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Estudo do controlo pós-transcricional da hemojuvelina e sua influência na homeostase do ferro

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Detalhes bibliográficos
Resumo:Uma classe importante das doenças humanas é representada por doenças hereditárias associadas à homeostase do ferro, entre as quais se destaca a Hemocromatose Hereditária (HH). Esta caracteriza-se por uma alteração dos mecanismos que regulam a absorção do ferro, levando ao aumento progressivo deste no organismo. Um dos tipos de HH é a Hemocromatose Juvenil (2A) causada por mutações no gene da hemojuvelina (HJV), envolvido na regulação do metabolismo do ferro através da modulação directa da transcrição do gene da hepcidina. De maneira a perceber o papel do controlo pós-transcricional do gene HJV na homeostase do ferro foram analisados vários aspectos do metabolismo dos transcritos HJV, nomeadamente ao nível do splicing, do controlo de tradução por grelhas de leitura a montante da grelha de leitura principal (uORFs) e a sua degradação pelo mecanismo de decaimento do mRNA mediado por mutações nonsense (NMD). Foi analisado o padrão de splicing em diferentes tecidos, transfectados e não transfectados, e os resultados indicam que o transcrito que codifica a proteína funcional não é produzido em quantidades elevadas, provavelmente fruto de um controlo rigoroso ao nível do splicing alternativo. Foi ainda detectada uma variante de splicing inicialmente referida no artigo de Papanikolaou e colaboradores (2004), mas cuja sequência não se encontra anotada nas bases de dados do transcriptoma. Verificou-se também que a HJV tem duas uORFs funcionais que inibem consideravelmente a eficiência de tradução da ORF principal, tendo a uORF1 um papel mais preponderante nesta inibição. O reconhecimento do AUG principal é feito, pelo menos, através do mecanismo de leaky scanning. Foi ainda demonstrado através de construções repórter que as uORFs da HJV são passíveis de induzir o NMD, sugerindo fortemente que na sua forma nativa o transcrito da HJV pode ser regulado por este mecanismo.
Autores principais:Tomé, Filipa dos Santos, 1987-
Assunto:Biologia molecular Hemocromatose Hemojuvelina Homeostase Teses de mestrado - 2010
Ano:2010
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:Uma classe importante das doenças humanas é representada por doenças hereditárias associadas à homeostase do ferro, entre as quais se destaca a Hemocromatose Hereditária (HH). Esta caracteriza-se por uma alteração dos mecanismos que regulam a absorção do ferro, levando ao aumento progressivo deste no organismo. Um dos tipos de HH é a Hemocromatose Juvenil (2A) causada por mutações no gene da hemojuvelina (HJV), envolvido na regulação do metabolismo do ferro através da modulação directa da transcrição do gene da hepcidina. De maneira a perceber o papel do controlo pós-transcricional do gene HJV na homeostase do ferro foram analisados vários aspectos do metabolismo dos transcritos HJV, nomeadamente ao nível do splicing, do controlo de tradução por grelhas de leitura a montante da grelha de leitura principal (uORFs) e a sua degradação pelo mecanismo de decaimento do mRNA mediado por mutações nonsense (NMD). Foi analisado o padrão de splicing em diferentes tecidos, transfectados e não transfectados, e os resultados indicam que o transcrito que codifica a proteína funcional não é produzido em quantidades elevadas, provavelmente fruto de um controlo rigoroso ao nível do splicing alternativo. Foi ainda detectada uma variante de splicing inicialmente referida no artigo de Papanikolaou e colaboradores (2004), mas cuja sequência não se encontra anotada nas bases de dados do transcriptoma. Verificou-se também que a HJV tem duas uORFs funcionais que inibem consideravelmente a eficiência de tradução da ORF principal, tendo a uORF1 um papel mais preponderante nesta inibição. O reconhecimento do AUG principal é feito, pelo menos, através do mecanismo de leaky scanning. Foi ainda demonstrado através de construções repórter que as uORFs da HJV são passíveis de induzir o NMD, sugerindo fortemente que na sua forma nativa o transcrito da HJV pode ser regulado por este mecanismo.