Publicação
Petrologia e geoquímica dos maciços shoshoníticos de Veiros e Vale de Maceira (Zona de Ossa-Morena): implicações geodinâmicas
| Resumo: | Os Maciços de Veiros (MV) e Vale de Maceira (MVM) são dois pequenos corpos intrusivos localizados no NE da Zona de Ossa Morena (ZOM). Ocorrem perto da fronteira entre o Sector Estremoz-Barrancos e o Sector Alter do Chão nos meta-sedimentos câmbricos a silúricos, formando orlas estreitas de metamorfismo de contacto, e são cortados por filões ricos em potássio de direcção NE-SW de provável idade tardi-varisca. Os plutões estudados de composição básica a intermédia são compostos por rochas granulares (MV: geralmente de grão fino, MVM: geralmente de grão médio) com uma relação entre minerais máficos e félsicos (M ') variando entre os 30% a 90% e uma relação entre feldspato alcalino e plagioclase variando entre mais de 90% e menos de 10%, produzindo um intervalo de composição entre os gabros a sienitos (predominantemente monzonitos e monzogabros). A composição mineralógica da associação gabro-monzonítica é composta por diferentes proporções de olivina (Fo56-77), augite e hiperstena, plagioclase (An40-85, geralmente labradorite), feldspato alcalino (Or70-90), flogopite e em algumas rochas horneblenda castanha (kaersutite e pargasite) ou quartzo. Como minerais acessórios: óxidos de Fe-Ti, apatite, esfena e zircão. MV e MVM são caracterizados por atributos típicos de uma associação shoshonítica e das séries orogénicas: teores elevados ou razões elevadas de K2O; K2O + Na2O; K2O / Na2O; LILE; LREE; LREE / HREE; LILE / HFSE; LILE / LREE; LREE /HFSE; Th e P2O5; baixos teores de TiO2; teores elevados mas variáveis de Al2O3. Em diagramas multielementar normalizados, são caracterizados por anomalias negativas de Nb-Ta; Zr-Hf; Ti; e Th (?); e por anomalias positivas em U (?); Pb e P. Adicionalmente são caracterizados por baixo enriquecimento em ferro (e.g. no diagrama AFM); por olivina e hiperstena normativa e por raro quartzo modal e ausência de minerais feldspatóides (i.e. rochas quase saturadas); conteúdo variável de feldspato alcalino até 30% de moda (inclusive nas rochas com olivina); coexistência de olivina, clinopiroxena e ortopiroxena (incluindo nas rochas intermédias); baixos teores de CaO na olivina; baixos teores de TiO2 na clinopiroxena; elevados teores de TiO2 e K2O nas flogopites e nas horneblendas. A associação temporal e espacial das rochas shoshoníticas de MV e VVM (c. 362 Ma) com o maciço calco-alcalino de Campo Maior (c. 376 Ma) é uma evidência clara da existência de uma placa-subductada sob a parte noroeste da ZOM durante o Devónico superior. Além disso, a presença na parte SW da ZOM de rochas toleíticas e calco-alcalinas relacionadas com a subdução (subduction related) sugerem subdução com mergulho para Norte em funcionamento desde o Devónico inferior. Os diagramas discriminantes seleccionados indicam claramente um aumento de certos elementos ou proporções das rochas magmáticas devónicas de acordo com sua idade e afinidade magmática (i.e. Mte Covas Ruivas / Mte Cortes> Campo Maior> Vale de Maceira ≥ Veiros). Considerando que os eclogitos imbricados nas Sequências Ofiolíticas Internas (SOI) aos c. 370 Ma sofreram exumação pouco tempo depois do pico metamórfico e que os dados palinoestratigráficos sugerem que o fecho da bacia Rheic é anterior aos c. 370 Ma; então a idade do maciço de Vale de Maceira (c. 362 Ma) sugere que o magmatismo shoshonítico pode ter ocorrido após a cessação da subdução e após o início da colisão continental. Além disso, estudaram-se, de forma breve, rochas de carácter filoniano como os microdioritos e microtonalitos (“vaugneritos”), lamprófiros (?) e microgranitos. A principal característica distintiva dos “vaugneritos” são os fenocristais de plagioclase e a ausência de minerais máficos anidros. A matriz é muito fina composta por quartzo, plagioclase, feldspato e biotite (s.s.) e minerais hidrotérmicos, como a clorite e actinolite. Estas são rochas são ácidas (SiO2 ~ 65%) e ricas em K (AKCA). O lamprófiro (?), de composição intermediária (SiO2 ~ 54%) e shoshonítica, é uma rocha microgranular rica em biotite com uma matriz muito fina de feldspato de quartzo. Os seus padrões normalizados multi-elementares estão em acordo com os mesmos padrões de vaugneritos e de lamprófiros, definidos e resumidos em estudos anteriores para outras zonas do Maciço Ibérico. |
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| Autores principais: | Amaral, João Pedro Lains do |
