à obtenção da certificação da colecção foi realizado um estudo comparativo entre a PYCC e as colecções congéneres, concluindo-se que as características que mais contribuem para o desenvolvimento actual da PYCC são investigação em métodos de cultura, investigação em métodos de preservação, investigação na biodiversidade, controlo da pureza das culturas e oferta de outros serviços. Estas características contribuem para que a certificação da PYCC. Para que isto se verifique uma série de procedimentos terão de ser seguidos com base nas recomendações da OECD, nomeadamente a implementação de um Sistema de Gestão da Qualidade (SGQ). O posterior desenvolvimento da PYCC em BRC depara com alguns constrangimentos ao nível financeiro e logístico que decorrem dos regulamentos da instituição de acolhimento. Contudo o facto de a PYCC ser actualmente a única colecção portuguesa de leveduras com um catálogo online e uma base de dados muito completa, constitui uma mais-valia para o seu desenvolvimento num BRC, o que poderá vir acontecer em associação com outras colecções portuguesas no âmbito do projecto MIRRI. |
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| Autores principais: | Carvalho, Cláudia Andreia Serrano, 1981- |
| Assunto: | Fungos Leveduras Microbiologia Colecções científicas Teses de mestrado - 2012 |
| Ano: | 2012 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | Em pouco mais de 100 anos as colecções de culturas (CC) estabeleceram-se como infraestruturas fundamentais de apoio a actividades de I&D nas áreas das ciências da vida e da biotecnologia. A sua importância na conservação da diversidade biológica e de recursos genéticos de enorme valor para o desenvolvimento científico e tecnológico tem vindo a ser reconhecida por governos e instituições internacionais. Ao longo do século XX diferentes tipos de CC foram estabelecidas um pouco por todo o mundo, inclusive em Portugal: a Colecção Portuguesa de Culturas de Leveduras (PYCC) foi estabelecida em 1952. O papel tradicional destas colecções foi o de providenciar acesso a culturas autenticadas e informação sobre as suas características, preservação e cultivo à comunidade científica. Nos anos recentes, outros serviços têm sido adjudicados às CC tais como o fornecimento de culturas para controlo de qualidade e/ou o depósito de culturas para efeitos de patente. Por outro lado, no plano actual de desenvolvimento económico têm surgido vários constrangimentos ao nível financeiro, que podem por em causa a subsistência das CC. É neste contexto, que em 2001 a Organização para Cooperação e o Desenvolvimento Económico (OECD) lança o conceito de Centros de Recursos Biológicos (BRCs), de forma a providenciar padrões de qualidade exigidos pela comunidade internacional de cientistas e da indústria no fornecimento de informação e de materiais biológicos e garantir a sobrevivência das colecções. De facto, são muitas as colecções de serviço que têm evoluído para BRCs em resposta ao desenvolvimento em várias áreas que vão da biologia molecular à bioinformática. Nos anos mais recentes tem sido reconhecida a importância da cooperação internacional entre os vários BRCs com o objectivo de agregar valor às colecções, incluindo os seus materiais, serviços, conhecimentos e competências, de forma a garantir a sua auto sustentabilidade. Um dos projectos de cooperação europeia mais recente é o MIRRI (Microbial Resource Research Infrastructure) como o objectivo de providenciar às CC europeias as ferramentas que lhes permitam evoluir para BRCs. Uma análise comparativa das principais CC europeias que mantêm fungos mostrou que a maioria preserva diferentes tipos de organismos e apenas 6 são colecções especializadas. A mesma análise revelou que o tipo de financiamento determina decisivamente a quantidade de pessoal adstrito às colecções e o número e tipo de serviços que são oferecidos. Nos últimos anos a PYCC passou por profundas alterações começando pela constituição de uma Comissão de Acompanhamento e publicação do regulamento da colecção. Um dos aspectos mais importantes daquela restruturação foi a digitalização de toda a informação sobre as suas estirpes numa base de dados e posterior publicação do catálogo online e website. Actualmente a PYCC contem um conjunto de estirpes de leveduras muito diversificadas (cerca de 3000) em que 28% são estirpes isoladas em Portugal e cerca de 46% são estirpes exclusivas. Com vista à obtenção da certificação da colecção foi realizado um estudo comparativo entre a PYCC e as colecções congéneres, concluindo-se que as características que mais contribuem para o desenvolvimento actual da PYCC são investigação em métodos de cultura, investigação em métodos de preservação, investigação na biodiversidade, controlo da pureza das culturas e oferta de outros serviços. Estas características contribuem para que a certificação da PYCC. Para que isto se verifique uma série de procedimentos terão de ser seguidos com base nas recomendações da OECD, nomeadamente a implementação de um Sistema de Gestão da Qualidade (SGQ). O posterior desenvolvimento da PYCC em BRC depara com alguns constrangimentos ao nível financeiro e logístico que decorrem dos regulamentos da instituição de acolhimento. Contudo o facto de a PYCC ser actualmente a única colecção portuguesa de leveduras com um catálogo online e uma base de dados muito completa, constitui uma mais-valia para o seu desenvolvimento num BRC, o que poderá vir acontecer em associação com outras colecções portuguesas no âmbito do projecto MIRRI. |
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