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Impacto da pandemia COVID-19 no perfil de utilização de um Serviço de Urgência Pediátrica de um hospital de nível III
| Summary: | Introdução: A pandemia de COVID-19 introduziu mudanças abruptas nos cuidados de saúde a nível global. O fenómeno de sobreutilização dos serviços de saúde coloca em risco a sua sustentabilidade e qualidade. Sendo o Serviço de Urgência Pediátrica (SUPed) sede habitual deste fenómeno, foi objetivo do presente estudo analisar o impacto da pandemia no perfil de utilização do SUPed. Métodos: Análise retrospetiva dos episódios de urgência ocorridos no período em que se atingiu o pico de incidência de COVID-19 durante a primeira vaga da doença em Portugal (30/03/2020 a 12/04/2020), em comparação com os registados no período homólogo de 2019, num hospital pediátrico de nível III. Resultados: Foram analisados 3.413 episódios de urgência, 690 no período estudado de 2020 versus 2.723 no período de referência de 2019. No período pandémico verificou-se um aumento da proporção de utentes triados como pouco urgentes ou não urgentes (51,0% versus 45,6%; valor p = 0,01), sem diferença significativa quanto à proporção de visitas classificáveis como evitáveis. Em paralelo, assistiu-se a um aumento da referenciação por parte do Centro de Contacto do Serviço Nacional de Saúde – SNS 24 (24,2% versus 5,9%; valor p <0,001) e da taxa de internamento (12,0% versus 5,6%; valor p <0,001). Constatou-se ainda uma redução do tempo até ao primeiro atendimento médico (19 minutos versus 36 minutos; valor p = 0,001) e, em sentido inverso, um aumento do tempo até à alta (85 minutos versus 69 minutos; valor p = 0,001). Conclusão: Os resultados deste estudo mostraram um decréscimo de 75% da afluência ao SUPed e sugerem uma redução do fenómeno de sobreutilização. Este padrão, possivelmente atribuível às medidas de Saúde Pública instituídas e ao receio da população em recorrer ao SUPed durante a pandemia, poderá, no entanto, ter afastado doentes com situações clínicas graves dos cuidados de que necessitavam. |
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| Main Authors: | Miranda, Diogo António Lages de |
| Subject: | COVID-19 Pandemia Sobreutilização Serviço de Urgência pediátrica |
| Year: | 2021 |
| Country: | Portugal |
| Document type: | master thesis |
| Access type: | open access |
| Associated institution: | Universidade de Lisboa |
| Language: | Portuguese |
| Origin: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Summary: | Introdução: A pandemia de COVID-19 introduziu mudanças abruptas nos cuidados de saúde a nível global. O fenómeno de sobreutilização dos serviços de saúde coloca em risco a sua sustentabilidade e qualidade. Sendo o Serviço de Urgência Pediátrica (SUPed) sede habitual deste fenómeno, foi objetivo do presente estudo analisar o impacto da pandemia no perfil de utilização do SUPed. Métodos: Análise retrospetiva dos episódios de urgência ocorridos no período em que se atingiu o pico de incidência de COVID-19 durante a primeira vaga da doença em Portugal (30/03/2020 a 12/04/2020), em comparação com os registados no período homólogo de 2019, num hospital pediátrico de nível III. Resultados: Foram analisados 3.413 episódios de urgência, 690 no período estudado de 2020 versus 2.723 no período de referência de 2019. No período pandémico verificou-se um aumento da proporção de utentes triados como pouco urgentes ou não urgentes (51,0% versus 45,6%; valor p = 0,01), sem diferença significativa quanto à proporção de visitas classificáveis como evitáveis. Em paralelo, assistiu-se a um aumento da referenciação por parte do Centro de Contacto do Serviço Nacional de Saúde – SNS 24 (24,2% versus 5,9%; valor p <0,001) e da taxa de internamento (12,0% versus 5,6%; valor p <0,001). Constatou-se ainda uma redução do tempo até ao primeiro atendimento médico (19 minutos versus 36 minutos; valor p = 0,001) e, em sentido inverso, um aumento do tempo até à alta (85 minutos versus 69 minutos; valor p = 0,001). Conclusão: Os resultados deste estudo mostraram um decréscimo de 75% da afluência ao SUPed e sugerem uma redução do fenómeno de sobreutilização. Este padrão, possivelmente atribuível às medidas de Saúde Pública instituídas e ao receio da população em recorrer ao SUPed durante a pandemia, poderá, no entanto, ter afastado doentes com situações clínicas graves dos cuidados de que necessitavam. |
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