Publicação
Parasitas gastrintestinais em equinos com aptidão de trabalho e desporto no distrito de Santarém, Portugal
| Resumo: | Este trabalho visa contribuir para uma melhor caracterização da prevalência parasitária no efetivo equino de trabalho e desporto proveniente do distrito de Santarém, para além de permitir comparar os achados parasitológicos entre aqueles dois grupos, traduzindo-se o mesmo numa mais-valia pelo facto de trabalhos sobre parasitas de equinos de trabalho/desporto não serem abundantes a nível nacional ou internacional. A amostra estudada contemplou 76 animais distribuídos por 8 explorações. Destas, 4 englobaram animais cuja aptidão é o desporto (34 animais) e as restantes, animais cuja vocação é o trabalho (42 animais). Realça-se que foram incluídos neste último grupo os animais envolvidos no toureio equestre, atividade com grande destaque naquela região. A maioria dos animais amostrados era da raça Lusitana (34,2%) e Cruzado Português (21,1%), na sua maioria machos (69,7%) e com idades compreendidas entre os 3 e os 8 anos (60,6%). As amostras fecais recolhidas foram enviadas para o laboratório de Parasitologia e Doenças Parasitárias (LPDP) da Faculdade de Medicina Veterinária, Universidade de Lisboa (FMV-UL) e submetidas a diversas técnicas coprológicas, nomeadamente, técnica de McMaster, Willis, sedimentação natural e coprocultura. O número de ovos por grama de fezes (OPG) médio dos animais de trabalho (589), foi superior ao OPG dos animais de desporto (537), não tendo sido verificada uma diferença estatisticamente significativa entre os dois grupos mediante realização do teste T-student (p=0,831). Existe, para os animais alvo deste estudo, uma correlação negativa entre a idade e valor de OPG, com uma tendência para que a gravidade da eliminação de ovos esteja inversamente relacionada com a idade do animal. Verificou-se ainda uma associação estatisticamente significativa entre o OPG e o sexo feminino, o que poderá ser justificado pela média de idades das fêmeas ser inferior à dos machos (5 e 7,5 anos, respetivamente) e pelo facto de uma maior proporção de fêmeas ter acesso à pastagem (34,8%, por oposição a 18,9% no caso dos machos) o que se traduz, potencialmente, numa maior exposição a formas infetantes existentes na pastagem. De acordo com as informações prestadas durante o inquérito epidemiológico, os proprietários dos animais de trabalho aplicam em média 2 tratamentos AH (antihelmínticos) anuais, enquanto os proprietários dos animais de desporto aplicam em média 3 tratamentos. Em relação aos resultados das coproculturas, verificaram-se 47 animais positivos (61,8%) e 29 negativos (38,2%). Quanto aos géneros e espécies determinados pela identificação das L3, diagnosticaram-se nemátodes do género Cyathostomum, s.l., tendo-se registado a sua presença em todos os animais com uma coprocultura positiva (61,8%) e uma abundância de 81,2%. Este género divide-se em 8 morfotipos larvares, sendo, neste estudo, o morfotipo mais abundante o tipo A (31,6%), seguido do tipo D (23,8%), C (22,1%), G (19,5%), E (1,4%) e F (0,6%). Foram ainda observadas larvas de outros géneros/espécies com as seguintes prevalências: Oesophagodontus robustus (6,6%), Triodontophorus spp. (3,9%), Triodontophorus serratus (3,9%), Strongylus vulgaris (2,6%), Poteriostomum sp. (2,6%), Craterostomum acuticaudatum (1,3%) e Gyalocephalus capitatus (1,3%). Neste trabalho apenas um animal, uma poldra com um ano de idade, foi positivo à presença de ovos de Parascaris sp. (prevalência da parascariose nesta faixa etária foi de 16,7% com uma prevalência global de 2,6%). Foram ainda detetados pela primeira vez em Portugal ovos de Fasciola hepatica num cavalo com 6 anos de idade. O animal não exibia qualquer sinal clínico, pelo que os ovos eliminados nas fezes permitiram fazer o diagnóstico da infeção através da técnica de sedimentação natural. |
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| Autores principais: | Ferreira, Mariline Silva |
