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Impacto prognóstico do controlo metabólico em doentes com insuficiência cardíaca

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Detalhes bibliográficos
Resumo:Introdução: A insuficiência cardíaca (IC) é uma síndrome clínica altamente prevalente e com uma morbimortalidade elevada. Existem um grande número de fatores de mau prognóstico estudados, vários deles constituindo alvos terapêuticos considerados cen-trais na gestão dos doentes. Múltiplos estudos têm posto em causa o benefício do con-trolo metabólico mais rigoroso em doentes com IC, como acontece com o colesterol LDL (C-LDL), hemoglobina glicada (HbA1c) e índice de massa corporal (IMC). Objetivos: Caracterizar uma população de doentes internada por insuficiência aguda ou crónica agudizada em função dos diagnósticos concomitantes de diabetes, obesidade e dislipidemia. Avaliar o impacto dos diagnósticos de diabetes, obesidade e dislipidemia e do seu controlo na mortalidade, internamentos de qualquer causa e por insuficiência cardíaca e nos eventos trombóticos em doentes com insuficiência cardíaca, no ano após um internamento por insuficiência cardíaca aguda ou crónica agudizada. Metodologia: Estudo unicêntrico retrospetivo que incluiu doentes consecutivos interna-dos por IC aguda/cronica descompensada entre janeiro de 2016 e dezembro de 2018 em enfermaria de Cardiologia de um Hospital Terciário. Foram recolhidos dados demo-gráficos, clínicos e laboratoriais. Os doentes foram divididos em grupos de acordo com as suas comorbilidades. O impacto destas comorbilidades e do seu controlo metabólico (utilizando a HbA1c, IMC e C-LDL) foi aferido usando regressão de Cox e análise de so-brevivência de Kaplan Meier com ajuste para a idade, sexo, classe funcional, fração de ejeção e etiologia da IC. Foram estabelecidos cutoffs de segurança para as variáveis quando estas se revelaram protetoras ou preditoras de risco usando análise da curva ROC. Os doentes foram categorizados de acordo com a classificação de risco cardiovas-cular. Resultados: Foram incluídos 224 doentes (idade mediana 72 anos, 63,8% sexo mascu-lino), 39,7% com IC de etiologia isquémica. A fração de ejeção do ventrículo esquerdo mediana foi de 34% (IC com FEVE reduzida: 60,3%), 37,5% dos doentes tinham diabetes, 52,8%, obesidade ou excesso de peso e 53,9%, C-LDL acima do alvo terapêutico. A HbA1c foi fator de risco para mortalidade (HR 1,473 IC 1,144 – 1,897, p=0,003), mas não o di-agnóstico de DM. Tanto a obesidade (HR 0,501 IC 0,286 – 0,881, p=0,016) como o IMC HR 0,884 IC 0,799 – 0,978, p=0,017) foram fatores protetores para mortalidade. O cutoff de segurança do IMC foi de 25,750 Kg/m2 e de 26,450 kg/m2 nos doentes de alto e muito alto risco. Tanto a presença de C-LDL acima do alvo (HR 0,188 IC 0,068 – 0,515, p=0,001) como o valor absoluto de C-LDL (HR 0,959 IC 0,940 – 0,978, p<0,001) foram fatores protetores para a mortalidade. C-LDL de 88 mg/dL foi o valor limite mais baixo não associado a risco aumentado de mortalidade na população geral; nos doentes de alto e muito alto risco cardiovascular, este valor foi de 84 mg/dL. Valores mais altos de C-LDL foram fator de risco para eventos trombóticos (HR 1,012 IC 1,001– 1,023, p=0,039), com um cutoff estabelecido de C-LDL de 102,5 mg/dL. Conclusão: Este estudo apoia a teoria do paradoxo da obesidade e do C-LDL na IC, suge-rindo que o tratamento agressivo destas comorbilidade possa ser deletério e as orien-tações clínicas atuais demasiado exigentes. Já a diabetes deve se tratada de forma a atingir um controlo metabólico adequado.
