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Adaptação à maternidade precoce e qualidade de vinculação : estudo de caso

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Resumo:Surpreender-se com o facto de ser mãe precocemente constitui a realidade de muitas jovens que se vêm em confronto com um desafio acrescido para além das tarefas normativas da própria adolescência. A maternidade precoce por acarretar à jovem uma dupla transição desenvolvimental e a sua reorganização pessoal e relacional, surge como um possível factor de risco ao ajustamento psicossocial da díade mãe-filho. A teoria da vinculação mostra como a qualidade de vinculação condiciona a forma como os indivíduos lidam com acontecimentos de vida desafiantes, nomeadamente como a jovem se ajusta ao exercício da maternidade. O estudo empírico realizado foca-se no caso de uma díade mãe-filho, com as suas particularidades desenvolvimentais e história relacional, em situação de maternidade precoce e respectiva integração numa instituição de acolhimento a jovens e seus filhos, em risco. Avaliou-se a forma como a jovem se adaptou à maternidade, assim como, o modo como articulou o facto de ser mãe, com os papéis de mulher e de pessoa em desenvolvimento na sociedade, através da Entrevista de Adaptação à Maternidade (EAM). Também se verificou o seu impacto na organização de vinculação do bebé, medida com base no procedimento da Situação Estranha, ambos aplicados ao 14º mês de pós-parto. Os resultados do presente estudo evidenciaram que a mãe adolescente exibe um perfil que se integra no agrupamento Pior Adaptada à Maternidade. Auto-avaliou-se com pontuação máxima no papel de mulher e de pessoa adulta em desenvolvimento e em seguida, também com uma pontuação elevada, no papel de mãe. O bebé apresentou um padrão de vinculação inseguro-ambivalente/resistente (C). Os resultados reflectem que, embora haja probabilidade de a mãe adolescente ter presenciado uma sobrecarga de riscos relativamente aos seus recursos, o percurso desenvolvimental que tem efectuado no confronto com a experiência é idiossincrático, podendo esta ter funcionado também como uma oportunidade de desenvolvimento e não apenas como uma desvantagem. A forma como a jovem se tem ajustado à maternidade, traduz-se no modo como presta cuidados ao seu filho e se relaciona com ele, tendo-se revelado numa organização de vinculação insegura do bebé, associada a possíveis consequências posteriores de inadaptação, embora os resultados desenvolvimentais mostrem-se multi-determinados. Por se conceber a possibilidade de mudança, fez Adaptação à Maternidade Precoce e Qualidade de Vinculação iii sentido a sugestão de programas de intervenção benéficos de implementar com o objectivo de ser alcançada uma relação segura, cuidador – criança.
Autores principais:Silva, Andreia Alexandra Aranha da
Assunto:Maternidade - adolescência Vinculação Mãe-criança - relações Teses de mestrado - 2010
Ano:2010
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:Surpreender-se com o facto de ser mãe precocemente constitui a realidade de muitas jovens que se vêm em confronto com um desafio acrescido para além das tarefas normativas da própria adolescência. A maternidade precoce por acarretar à jovem uma dupla transição desenvolvimental e a sua reorganização pessoal e relacional, surge como um possível factor de risco ao ajustamento psicossocial da díade mãe-filho. A teoria da vinculação mostra como a qualidade de vinculação condiciona a forma como os indivíduos lidam com acontecimentos de vida desafiantes, nomeadamente como a jovem se ajusta ao exercício da maternidade. O estudo empírico realizado foca-se no caso de uma díade mãe-filho, com as suas particularidades desenvolvimentais e história relacional, em situação de maternidade precoce e respectiva integração numa instituição de acolhimento a jovens e seus filhos, em risco. Avaliou-se a forma como a jovem se adaptou à maternidade, assim como, o modo como articulou o facto de ser mãe, com os papéis de mulher e de pessoa em desenvolvimento na sociedade, através da Entrevista de Adaptação à Maternidade (EAM). Também se verificou o seu impacto na organização de vinculação do bebé, medida com base no procedimento da Situação Estranha, ambos aplicados ao 14º mês de pós-parto. Os resultados do presente estudo evidenciaram que a mãe adolescente exibe um perfil que se integra no agrupamento Pior Adaptada à Maternidade. Auto-avaliou-se com pontuação máxima no papel de mulher e de pessoa adulta em desenvolvimento e em seguida, também com uma pontuação elevada, no papel de mãe. O bebé apresentou um padrão de vinculação inseguro-ambivalente/resistente (C). Os resultados reflectem que, embora haja probabilidade de a mãe adolescente ter presenciado uma sobrecarga de riscos relativamente aos seus recursos, o percurso desenvolvimental que tem efectuado no confronto com a experiência é idiossincrático, podendo esta ter funcionado também como uma oportunidade de desenvolvimento e não apenas como uma desvantagem. A forma como a jovem se tem ajustado à maternidade, traduz-se no modo como presta cuidados ao seu filho e se relaciona com ele, tendo-se revelado numa organização de vinculação insegura do bebé, associada a possíveis consequências posteriores de inadaptação, embora os resultados desenvolvimentais mostrem-se multi-determinados. Por se conceber a possibilidade de mudança, fez Adaptação à Maternidade Precoce e Qualidade de Vinculação iii sentido a sugestão de programas de intervenção benéficos de implementar com o objectivo de ser alcançada uma relação segura, cuidador – criança.