| Assunto: | Cavalos de trabalho e desporto parasitas gastrintestinais estrongilídeos F. hepatica prevalência desparasitação anti-helmínticos Sport and working Horses gastrointestinal parasites strongyles F. hepatica prevalence deworming anthelmintics |
| Ano: | 2016 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | Este trabalho visa contribuir para uma melhor caracterização da prevalência parasitária no efetivo equino de trabalho e desporto proveniente do distrito de Santarém, para além de permitir comparar os achados parasitológicos entre aqueles dois grupos, traduzindo-se o mesmo numa mais-valia pelo facto de trabalhos sobre parasitas de equinos de trabalho/desporto não serem abundantes a nível nacional ou internacional. A amostra estudada contemplou 76 animais distribuídos por 8 explorações. Destas, 4 englobaram animais cuja aptidão é o desporto (34 animais) e as restantes, animais cuja vocação é o trabalho (42 animais). Realça-se que foram incluídos neste último grupo os animais envolvidos no toureio equestre, atividade com grande destaque naquela região. A maioria dos animais amostrados era da raça Lusitana (34,2%) e Cruzado Português (21,1%), na sua maioria machos (69,7%) e com idades compreendidas entre os 3 e os 8 anos (60,6%). As amostras fecais recolhidas foram enviadas para o laboratório de Parasitologia e Doenças Parasitárias (LPDP) da Faculdade de Medicina Veterinária, Universidade de Lisboa (FMV-UL) e submetidas a diversas técnicas coprológicas, nomeadamente, técnica de McMaster, Willis, sedimentação natural e coprocultura. O número de ovos por grama de fezes (OPG) médio dos animais de trabalho (589), foi superior ao OPG dos animais de desporto (537), não tendo sido verificada uma diferença estatisticamente significativa entre os dois grupos mediante realização do teste T-student (p=0,831). Existe, para os animais alvo deste estudo, uma correlação negativa entre a idade e valor de OPG, com uma tendência para que a gravidade da eliminação de ovos esteja inversamente relacionada com a idade do animal. Verificou-se ainda uma associação estatisticamente significativa entre o OPG e o sexo feminino, o que poderá ser justificado pela média de idades das fêmeas ser inferior à dos machos (5 e 7,5 anos, respetivamente) e pelo facto de uma maior proporção de fêmeas ter acesso à pastagem (34,8%, por oposição a 18,9% no caso dos machos) o que se traduz, potencialmente, numa maior exposição a formas infetantes existentes na pastagem. De acordo com as informações prestadas durante o inquérito epidemiológico, os proprietários dos animais de trabalho aplicam em média 2 tratamentos AH (antihelmínticos) anuais, enquanto os proprietários dos animais de desporto aplicam em média 3 tratamentos. Em relação aos resultados das coproculturas, verificaram-se 47 animais positivos (61,8%) e 29 negativos (38,2%). Quanto aos géneros e espécies determinados pela identificação das L3, diagnosticaram-se nemátodes do género Cyathostomum, s.l., tendo-se registado a sua presença em todos os animais com uma coprocultura positiva (61,8%) e uma abundância de 81,2%. Este género divide-se em 8 morfotipos larvares, sendo, neste estudo, o morfotipo mais abundante o tipo A (31,6%), seguido do tipo D (23,8%), C (22,1%), G (19,5%), E (1,4%) e F (0,6%). Foram ainda observadas larvas de outros géneros/espécies com as seguintes prevalências: Oesophagodontus robustus (6,6%), Triodontophorus spp. (3,9%), Triodontophorus serratus (3,9%), Strongylus vulgaris (2,6%), Poteriostomum sp. (2,6%), Craterostomum acuticaudatum (1,3%) e Gyalocephalus capitatus (1,3%). Neste trabalho apenas um animal, uma poldra com um ano de idade, foi positivo à presença de ovos de Parascaris sp. (prevalência da parascariose nesta faixa etária foi de 16,7% com uma prevalência global de 2,6%). Foram ainda detetados pela primeira vez em Portugal ovos de Fasciola hepatica num cavalo com 6 anos de idade. O animal não exibia qualquer sinal clínico, pelo que os ovos eliminados nas fezes permitiram fazer o diagnóstico da infeção através da técnica de sedimentação natural. |
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