| Assunto: | Shoshonito Magmatismo rico em potássio Plutonismo Devónico superior Zona de Ossa-Morena Subducção Varisca Associação gabro-monzonítica Teses de mestrado - 2017 |
| Ano: | 2017 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | Os Maciços de Veiros (MV) e Vale de Maceira (MVM) são dois pequenos corpos intrusivos localizados no NE da Zona de Ossa Morena (ZOM). Ocorrem perto da fronteira entre o Sector Estremoz-Barrancos e o Sector Alter do Chão nos meta-sedimentos câmbricos a silúricos, formando orlas estreitas de metamorfismo de contacto, e são cortados por filões ricos em potássio de direcção NE-SW de provável idade tardi-varisca. Os plutões estudados de composição básica a intermédia são compostos por rochas granulares (MV: geralmente de grão fino, MVM: geralmente de grão médio) com uma relação entre minerais máficos e félsicos (M ') variando entre os 30% a 90% e uma relação entre feldspato alcalino e plagioclase variando entre mais de 90% e menos de 10%, produzindo um intervalo de composição entre os gabros a sienitos (predominantemente monzonitos e monzogabros). A composição mineralógica da associação gabro-monzonítica é composta por diferentes proporções de olivina (Fo56-77), augite e hiperstena, plagioclase (An40-85, geralmente labradorite), feldspato alcalino (Or70-90), flogopite e em algumas rochas horneblenda castanha (kaersutite e pargasite) ou quartzo. Como minerais acessórios: óxidos de Fe-Ti, apatite, esfena e zircão. MV e MVM são caracterizados por atributos típicos de uma associação shoshonítica e das séries orogénicas: teores elevados ou razões elevadas de K2O; K2O + Na2O; K2O / Na2O; LILE; LREE; LREE / HREE; LILE / HFSE; LILE / LREE; LREE /HFSE; Th e P2O5; baixos teores de TiO2; teores elevados mas variáveis de Al2O3. Em diagramas multielementar normalizados, são caracterizados por anomalias negativas de Nb-Ta; Zr-Hf; Ti; e Th (?); e por anomalias positivas em U (?); Pb e P. Adicionalmente são caracterizados por baixo enriquecimento em ferro (e.g. no diagrama AFM); por olivina e hiperstena normativa e por raro quartzo modal e ausência de minerais feldspatóides (i.e. rochas quase saturadas); conteúdo variável de feldspato alcalino até 30% de moda (inclusive nas rochas com olivina); coexistência de olivina, clinopiroxena e ortopiroxena (incluindo nas rochas intermédias); baixos teores de CaO na olivina; baixos teores de TiO2 na clinopiroxena; elevados teores de TiO2 e K2O nas flogopites e nas horneblendas. A associação temporal e espacial das rochas shoshoníticas de MV e VVM (c. 362 Ma) com o maciço calco-alcalino de Campo Maior (c. 376 Ma) é uma evidência clara da existência de uma placa-subductada sob a parte noroeste da ZOM durante o Devónico superior. Além disso, a presença na parte SW da ZOM de rochas toleíticas e calco-alcalinas relacionadas com a subdução (subduction related) sugerem subdução com mergulho para Norte em funcionamento desde o Devónico inferior. Os diagramas discriminantes seleccionados indicam claramente um aumento de certos elementos ou proporções das rochas magmáticas devónicas de acordo com sua idade e afinidade magmática (i.e. Mte Covas Ruivas / Mte Cortes> Campo Maior> Vale de Maceira ≥ Veiros). Considerando que os eclogitos imbricados nas Sequências Ofiolíticas Internas (SOI) aos c. 370 Ma sofreram exumação pouco tempo depois do pico metamórfico e que os dados palinoestratigráficos sugerem que o fecho da bacia Rheic é anterior aos c. 370 Ma; então a idade do maciço de Vale de Maceira (c. 362 Ma) sugere que o magmatismo shoshonítico pode ter ocorrido após a cessação da subdução e após o início da colisão continental. Além disso, estudaram-se, de forma breve, rochas de carácter filoniano como os microdioritos e microtonalitos (“vaugneritos”), lamprófiros (?) e microgranitos. A principal característica distintiva dos “vaugneritos” são os fenocristais de plagioclase e a ausência de minerais máficos anidros. A matriz é muito fina composta por quartzo, plagioclase, feldspato e biotite (s.s.) e minerais hidrotérmicos, como a clorite e actinolite. Estas são rochas são ácidas (SiO2 ~ 65%) e ricas em K (AKCA). O lamprófiro (?), de composição intermediária (SiO2 ~ 54%) e shoshonítica, é uma rocha microgranular rica em biotite com uma matriz muito fina de feldspato de quartzo. Os seus padrões normalizados multi-elementares estão em acordo com os mesmos padrões de vaugneritos e de lamprófiros, definidos e resumidos em estudos anteriores para outras zonas do Maciço Ibérico. |
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