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Manuel da Fonseca e a escrita da violência

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Detalhes bibliográficos
Resumo:A concisão e intensidade da linguagem reforçam um traço incomum de Manuel da Fonseca: a escrita da violência. Não está só em causa a violência social que submete os camponeses à miséria e ao desespero cego ou os pequenos burgueses (mais ainda, as mulheres) à vida medíocre e sufocada. Refiro essencialmente a capacidade notável de dar corpo verbal à violência física mais sangrenta e carnal. Fonseca tem, nesse aspecto, pouco paralelo na literatura portuguesa. Vários são os exemplos. A exasperação do Doninha de cabeça exangue contra as grades da prisão (Cerromaior); o corpo agonizante do Palma que tomba cravejado de balas no assalto policial ao terreiro (Seara de Vento); a violência alucinada do último senhor de Albarrã que, no remate do conto, cai «de borco» sobre cacos de garrafa, «até ficar a esvair-se em sangue, uivando de dor como um animal bravio» (O Fogo e as Cinzas).
Autores principais:Carmo, Carina Infante do
Assunto:Representação literária da violência Banditismo social Neorrealismo (Literatura) Luta de classes
Ano:2011
País:Portugal
Tipo de documento:artigo
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:A concisão e intensidade da linguagem reforçam um traço incomum de Manuel da Fonseca: a escrita da violência. Não está só em causa a violência social que submete os camponeses à miséria e ao desespero cego ou os pequenos burgueses (mais ainda, as mulheres) à vida medíocre e sufocada. Refiro essencialmente a capacidade notável de dar corpo verbal à violência física mais sangrenta e carnal. Fonseca tem, nesse aspecto, pouco paralelo na literatura portuguesa. Vários são os exemplos. A exasperação do Doninha de cabeça exangue contra as grades da prisão (Cerromaior); o corpo agonizante do Palma que tomba cravejado de balas no assalto policial ao terreiro (Seara de Vento); a violência alucinada do último senhor de Albarrã que, no remate do conto, cai «de borco» sobre cacos de garrafa, «até ficar a esvair-se em sangue, uivando de dor como um animal bravio» (O Fogo e as Cinzas).