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Regime térmico do solo e do permafrost na Península de Barton (Ilha de Rei Jorge, Antártida): características e fatores condicionantes

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Resumo:O permafrost é um fenómeno muito sensível às alterações climáticas, encontrando-se na Antártida Marítima próximo do seu limite climático. Considerando os cenários de aquecimento previstos, o aprofundamento do conhecimento sobre o estado térmico do permafrost é de elevada relevância para estimar os impactes das suas mudanças futuras. O trabalho desenvolvido na Península Barton (Ilha de Rei Jorge) visa contribuir para o aprofundamento deste conhecimento, numa área em que tal era inexistente. Assim, em fevereiro de 2019, instalámos uma perfuração com 13m de profundidade para monitorização do estado térmico do permafrost (King Sejong Station, 128m de altitude, 13 m de profundidade) que contribui para a Global Terrestrial Network for Permafrost. Os dados do primeiro ano de observações mostraram as seguintes temperaturas: média do ar de -2 ºC, média anual do permafrost de -1,5 ºC a 13m de profundidade; TTOP de -1,7 ºC; e média anual à superfície de -1,8 ºC. Instalaram-se ainda 20 registadores de temperatura de superfície do solo, com o objetivo de estudar o regime térmico e de identificar os fatores com maior impacte no mesmo. Uma análise One-Way ANOVA destacou a importância da altitude, curvatura e cobertura de neve na temperatura média anual do solo, na intensidade e duração das estações de congelação e descongelação e na frequência dos ciclos de congelação e fusão. A importância destes fatores ficou evidente na amplitude de valores obtidos em função das condições locais. A estação de congelação registou entre 438 e 1041 FDD e a de descongelação (até 02/03/2020), variou entre 149 e 643 TDD. O estudo detalhado dos regimes térmicos numa área de grande pormenor, apoiado em cartografia geomorfológica de detalhe, permitiu analisar os regimes térmicos à escala microclimática. Os resultados obtidos permitiram, pela primeira vez, caracterizar as condições térmicas do permafrost na Península Barton e a análise dos fatores locais condicionantes.
Autores principais:Baptista, Joana Pedro
Assunto:Permafrost Regime Térmico do Solo TTOP Ilha de Rei Jorge Antártida Marítima
Ano:2021
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:O permafrost é um fenómeno muito sensível às alterações climáticas, encontrando-se na Antártida Marítima próximo do seu limite climático. Considerando os cenários de aquecimento previstos, o aprofundamento do conhecimento sobre o estado térmico do permafrost é de elevada relevância para estimar os impactes das suas mudanças futuras. O trabalho desenvolvido na Península Barton (Ilha de Rei Jorge) visa contribuir para o aprofundamento deste conhecimento, numa área em que tal era inexistente. Assim, em fevereiro de 2019, instalámos uma perfuração com 13m de profundidade para monitorização do estado térmico do permafrost (King Sejong Station, 128m de altitude, 13 m de profundidade) que contribui para a Global Terrestrial Network for Permafrost. Os dados do primeiro ano de observações mostraram as seguintes temperaturas: média do ar de -2 ºC, média anual do permafrost de -1,5 ºC a 13m de profundidade; TTOP de -1,7 ºC; e média anual à superfície de -1,8 ºC. Instalaram-se ainda 20 registadores de temperatura de superfície do solo, com o objetivo de estudar o regime térmico e de identificar os fatores com maior impacte no mesmo. Uma análise One-Way ANOVA destacou a importância da altitude, curvatura e cobertura de neve na temperatura média anual do solo, na intensidade e duração das estações de congelação e descongelação e na frequência dos ciclos de congelação e fusão. A importância destes fatores ficou evidente na amplitude de valores obtidos em função das condições locais. A estação de congelação registou entre 438 e 1041 FDD e a de descongelação (até 02/03/2020), variou entre 149 e 643 TDD. O estudo detalhado dos regimes térmicos numa área de grande pormenor, apoiado em cartografia geomorfológica de detalhe, permitiu analisar os regimes térmicos à escala microclimática. Os resultados obtidos permitiram, pela primeira vez, caracterizar as condições térmicas do permafrost na Península Barton e a análise dos fatores locais condicionantes.