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Estudo de base de Senecio lagascanus subsp. lusitanicus (Asteraceae): contributo para a conservação de uma planta rara

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Resumo:A conservação activa deve ter por base o conhecimento da biologia e ecologia das espécies, bem como dos seus principais factores de ameaça. Senecio lagascanus DC. subsp. lusitanicus (P. Cout.) Pinto da Silva é um endemismo de Portugal Continental, extremamente raro e abrangido por legislação de protecção nacional e internacional. Não existem, no entanto, quaisquer estudos direccionados a este taxon e pouco se conhece acerca da sua biologia, ecologia e verdadeiro estado de conservação. Este trabalho pretendeu realizar, à macro escala, um estudo ecogeográfico investindo na distribuição real e potencial da espécie. À escala local, teve como objectivo contribuir com informação de base sobre o tamanho das populações, os micro‐habitats onde ocorre, a fenologia, e sobre parâmetros associados à biologia reprodutiva e dinâmica de populações. A distribuição actual da espécie resume‐se apenas a quatro populações, com efectivo populacional relativamente baixo, afastadas e muito restritas espacialmente. A modelação da distribuição da espécie evidenciou outros potenciais locais de ocorrência para futuras prospecções. A espécie ocorre preferencialmente em relvados rochosos, mas também em coberturas arbustivas densas, em vertentes que podem ser muito declivosas e consistentemente expostas a Norte. Os habitats de ocorrência da espécie em cada população são caracterizados e comparados. O taxon apresenta o pico de floração no fim de Maio, pode reproduzir‐se por rizomas vegetativos, aparenta ser auto‐incompatível e não formar banco de sementes no solo. Cerca de 40% das plantas observadas não formaram estruturas reprodutoras; um maior número de sementes por capítulo foi observado para as populações da Serra da Boa Viagem e Montejunto; cerca de 50% das sementes de um capítulo são viáveis e verificaram‐se percentagens de germinação relativamente altas, particularmente na população da Carvalha. O estudo de base parece indicar, que embora rara e restrita, a espécie está bem adaptada aos seus locais e habitats de ocorrência. Aparentemente, a sua raridade não parece dever–se a problemas reprodutivos mas sim à sua elevada especificidade ambiental. Os estudos desenvolvidos no sentido de caracterizar a espécie rara Senecio l. lusitanicus e as suas populações são a chave para o desenvolvimento de estratégias de conservação adequadas. Os conhecimentos de base adquiridos neste trabalho dão a conhecer e permitem caracterizar o estado de conservação actual do taxon, identificar medidas de conservação em prática e principais ameaças.
Autores principais:Dias, Sara Lobo, 1983-
Assunto:Botânica geográfica Taxonomia botânica Teses de mestrado - 2014
Ano:2014
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:A conservação activa deve ter por base o conhecimento da biologia e ecologia das espécies, bem como dos seus principais factores de ameaça. Senecio lagascanus DC. subsp. lusitanicus (P. Cout.) Pinto da Silva é um endemismo de Portugal Continental, extremamente raro e abrangido por legislação de protecção nacional e internacional. Não existem, no entanto, quaisquer estudos direccionados a este taxon e pouco se conhece acerca da sua biologia, ecologia e verdadeiro estado de conservação. Este trabalho pretendeu realizar, à macro escala, um estudo ecogeográfico investindo na distribuição real e potencial da espécie. À escala local, teve como objectivo contribuir com informação de base sobre o tamanho das populações, os micro‐habitats onde ocorre, a fenologia, e sobre parâmetros associados à biologia reprodutiva e dinâmica de populações. A distribuição actual da espécie resume‐se apenas a quatro populações, com efectivo populacional relativamente baixo, afastadas e muito restritas espacialmente. A modelação da distribuição da espécie evidenciou outros potenciais locais de ocorrência para futuras prospecções. A espécie ocorre preferencialmente em relvados rochosos, mas também em coberturas arbustivas densas, em vertentes que podem ser muito declivosas e consistentemente expostas a Norte. Os habitats de ocorrência da espécie em cada população são caracterizados e comparados. O taxon apresenta o pico de floração no fim de Maio, pode reproduzir‐se por rizomas vegetativos, aparenta ser auto‐incompatível e não formar banco de sementes no solo. Cerca de 40% das plantas observadas não formaram estruturas reprodutoras; um maior número de sementes por capítulo foi observado para as populações da Serra da Boa Viagem e Montejunto; cerca de 50% das sementes de um capítulo são viáveis e verificaram‐se percentagens de germinação relativamente altas, particularmente na população da Carvalha. O estudo de base parece indicar, que embora rara e restrita, a espécie está bem adaptada aos seus locais e habitats de ocorrência. Aparentemente, a sua raridade não parece dever–se a problemas reprodutivos mas sim à sua elevada especificidade ambiental. Os estudos desenvolvidos no sentido de caracterizar a espécie rara Senecio l. lusitanicus e as suas populações são a chave para o desenvolvimento de estratégias de conservação adequadas. Os conhecimentos de base adquiridos neste trabalho dão a conhecer e permitem caracterizar o estado de conservação actual do taxon, identificar medidas de conservação em prática e principais ameaças.