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Aplicação das associações de foraminíferos bentónicos na identificação de depósitos tsunamigénicos na plataforma externa, Algarve: uma avaliação preliminar

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Resumo:Esta dissertação tem como objectivo avaliar a presença de espécies de foraminíferos bentónicos costeiros, no contexto sedimentar da plataforma externa, como proxies para a identificação de depósitos tsunamigénicos. Para tal, foram analisadas as associações de foraminíferos de 57 amostras de uma sondagem realizada a cerca de 100 m de profundidade, na plataforma continental algarvia. Verificou-se a forte dominância de três espécies típicas da plataforma externa, nomeadamente, Brizalina pseudopunctata, Epistominella vitrea e Bolivina spathulata. Estas apresentam um comportamento oportunista respondendo positivamente à elevada produtividade da região. Foi ainda detectada a presença significativa de espécies típicas de ambiente de sapal, Jadammina macrescens, Lepidodeuterammina ochracea e indivíduos costeiros não identificáveis. Este grupo assume maior expressão entre -38 cm e -81 cm, em particular nos níveis -42 cm, -49 cm e -74 cm com idade estimada entre 1850-1870 cal. d.C., 1800-1830 cal. d.C. e 1600-1670 cal. d.C. (2σ), respectivamente. A presença de espécies costeiras a esta profundidade, tendencialmente aliadas a níveis em que o diâmetro médio das partículas é mais grosseiro, sugere uma ocorrência associada a episódios de remobilização e transporte. Dada a distância entre a zona costeira e a área de estudo, este transporte deverá ter sido desencadeado por um fenómeno extremo. É expectável que o evento responsável pelos níveis de maior abundância do grupo costeiro seja o tsunami de 1755 d.C. dada a sua coincidência cronológica. Abaixo dos -98 cm verifica-se uma presença reduzida do grupo costeiro. Esta poderá ser explicada pela ocorrência de fenómenos torrenciais associados a cheias extremas responsáveis pela remobilização e transporte de material costeiro para o largo. A análise estatística confirmou a ausência de correlação entre o grupo costeiro e as restantes espécies da associação e permitiu identificar um segundo sinal de transporte, de menor dimensão e de sentido contrário, provavelmente originado pela interacção dos processos de upwelling com os sedimentos de fundo. Os resultados obtidos sugerem que os foraminíferos costeiros podem ser utilizados como indicadores de depósitos tsunamigénicos no domínio da plataforma externa.
Autores principais:Quintela, Maria Couto de Menezes
Assunto:Foraminíferos bentónicos Indicadores tsunamigénicos Depósito de tsunami Plataforma continental externa 1755 Teses de mestrado - 2015
Ano:2015
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:Esta dissertação tem como objectivo avaliar a presença de espécies de foraminíferos bentónicos costeiros, no contexto sedimentar da plataforma externa, como proxies para a identificação de depósitos tsunamigénicos. Para tal, foram analisadas as associações de foraminíferos de 57 amostras de uma sondagem realizada a cerca de 100 m de profundidade, na plataforma continental algarvia. Verificou-se a forte dominância de três espécies típicas da plataforma externa, nomeadamente, Brizalina pseudopunctata, Epistominella vitrea e Bolivina spathulata. Estas apresentam um comportamento oportunista respondendo positivamente à elevada produtividade da região. Foi ainda detectada a presença significativa de espécies típicas de ambiente de sapal, Jadammina macrescens, Lepidodeuterammina ochracea e indivíduos costeiros não identificáveis. Este grupo assume maior expressão entre -38 cm e -81 cm, em particular nos níveis -42 cm, -49 cm e -74 cm com idade estimada entre 1850-1870 cal. d.C., 1800-1830 cal. d.C. e 1600-1670 cal. d.C. (2σ), respectivamente. A presença de espécies costeiras a esta profundidade, tendencialmente aliadas a níveis em que o diâmetro médio das partículas é mais grosseiro, sugere uma ocorrência associada a episódios de remobilização e transporte. Dada a distância entre a zona costeira e a área de estudo, este transporte deverá ter sido desencadeado por um fenómeno extremo. É expectável que o evento responsável pelos níveis de maior abundância do grupo costeiro seja o tsunami de 1755 d.C. dada a sua coincidência cronológica. Abaixo dos -98 cm verifica-se uma presença reduzida do grupo costeiro. Esta poderá ser explicada pela ocorrência de fenómenos torrenciais associados a cheias extremas responsáveis pela remobilização e transporte de material costeiro para o largo. A análise estatística confirmou a ausência de correlação entre o grupo costeiro e as restantes espécies da associação e permitiu identificar um segundo sinal de transporte, de menor dimensão e de sentido contrário, provavelmente originado pela interacção dos processos de upwelling com os sedimentos de fundo. Os resultados obtidos sugerem que os foraminíferos costeiros podem ser utilizados como indicadores de depósitos tsunamigénicos no domínio da plataforma externa.