Autores principais:Duarte, Catarina Maria Pereira de Camacho
Assunto:Insuficiência cardíaca Diabetes Obesidade Dislipidémia Prognóstico
Ano:2021
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:Introdução: A insuficiência cardíaca (IC) é uma síndrome clínica altamente prevalente e com uma morbimortalidade elevada. Existem um grande número de fatores de mau prognóstico estudados, vários deles constituindo alvos terapêuticos considerados cen-trais na gestão dos doentes. Múltiplos estudos têm posto em causa o benefício do con-trolo metabólico mais rigoroso em doentes com IC, como acontece com o colesterol LDL (C-LDL), hemoglobina glicada (HbA1c) e índice de massa corporal (IMC). Objetivos: Caracterizar uma população de doentes internada por insuficiência aguda ou crónica agudizada em função dos diagnósticos concomitantes de diabetes, obesidade e dislipidemia. Avaliar o impacto dos diagnósticos de diabetes, obesidade e dislipidemia e do seu controlo na mortalidade, internamentos de qualquer causa e por insuficiência cardíaca e nos eventos trombóticos em doentes com insuficiência cardíaca, no ano após um internamento por insuficiência cardíaca aguda ou crónica agudizada. Metodologia: Estudo unicêntrico retrospetivo que incluiu doentes consecutivos interna-dos por IC aguda/cronica descompensada entre janeiro de 2016 e dezembro de 2018 em enfermaria de Cardiologia de um Hospital Terciário. Foram recolhidos dados demo-gráficos, clínicos e laboratoriais. Os doentes foram divididos em grupos de acordo com as suas comorbilidades. O impacto destas comorbilidades e do seu controlo metabólico (utilizando a HbA1c, IMC e C-LDL) foi aferido usando regressão de Cox e análise de so-brevivência de Kaplan Meier com ajuste para a idade, sexo, classe funcional, fração de ejeção e etiologia da IC. Foram estabelecidos cutoffs de segurança para as variáveis quando estas se revelaram protetoras ou preditoras de risco usando análise da curva ROC. Os doentes foram categorizados de acordo com a classificação de risco cardiovas-cular. Resultados: Foram incluídos 224 doentes (idade mediana 72 anos, 63,8% sexo mascu-lino), 39,7% com IC de etiologia isquémica. A fração de ejeção do ventrículo esquerdo mediana foi de 34% (IC com FEVE reduzida: 60,3%), 37,5% dos doentes tinham diabetes, 52,8%, obesidade ou excesso de peso e 53,9%, C-LDL acima do alvo terapêutico. A HbA1c foi fator de risco para mortalidade (HR 1,473 IC 1,144 – 1,897, p=0,003), mas não o di-agnóstico de DM. Tanto a obesidade (HR 0,501 IC 0,286 – 0,881, p=0,016) como o IMC HR 0,884 IC 0,799 – 0,978, p=0,017) foram fatores protetores para mortalidade. O cutoff de segurança do IMC foi de 25,750 Kg/m2 e de 26,450 kg/m2 nos doentes de alto e muito alto risco. Tanto a presença de C-LDL acima do alvo (HR 0,188 IC 0,068 – 0,515, p=0,001) como o valor absoluto de C-LDL (HR 0,959 IC 0,940 – 0,978, p<0,001) foram fatores protetores para a mortalidade. C-LDL de 88 mg/dL foi o valor limite mais baixo não associado a risco aumentado de mortalidade na população geral; nos doentes de alto e muito alto risco cardiovascular, este valor foi de 84 mg/dL. Valores mais altos de C-LDL foram fator de risco para eventos trombóticos (HR 1,012 IC 1,001– 1,023, p=0,039), com um cutoff estabelecido de C-LDL de 102,5 mg/dL. Conclusão: Este estudo apoia a teoria do paradoxo da obesidade e do C-LDL na IC, suge-rindo que o tratamento agressivo destas comorbilidade possa ser deletério e as orien-tações clínicas atuais demasiado exigentes. Já a diabetes deve se tratada de forma a atingir um controlo metabólico adequado.