Publicação
Fire walk with me. O sítio de Cova da Baleia e as primeiras arquitecturas domésticas de terra no Centro e Sul de Portugal
| Resumo: | O sitio da Cova da Baleia foi alvo de uma extensa campanha de escavações realizada em 2007, revelando contextos pré-históricos em excelente estado. A complexidade e a tipologia das estruturas de argila identificadas indicavam aparentemente uma cronologia neolítica, mas a componente estrutural revelava contradições com a cultura material, nomeadamente com a industria lítica e com a escassez de cerâmica (dois fragmentos de cerâmica cardial). Esta dicotomia contraditória já havia sido detectada na Baixa do Xarez (Gonçalves, Marchand e Sousa, 2008; Gonçalves, Sousa e Marchand, no prelo), onde não foi possivel obter datações absolutas. As primeiras quatro datações absolutas oscilam entre 8460 a 9250 BP, de 7580 a 7080 cal BC, cronozona Boreal. A extensão da área ocupada (2 ha), a estratigrafia e a tipologia indicam que Cova da Baleia tem uma ocupação que remonta ao Mesolítico antigo, possivelmente prologando-se pelo Mesolítico final, e com um episódio no Neolítico antigo cardial. Os dados de campo, os artefactos e as datas de radiocarbono confirmam a especificidade deste sitio à escala regional e ibérica, a vários níveis: 1) Localização: situa-se numa área de interior, mas a maior parte de estes sítios, nesta cronologia e nesta região, implanta-se junto do Oceano Atlântico, directamente explorando os recursos aquáticos. 2) Dimensão: a maior parte dos sítios contemporâneos apresentam uma reduzida área escavada e são provavelmente pequenos acampamentos. Cova da Baleia apresenta uma extensa área escavada (500 m2) e a área total ultrapassa os 2 ha. 3) Complexidade: Cova da Baleia revelou um elevado número de estruturas arqueológicas (128), 104 construídas com argila, a maior parte relacionada com a combustão. Corresponde ao maior e melhor preservado conjunto de estruturas de argila de combustão da Europa Pré-histórica. 4) Especificidade funcional: a cultura material está quase exclusivamente associada com a indústria lítica e os entalhes correspondem ao artefacto mais frequente. Com um elevado nível de preservação de elementos orgânicos (ossos e carvão), escasseando os vestígios de fauna. |
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| Autores principais: | Sousa, Ana Catarina |
| Assunto: | Mesolítico antigo Arquitectura de terra Estremadura Early Mesolithic Earth architecture Portuguese Estremadura |
| Ano: | 2015 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | capítulo de livro |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | O sitio da Cova da Baleia foi alvo de uma extensa campanha de escavações realizada em 2007, revelando contextos pré-históricos em excelente estado. A complexidade e a tipologia das estruturas de argila identificadas indicavam aparentemente uma cronologia neolítica, mas a componente estrutural revelava contradições com a cultura material, nomeadamente com a industria lítica e com a escassez de cerâmica (dois fragmentos de cerâmica cardial). Esta dicotomia contraditória já havia sido detectada na Baixa do Xarez (Gonçalves, Marchand e Sousa, 2008; Gonçalves, Sousa e Marchand, no prelo), onde não foi possivel obter datações absolutas. As primeiras quatro datações absolutas oscilam entre 8460 a 9250 BP, de 7580 a 7080 cal BC, cronozona Boreal. A extensão da área ocupada (2 ha), a estratigrafia e a tipologia indicam que Cova da Baleia tem uma ocupação que remonta ao Mesolítico antigo, possivelmente prologando-se pelo Mesolítico final, e com um episódio no Neolítico antigo cardial. Os dados de campo, os artefactos e as datas de radiocarbono confirmam a especificidade deste sitio à escala regional e ibérica, a vários níveis: 1) Localização: situa-se numa área de interior, mas a maior parte de estes sítios, nesta cronologia e nesta região, implanta-se junto do Oceano Atlântico, directamente explorando os recursos aquáticos. 2) Dimensão: a maior parte dos sítios contemporâneos apresentam uma reduzida área escavada e são provavelmente pequenos acampamentos. Cova da Baleia apresenta uma extensa área escavada (500 m2) e a área total ultrapassa os 2 ha. 3) Complexidade: Cova da Baleia revelou um elevado número de estruturas arqueológicas (128), 104 construídas com argila, a maior parte relacionada com a combustão. Corresponde ao maior e melhor preservado conjunto de estruturas de argila de combustão da Europa Pré-histórica. 4) Especificidade funcional: a cultura material está quase exclusivamente associada com a indústria lítica e os entalhes correspondem ao artefacto mais frequente. Com um elevado nível de preservação de elementos orgânicos (ossos e carvão), escasseando os vestígios de fauna. |
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