Publicação
Cardiovascular safety in transgender men using testosterone as part of gender-affirming hormone therapy in a portuguese hospital : a retrospective study
| Resumo: | Introdução: A evidência atual sugere, com consistência variável, que os homens transgénero a realizar Terapia Hormonal de Afirmação de Género (GAHT) poderão ter níveis mais elevados de colesterol LDL, triglicéridos e hematócrito, bem como níveis menores de colesterol HDL, o que pode favorecer um aumento do risco cardiovascular. São, contudo, necessários mais estudos nesta população para confirmar se essas alterações existem e quais as implicações clínicas que apresentam para a saúde cardiovascular destes pacientes. Objetivo: Avaliar os efeitos, em homens transgénero (FtoM), da terapia hormonal com testosterona ao nível de marcadores clínicos e analíticos de risco cardiovascular e da ocorrência de eventos cardiovasculares major. Métodos: Foi selecionada uma coorte de pacientes em seguimento no Serviço de Endocrinologia do Hospital de Santa Maria. Realizou-se uma análise retrospetiva e observacional da informação clínica dos mesmos em três períodos temporais: previamente à administração de testosterona, seis meses após exposição e doze meses após exposição. Foram ainda avaliados dois períodos adicionais em indivíduos com maior duração de seguimento. Os resultados de interesse consistiram em alterações nos seguintes parâmetros: Pressão arterial (PA) sistólica, PA diastólica, PA média, peso corporal, índice de massa corporal (IMC), colesterol total, colesterol LDL, colesterol HDL, triglicéridos e hematócrito. Foi ainda investigada a ocorrência de eventos cardiovasculares após a exposição. Resultados: Foram incluídos 57 indivíduos. A idade mediana foi de 26 (AI 10) anos e a duração mediana de seguimento de 24 (AI 39.5) meses. Observaram-se aumentos estatisticamente significativos do peso corporal aos 6 meses (M) (p<0.001) e aos 12M (p=0.010); do IMC aos 6M (p<0.001); e do hematócrito aos 6M (p<0.001), 12M (p<0.001) e aos 5 anos (p<0.001). Os níveis de colesterol HDL diminuíram significativamente aos 6M (p<0.001), 12M (p<0.001) e aos 5 anos (p=0.018). Todos os parâmetros de pressão arterial, bem como os níveis de colesterol total e triglicéridos não demonstraram alterações significativas. Os níveis de colesterol LDL produziram um resultado inconclusivo aos 6M, sem alterações noutros períodos temporais. Não se registaram quaisquer eventos cardiovasculares pós-exposição nos participantes do estudo. Conclusões: Do nosso conhecimento, este é o primeiro estudo retrospetivo realizado num hospital português a avaliar estatisticamente os efeitos da terapia hormonal com testosterona num painel de marcadores de risco cardiovascular. Confirmámos, com grande magnitude de efeito, um aumento do hematócrito e um decréscimo do colesterol HDL, alterações previamente reportadas. O aumento do peso corporal e do IMC não permite associações diretas com o risco cardiovascular sem informação adicional relativa à composição corporal. A relevância clínica destes achados requer estudos futuros com amostras de maior dimensão e duração de seguimento, considerando o potencial efeito confundidor dos fatores de risco não hormonais e almejando o desenvolvimento de estratégias interventivas desenhadas especificamente para esta população. |
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| Autores principais: | Teixeira, Daniel Alexandre Domingos |
| Assunto: | Testosterona Terapia hormonal Transgénero Risco cardiovascular Endocrinologia |
| Ano: | 2024 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso embargado |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | inglês |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | Introdução: A evidência atual sugere, com consistência variável, que os homens transgénero a realizar Terapia Hormonal de Afirmação de Género (GAHT) poderão ter níveis mais elevados de colesterol LDL, triglicéridos e hematócrito, bem como níveis menores de colesterol HDL, o que pode favorecer um aumento do risco cardiovascular. São, contudo, necessários mais estudos nesta população para confirmar se essas alterações existem e quais as implicações clínicas que apresentam para a saúde cardiovascular destes pacientes. Objetivo: Avaliar os efeitos, em homens transgénero (FtoM), da terapia hormonal com testosterona ao nível de marcadores clínicos e analíticos de risco cardiovascular e da ocorrência de eventos cardiovasculares major. Métodos: Foi selecionada uma coorte de pacientes em seguimento no Serviço de Endocrinologia do Hospital de Santa Maria. Realizou-se uma análise retrospetiva e observacional da informação clínica dos mesmos em três períodos temporais: previamente à administração de testosterona, seis meses após exposição e doze meses após exposição. Foram ainda avaliados dois períodos adicionais em indivíduos com maior duração de seguimento. Os resultados de interesse consistiram em alterações nos seguintes parâmetros: Pressão arterial (PA) sistólica, PA diastólica, PA média, peso corporal, índice de massa corporal (IMC), colesterol total, colesterol LDL, colesterol HDL, triglicéridos e hematócrito. Foi ainda investigada a ocorrência de eventos cardiovasculares após a exposição. Resultados: Foram incluídos 57 indivíduos. A idade mediana foi de 26 (AI 10) anos e a duração mediana de seguimento de 24 (AI 39.5) meses. Observaram-se aumentos estatisticamente significativos do peso corporal aos 6 meses (M) (p<0.001) e aos 12M (p=0.010); do IMC aos 6M (p<0.001); e do hematócrito aos 6M (p<0.001), 12M (p<0.001) e aos 5 anos (p<0.001). Os níveis de colesterol HDL diminuíram significativamente aos 6M (p<0.001), 12M (p<0.001) e aos 5 anos (p=0.018). Todos os parâmetros de pressão arterial, bem como os níveis de colesterol total e triglicéridos não demonstraram alterações significativas. Os níveis de colesterol LDL produziram um resultado inconclusivo aos 6M, sem alterações noutros períodos temporais. Não se registaram quaisquer eventos cardiovasculares pós-exposição nos participantes do estudo. Conclusões: Do nosso conhecimento, este é o primeiro estudo retrospetivo realizado num hospital português a avaliar estatisticamente os efeitos da terapia hormonal com testosterona num painel de marcadores de risco cardiovascular. Confirmámos, com grande magnitude de efeito, um aumento do hematócrito e um decréscimo do colesterol HDL, alterações previamente reportadas. O aumento do peso corporal e do IMC não permite associações diretas com o risco cardiovascular sem informação adicional relativa à composição corporal. A relevância clínica destes achados requer estudos futuros com amostras de maior dimensão e duração de seguimento, considerando o potencial efeito confundidor dos fatores de risco não hormonais e almejando o desenvolvimento de estratégias interventivas desenhadas especificamente para esta população. |
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