Publicação
Eficácia e complicações da histerectomia vaginal isolada no tratamento do prolapso uterino : estudo retrospetivo a 13 anos
| Resumo: | Introdução: A incidência de prolapso uterino e a procura de correção cirúrgica tem vindo a aumentar ao longo dos anos. Sem evidência científica que sustente uma opção de primeira linha para a correção cirúrgica do histerocelo, a histerectomia vaginal (HV) continua a mais aceite dentro da Secção Portuguesa de Uroginecologia. No entanto, a sua eficácia é constantemente questionada comparativamente a outros procedimentos inovadores, porém mais invasivos. Existe uma carência de estudos, focados apenas na histerectomia vaginal e nos seus desfechos a longo prazo. Objetivo: Avaliar a eficácia da HV e suas complicações a curto e longo prazo. Métodos: Realizou-se um estudo retrospetivo de 2008 a 2020, incluindo mulheres com prolapso uterino de grau 2 ou superior, submetidas a HV com suspensão tipo McCall e avaliadas em três momentos distintos de seguimento (12, 24 e 48 meses). Foram excluídas as HV com presença de correções concomitantes dos compartimentos anterior e/ou posterior e antecedentes cirúrgicos de correções de prolapso. Foi estudada a taxa de recidiva de prolapso apical, taxa de reoperação de prolapso apical e as complicações relacionadas com a HV: intraoperatórias (hemorragia com necessidade de transfusão sanguínea, lesão nervosa, vesical ou ureteral, complicação tromboembólica e mortalidade), a curto prazo (anemia com necessidade de transfusão sanguínea, hemorragia vaginal, deiscência da cúpula vaginal e infeção) e a longo prazo (prolapso de novo ou agravamento de outros compartimentos, reoperação de prolapso de outros compartimentos, sensação de massa a aflorar à vulva, incontinência urinária de esforço de novo ou agravamento, dispareunia e deiscência da cúpula vaginal). Resultados: Foram incluídas 65 mulheres (n=60 aos 12 meses de seguimento, n=45 aos 24 meses e n=23 aos 48 meses). O desfecho primário medido foi a recorrência com 43,5% de prolapso de cúpula vaginal, sendo 3,1% reoperadas. Adicionalmente, 65,2% tinham prolapso agravado ou de novo de outros compartimentos com uma taxa de 16,9% submetidos a cirurgia de correção. Observou-se que 39,1% reportaram massa a aflorar à vulva, 17,4% incontinência urinária de esforço agravada ou de novo, 4,3% dispareunia e nenhuma apresentou deiscência da cúpula vaginal. Das complicações a curto prazo houve evidência de 6,2% de infeções (infeção urinária baixa e celulite da cúpula) e apenas um caso de paragem cardíaca associada à anestesia. Conclusão: A maioria das mulheres com prolapso uterino grau 2 ou superior (isolado) submetidas a HV teve recidiva anatómica, mas poucas foram reoperadas (a maioria melhora os seus sintomas, fica com prolapso de menor grau comparando com o estadio inicial, não sentindo impacto na qualidade de vida que justifique nova intervenção cirúrgica). A HV é um procedimento eficaz e com baixa taxa de complicações a curto e longo prazo. |
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| Autores principais: | Cardoso, Beatriz Marques Freire |
| Assunto: | Prolapso uterino Prolapso apical Histerectomia vaginal Complicações cirúrgicas Prolapso da cúpula Ginecologia |
| Ano: | 2022 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso restrito |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | Introdução: A incidência de prolapso uterino e a procura de correção cirúrgica tem vindo a aumentar ao longo dos anos. Sem evidência científica que sustente uma opção de primeira linha para a correção cirúrgica do histerocelo, a histerectomia vaginal (HV) continua a mais aceite dentro da Secção Portuguesa de Uroginecologia. No entanto, a sua eficácia é constantemente questionada comparativamente a outros procedimentos inovadores, porém mais invasivos. Existe uma carência de estudos, focados apenas na histerectomia vaginal e nos seus desfechos a longo prazo. Objetivo: Avaliar a eficácia da HV e suas complicações a curto e longo prazo. Métodos: Realizou-se um estudo retrospetivo de 2008 a 2020, incluindo mulheres com prolapso uterino de grau 2 ou superior, submetidas a HV com suspensão tipo McCall e avaliadas em três momentos distintos de seguimento (12, 24 e 48 meses). Foram excluídas as HV com presença de correções concomitantes dos compartimentos anterior e/ou posterior e antecedentes cirúrgicos de correções de prolapso. Foi estudada a taxa de recidiva de prolapso apical, taxa de reoperação de prolapso apical e as complicações relacionadas com a HV: intraoperatórias (hemorragia com necessidade de transfusão sanguínea, lesão nervosa, vesical ou ureteral, complicação tromboembólica e mortalidade), a curto prazo (anemia com necessidade de transfusão sanguínea, hemorragia vaginal, deiscência da cúpula vaginal e infeção) e a longo prazo (prolapso de novo ou agravamento de outros compartimentos, reoperação de prolapso de outros compartimentos, sensação de massa a aflorar à vulva, incontinência urinária de esforço de novo ou agravamento, dispareunia e deiscência da cúpula vaginal). Resultados: Foram incluídas 65 mulheres (n=60 aos 12 meses de seguimento, n=45 aos 24 meses e n=23 aos 48 meses). O desfecho primário medido foi a recorrência com 43,5% de prolapso de cúpula vaginal, sendo 3,1% reoperadas. Adicionalmente, 65,2% tinham prolapso agravado ou de novo de outros compartimentos com uma taxa de 16,9% submetidos a cirurgia de correção. Observou-se que 39,1% reportaram massa a aflorar à vulva, 17,4% incontinência urinária de esforço agravada ou de novo, 4,3% dispareunia e nenhuma apresentou deiscência da cúpula vaginal. Das complicações a curto prazo houve evidência de 6,2% de infeções (infeção urinária baixa e celulite da cúpula) e apenas um caso de paragem cardíaca associada à anestesia. Conclusão: A maioria das mulheres com prolapso uterino grau 2 ou superior (isolado) submetidas a HV teve recidiva anatómica, mas poucas foram reoperadas (a maioria melhora os seus sintomas, fica com prolapso de menor grau comparando com o estadio inicial, não sentindo impacto na qualidade de vida que justifique nova intervenção cirúrgica). A HV é um procedimento eficaz e com baixa taxa de complicações a curto e longo prazo. |
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